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Crise no Paraguai: Senado começa a analisar impeachment contra o presidente Santiago Peña

Presidente apresentou renúncia após quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso a depósitos; deputados aprovaram acusação contra Peña por su

6 min de leitura
Crise no Paraguai: Senado começa a analisar impeachment contra o presidente Santiago Peña

O Senado do Paraguai retomou a sessão nesta quinta-feira (5) para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. O país vive uma profunda crise política após vir a tona um escândalo envolvendo a quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso a seus depósitos.

  • Na manhã desta quinta (5), o Congresso do Paraguai deu os primeiros passos para votar um impeachment contra Santiago Peña, e contra seu vice, Pedro Alliana.
  • Horas depois, Peña apresentou uma carta de renúncia.
  • A Câmara do Paraguai, no entanto, não aceitou a renúncia e decidiu dar seguimento do processo de impeachment contra Peña - a votação foi unânime.
  • Já o processo de impeachment contra o vice, Pedro Alliana, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para Alliana assumir a presidência do país.
  • Durante a tarde, o Senado abriu uma sessão para julgar o pedido de renúncia do presidente Peña, mas a sessão foi suspensa por falta de quórum.
  • Em carta publicada na noite desta quinta, Peña disse que vai se apresentar para fazer sua defesa no processo do impeachment.
  • Às 19h50, o Senado abriu uma sessão extraordinária para julgar o processo de impeachment contra o presidente.

Presidente do Paraguai renuncia ao cargo; veja íntegra do comunicado.

A sessão extraordinária foi aberta às 19h50 e constituída formalmente como tribunal para conduzir o processo de impeachment.

Até a última atualização desta reportagem, os parlamentares designados como responsáveis pela acusação detalhavam os principais pontos da denúncia no plenário.

Esta reportagem está em atualização.

Veja, abaixo, a cronologia da crise no país vizinho.

No início da tarde, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Santiago Peña. Na sessão conjunta do Congresso, porém, foi colocada em votação o pedido de renúncia do presidente.

A oposição defendia que o Congresso rejeitasse a renúncia e desse continuidade ao impeachment. Os parlamentares argumentavam que a saída voluntária permitiria a Peña assumir uma vaga de senador vitalício, com direito a foro privilegiado.

O senador de oposição Líder Amarilla alegou que aceitar a renúncia poderia impedir que o presidente respondesse a eventuais acusações na Justiça.

Se aceitarmos esta renúncia, o que estamos fazendo é permitir que Santiago Peña obtenha foro parlamentar e que todo o dinheiro que foi roubado fique impune, porque a Promotoria não poderá apresentar acusações contra ele", disse Amarilla, em entrevista ao ABC Color.

Já os governistas sustentavam que aceitar a saída do presidente seria a maneira mais rápida de encerrar a crise política e permitir a transferência de poder ao vice-presidente, Pedro Alliana.

O grupo também afirmava que o Senado poderia analisar um eventual pedido de retirada do foro de Peña, caso a Promotoria solicitasse a medida.

Com a interrupção da sessão, a renúncia de Peña continua sem uma decisão formal do Congresso. O processo de impeachment, aprovado pela Câmara dos Deputados mais cedo, permanece em aberto e deverá seguir para análise do Senado, responsável pelo julgamento do presidente.

Entenda os últimos acontecimento da crise.

Segundo Ariel Palacios, comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Peña tentou se blindar e manter seu foro privilegiado ao anunciar sua decisão de renunciar.

Isso porque, pela Constituição do Paraguai, ao deixar o cargo, os ex-presidentes da República viram senadores vitalícios.

A manobra, no entanto, foi frustrada quando a Câmara deu seguimento à abertura do impeachment. A Carta constitucional estabelece que o ex-presidente perde essa prerrogativa se tiver sido submetido a julgamento político e for considerado culpado.

Opositores advertiram que aceitar a renúncia permitiria a Peña ter uma blindagem parlamentar, impedindo que fosse julgado pela Justiça comum pelas suspeitas de crimes relacionados à crise do banco ueno.

👉 A Constituição paraguaia estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e a do vice-presidente.

Santiago Penã apresentou sua carta de renúncia em um vídeo, em que se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar "pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas.

Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", disse.

A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outros pontos. A acusação também aponta que o Banco Central paraguaio teria encoberto irregularidades.

A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.

Penã foi acionista do grupo dono do banco.

Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026.

O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.

Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.

Executivos do ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco.

A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.

Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do ueno.

A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.

Em números

  • Des após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco

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