CarregandoCarregandoO ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite de domingo (25/10) que o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes às autoridades.
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- Published 27 outubro 2026, 09:12 -03Atualizado Há 54 minutos.
Flávio foi intimado a cumprir a ordem em até 24 horas na segunda-feira (26/10), depois de ter sido abordado pela Polícia Federal (PF) em Brasília. O prazo para a entrega se encerrou nesta terça-feira (27/10), por volta das 12h.
Uma fonte ouvida pela BBC News Brasil em caráter reservado informou que a Polícia Federal vai comunicar ao ministro Alexandre de Moraes que o senador não cumpriu as suas determinações.
A fonte ouvida pela BBC News Brasil também informou que os passaportes de Flávio, inclusive o passaporte oficial, obtido pela condição de ser senador da República, foram cancelados.
Ainda de acordo com apuração da reportagem, a PF faz uma checagem dos postos de imigração para saber se Flávio Bolsonaro saiu do Brasil.
A BBC News Brasil questionou a assessoria do senador sobre o tema, mas não obteve resposta até o momento.
O governo da Argentina, que faz fronteira com o Brasil, informou ao governo brasileiro que não há registro de entrada oficial de Flávio no país por posto migratório.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da nação vizinha, autoridades argentinas foram informadas sobre a possibilidade da presença do senador no aeroporto de Puerto Iguazú e fizeram a averiguação da aeronave privada — da empresa Baires Fly, prefixo LV-JQW — estacionada no local, assim como documentos do avião, e "constataram que não havia nenhum plano de voo que incluía a família Bolsonaro.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, afirmou ainda que o governo argentino não recebeu nenhum pedido de asilo em relação ao senador.
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A decisão de Moraes sobre os passaportes, que está sob sigilo, veio no âmbito do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, como parte de um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e o setor de apostas no Rio de Janeiro.
Em um vídeo compartilhado na segunda-feira (26/10) por volta das 17h em suas redes sociais, o senador disse ter sido abordado pela PF após deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país.
A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição", disse ele no vídeo.
Em entrevista dada antes do segundo turno, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que, em caso de derrota nas urnas, Flávio deveria deixar o país.
Em seu vídeo, porém, Flávio afirma que nunca disse que deixaria o país. "Eu nunca pensei em sair do país", disse.
Segundo reportagem do Poder 360, o advogado Frederick Wassef, aliado de Jair Bolsonaro, esteve com o senador na segunda-feira no condomínio em que este reside, em Brasília.
O encontro se deu horas depois de Flávio ser intimado a entregar seus passaportes. O teor da conversa não foi divulgado.
A decisão Alexandre de Moraes está em segredo de justiça.
Mas segundo relatos do G1 e da CNN, o magistrado determinou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros, incluindo o diplomático, de Flávio Bolsonaro, além da entrega em até 24 horas de passaportes que Flávio Bolsonaro tenha de outras nacionalidades.
Moraes também teria proibido qualquer contato entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Segundo Flávio, a decisão de Moraes está baseada em uma fala de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos — apesar de constar, contra ele, um mandado de prisão em aberto no Brasil.
Em declaração dada dois dias antes do segundo turno das eleições, Eduardo, que teve o mandato de deputado federal cassado, defendeu que Flávio deveria deixar o Brasil se perdesse a disputa presidencial.
Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações do país, em uma tentativa de evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.
Citando a entrevista do irmão, Flávio Bolsonaro questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impedi-lo de viajar.
Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do resultado da eleição. Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa?", indagou.
Pelo que Flávio Bolsonaro é investigado.
O senador é formalmente investigado em dois casos. Um deles apura suposto crime de lavagem de dinheiro que teria sido praticado em parceria com o advogado Willer Tomaz, alvo de outra apuração por possível envolvimento no desvio de recursos do INSS — nesse outro caso, Flávio não é investigado.
A existência desse inquérito contra o senador foi revelada pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais. O caso foi sorteado para o gabinete de Alexandre de Moraes e corre em sigilo.
A investigação mira suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador, o advogado Willer Tomaz e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. A investigação surgiu após análise do celular de Tomaz, apreendido pela Polícia Federal em outra operação, e apura possíveis irregularidades envolvendo empresas de pagamentos digitais, casas de apostas e contratos ligados à Loterj.
Os investigadores apontam movimentações financeiras consideradas atípicas, vínculos entre empresas do advogado e o setor de apostas, além da relação próxima entre Tomaz e Flávio, incluindo viagens internacionais custeadas por empresas do empresário.
Em nota enviada ao Estado de S. Paulo no domingo, o senador negou estar sendo investigado no STF.
Por meio de nota à BBC News Brasil, o escritório de Willer Tomaz criticou o vazamento de informações sigilosas a poucos dias da eleição e disse que "todas as empresas e participações do advogado são lícitas, identificadas em registros públicos e informadas em sua declaração de imposto de renda.
O senador Flávio Bolsonaro jamais teve acesso ou poderes sobre conta de qualquer empresa do advogado. A relação entre os dois é de amizade entre famílias, e amizade não é crime", disse ainda.
Já Cláudio Castro respondeu à BBC News Brasil por meio de sua assessoria. O ex-governador disse que é amigo de Tomaz e o conhece desde 2020, mas nega ilegalidades.
Informou ainda que o advogado atuou em sua defesa em alguns processos de graça.
Cláudio Castro afirma que não praticou qualquer ato ilícito, não recebeu vantagem indevida e nega qualquer relação entre sua amizade com Willer e decisões administrativas do Governo do Estado", afirmou também.
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