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Eleições 2026

Lula resgata Hino da Independência em atos na Paulista em disputa por símbolos nacionais: 'para saberem que

Composição foi tocada no último ato de campanha antes do segundo turno no sábado (24) e na comemoração da vitória do presidente no domingo (25).

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Lula resgata Hino da Independência em atos na Paulista em disputa por símbolos nacionais: 'para saberem que

No último ato de campanha antes do segundo turno e, no dia seguinte, na comemoração da vitória, o presidente Lula (PT) escolheu o mesmo símbolo para embalar dois momentos decisivos da eleição: o Hino da Independência do Brasil.

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Hino da Independência toca no último ato de Lula na avenida Paulista.

Diante de milhares de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula pediu que a música fosse tocada e, no domingo (25), explicou o motivo: queria que seus adversários soubessem que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

A escolha acontece em meio à disputa política em torno do significado do termo "soberania" e de símbolos nacionais, como a bandeira brasileira, o verde e amarelo e os hinos patrióticos, que ganharam força como marcas de identificação da extrema-direita nos últimos anos.

Ao recorrer ao Hino da Independência nos dois atos, Lula leva para o centro de sua celebração eleitoral uma referência à liberdade e à soberania do país.

🔎 Composto pelo Imperador D. Pedro I, em 1822, a letra do Hino da Independência foi escrita pelo poeta Evaristo da Veiga. A composição comemora a declaração de independência do país de Portugal e foi usada como hino nacional do Brasil até 1831.

No sábado (24), Lula desfilou em um trio elétrico pela Paulista ao lado da esposa, Janja, e de aliados políticos, entre eles os ex-ministros Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet.

A campanha e o próprio presidente descreveram o ato como um dos maiores já realizados na avenida. No auge do ato, 14 dos 18 quarteirões estavam ocupados por manifestantes.

Quando o Hino da Independência começou a tocar, uma pequena parcela do público pareceu estranhar a escolha. Algumas pessoas se entreolharam, mas a reação rapidamente mudou à medida que o refrão avançou.

No domingo (25), durante o discurso em que celebrou a vitória no segundo turno, Lula pediu que o hino fosse tocado novamente. “Ontem eu fiquei emocionado, e eu quero pedir para outra vez tocar o Hino da Independência.

Para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, afirmou.

Veja a íntegra do discurso de Lula após reeleição.

O significado de soberania também virou alvo de disputa política durante a campanha eleitoral. De um lado, Lula associa o tema à autonomia do Brasil diante de pressões de outros países.

Do outro, o adversário Flávio Bolsonaro (PL) usou o termo para falar de segurança pública, segundo a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de graduação em Sociologia e Política da FESPSP.

Já a extrema-direita, segundo a cientista política, apresentou outra leitura do conceito durante a campanha. Ela cita as declarações de Flávio Bolsonaro, que associou soberania ao direito de andar pelas ruas em segurança.

Nesse cenário, o Hino da Independência ajuda a conectar o discurso de Lula à ideia de autonomia nacional, avalia a cientista política. Para ela, o refrão conhecido e direto dá força à mensagem.

Tathiana também vê a disputa pelos símbolos nacionais como parte do debate democrático. Para ela, bandeira, cores e referências patrióticas não devem ser tratados como propriedade de um único campo político.

Histórico de disputas e nacionalismo.

A associação entre símbolos nacionais, como os hinos patrióticos, a bandeira brasileira, a camisa da Seleção e as cores verde e amarelo, e a extrema-direita antecede a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Segundo a cientista política Tathiana Chicarino, essa disputa ganhou força nas manifestações de 2013 e nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2015 e 2016, e se consolidou com a eleição de Bolsonaro, em 2018.

Para a pesquisadora, a associação entre as cores e campos políticos também reflete uma polarização que vai além das diferenças partidárias.

Com Bolsonaro, esses símbolos se consolidaram como marcas de identificação do bolsonarismo. Durante a campanha presidencial de 2026, apoiadores de Lula também tentaram reivindicar as cores nacionais.

A iniciativa é um exemplo da tentativa de romper a associação automática entre as cores nacionais e um único campo político. Tathiana cita movimentos desse tipo ao avaliar que a disputa pode fazer com que mais pessoas se sintam à vontade para usar esses símbolos sem serem identificadas com determinada posição política.

A cientista política também diferencia duas formas de nacionalismo: uma excludente, que delimita quem pertence ou não à comunidade nacional, e outra inclusiva, capaz de reunir pessoas com identidades e diferenças diversas.

Em contraposição, ela descreve um nacionalismo que não exige uniformidade para criar um sentimento de pertencimento ao país.

Para Tathiana, essa ideia permite compartilhar referências nacionais sem apagar as diferenças entre os brasileiros. “Eu posso ter esse nacionalismo que é inclusivo, que é diferente, é diverso, é regionalizado.

Mas, ao mesmo tempo, a gente consegue perceber algo que nos une.”.

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