As escolas são pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes. Ao menos, é nisso que acreditam 7 em cada 10 brasileiros (73,%), de acordo com um novo recorte da pesquisa Infinis/Quaest divulgado nesta quarta-feira (30).
- 23% falam em maior participação das famílias nas escolas.
- 23% citam professores [capacitados] para identificar violência.
- 19% falam em parceria com Conselho Tutelar, saúde e Assistência Social.
- 17% pedem psicólogos e apoio na escola.
- 12% citam ações de prevenção e orientação sobre violência.
- outros 6% falam em outras alternativas, não sabem ou não responderam.
Somente 26% dos brasileiros consideram a escola um ambiente seguro.
O dado é da pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes", realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, que divulgam hoje um novo recorte do levantamento.
No primeiro recorte, a pesquisa revelou que, apesar da maioria dos brasileiros considerarem que o diálogo é a melhor forma de educar crianças, práticas violentas seguem presentes no cotidiano.
Agora, o levantamento detalha qual a percepção dos brasileiros sobre o papel da escola na proteção das crianças.
A pesquisa observa atitudes e percepções em relação à infância e à violência contra crianças e adolescentes. O levantamento ouviu 2. 202 brasileiros com 18 anos ou mais em 128 municípios entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.
Brasileiros ‘confiam pouco’ nas escolas.
Quando considerando quais instituições os brasileiros mais confiam para garantir a proteção de crianças e adolescentes, as escolas aparecem quase no fim da lista entre as que “confiam muito”, ficando acima apenas de abrigo e ONGs.
Psicólogos, Polícia e Conselho Tutelar são as instituições com maior faixa de ampla confiabilidade.
Em contrapartida, as escolas aparecem em destaque no recorte de “confiam pouco”. Ou seja, apenas 30% dos brasileiros afirmam confiar muito nas instituições de ensino, enquanto 55% confiam pouco e 14% não confiam.
Em 2021, 55% dos brasileiros confiavam totalmente nas escolas (faixa de avaliação mais alta da ocasião). Em 2026, a faixa mais alta foi “confia muito”, e ficou em apenas 30%.
Não consideram a escola um lugar seguro.
Entre os pais e mães com filhos em idade escolar matriculados na rede pública, a faixa de insegurança é mais alta (72%) do que entre pais e mães com filhos na rede privada (59%).
👉🏾 Mas por que a escola não está sendo considerada como um local seguro.
O principal motivo citado pelos brasileiros para não considerarem a escola como um lugar seguro é a violência entre alunos (70%).
Violência de profissionais da escola contra alunos (8%) e ambos (18%) também aparecem como motivos. 4% não sabe ou não respondeu.
Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os dados desenham um um alerta importante sobre como a escola é vista no país.
Quando perguntados sobre o que poderia tornar as escolas mais seguras, os brasileiros se dividem sobre como a responsabilidade pode ser encarada.
Márcia Kalvon avalia que os dados são claros ao mostrar que, para os brasileirios, um ambiente escolar mais seguro demanda educadores preparados, família e comunidade escolar unidas e a criação de espaços de escuta para crianças e adolescentes.
Ela reforça que algumas políticas públicas existentes já indicam o caminho, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, e o Programa Saúde na Escola, que trabalha temas como cultura de paz e saúde mental.
Essas iniciativas podem oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes aprendam a lidar com conflitos e situações desafiadoras nas relações entre os próprios alunos.
Precisamos fortalecer essas políticas e avançar em uma atuação intersetorial, articulando educação, saúde, famílias e os demais integrantes da rede de proteção para enfrentar o cenário apontado pela pesquisa”, complementa.
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