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Economia

Localiza: depreciação e carros chineses são riscos, mas valuation está atrativo?

Banco vê recuperação gradual da relação entre preços de venda e compra de veículos, mas sem retorno aos níveis históricos

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Economia — imagem padrão

Ainda assim, o banco manteve recomendação de compra para a ação, destacando a recuperação gradual da relação entre os preços de venda e de compra dos veículos e a avaliação dos papéis.

Segundo os analistas Guilherme Mendes e Julia Orsi, a entrada e a expansão das montadoras chinesas estão tornando o mercado automotivo brasileiro mais competitivo, pressionando os preços de veículos novos e usados e elevando os riscos de depreciação para empresas de aluguel de carros.

Tenda (TEND3): bancos veem 3T mais fraco após maior rigor da Caixa e ações caem forte.

Visitas ao empreendimento Città Vila Prudente, do programa Pode Entrar, reforçaram as preocupações com o desempenho no período.

Natura (NATU3): JPMorgan corta recomendação a neutra e vê novo turnaround pela frente.

Na avaliação do banco, a conclusão do processo de simplificação da Natura, que incluiu a venda integral da Avon International fora da América Latina, reduziu riscos extremos para a tese, mas não o suficiente.

Um dos principais indicadores acompanhados pelo JPMorgan é a relação entre o preço de venda e o preço de compra dos veículos. Historicamente, essa relação ficou em cerca de 95% na divisão de aluguel de carros (RAC) e 80% na gestão e terceirização de frotas (GTF).

No RAC, porém, o indicador caiu para 77% em 2023 e se recuperou para 87% em 2025.

O JPMorgan espera uma recuperação gradual desse indicador à medida que a Localiza avance na renovação da frota e se aproxime da meta de idade média de 15 meses, ante cerca de 20 meses no segundo trimestre de 2026.

A maior participação das vendas no varejo da Seminovos também deve ajudar a melhorar a relação, embora o banco não espere um retorno completo aos níveis históricos.

A projeção do JPMorgan considera uma relação de 90,5% em 2027. Caso o indicador fique 1 ponto percentual abaixo desse nível, o banco estima um impacto negativo de 5% sobre sua projeção de lucro da Localiza para o ano.

A depreciação também permanece no radar. Segundo dados da Cox Automotive, os preços de veículos seminovos de até três anos acumulam queda mensal média de 0,57% em 2026, contra recuo de 0,20% nos veículos novos.

Na Localiza, a depreciação já supera 9% tanto no RAC quanto no GTF, acima dos níveis pré-pandemia de 4% e 8%, respectivamente.

Para o JPMorgan, uma expansão adicional das montadoras chinesas, especialmente caso avance para modelos de entrada, pode intensificar a competição por preços e pressionar ainda mais os valores dos veículos usados.

Cada aumento de 1 ponto percentual na depreciação tanto no RAC quanto no GTF implicaria, segundo o banco, uma redução de 9% em sua estimativa de lucro da Localiza para 2027.

Apesar desses riscos, o JPMorgan avalia que a ação está sendo negociada a 9,2 vezes o lucro estimado para 2027, dentro da faixa de 8 a 15 vezes observada após o último ciclo de depreciação e abaixo da média pré-pandemia de 25 vezes.

Para o banco, o ponto central não é apenas o aumento da depreciação, mas a capacidade da Localiza de repassar esse custo aos contratos e preservar o diferencial de retorno sobre o capital investido (ROIC) entre 5 e 8 pontos percentuais.

O JPMorgan projeta que esse diferencial chegue a 6,6 pontos percentuais em 2027.

O banco classifica a Localiza como uma empresa de alta qualidade e sensível aos juros e mantém a recomendação de compra para RENT3. Entre as empresas brasileiras cobertas pelo JPMorgan, a Motiva (MOTV3), também com recomendação de compra, continua sendo a principal escolha da instituição.

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