1. Faça como Biden e Kamala: prometa mais do mesmo, a continuidade de um governo mal avaliado. Exiba-se como candidato da ordem, do status quo, forjando alianças com o Centrão de Alcolumbre e Motta.
Na véspera do voto, despeje bondades, tratando os cidadãos como néscios: reajuste o Bolsa Família congelado há anos, isente as blusinhas taxadas em nome do equilíbrio concorrencial e proíba as bets acolhidas como fonte de arrecadação tributária.
2. "Gasto é vida". Governe sob o dístico de Dilma, insistindo no manual de política econômica lulista: gasto público, crédito e consumo. Amplie a dívida pública em dez pontos percentuais sobre o PIB.
Diante do efeito previsível, culpe o BC pela Selic estratosférica. Frente à explosão hemorrágica do endividamento familiar, aplique esparadrapos: expansão do consignado, infinitos programas Desenrola.
3. Aposte na politização do STF. Indique atores políticos: agentes do Executivo disfarçados por togas. Firme um pacto com o bloco de juízes alinhado a Alexandre de Moraes.
Decida governar sob a proteção deles, renunciando de antemão a alianças destinadas a eleger uma maioria parlamentar democrática. Na hora da crise, quando um holofote ilumina as teias que prendem o juiz redentor a Vorcaro, embarque na manobra de Gilmar e Dino: clame pela investigação de tudo e todos a fim de não investigar ninguém.
4. Encare Trump como ativo eleitoral, não como líder de uma superpotência que opera para converter a América Latina em esfera de influência. Fale sem parar em soberania nacional e, corretamente, qualifique seu rival como um estafeta da Casa Branca.
Mas rejeite qualquer ação retaliatória contra as tarifas arbitrárias impostas pela Casa Branca. Muita retórica, nenhum gesto prático: evite contrariar os interesses dos Joesleys.
5. Facções? Simule que carecemos de penas mais duras. Envie projetos de lei ao Congresso, imaginando que se combate um poder armado com palavras em documentos oficiais.
Não crie uma agência federal de combate às facções, coordenando ações financeiras, policiais, militares e judiciais destinadas a asfixiar o crime organizado. Diante do fracasso, alegue que a segurança pública é atribuição dos estados.
No fim, justificadamente, acuse a direita de promover a violência policial arbitrária e inútil – mas, aí, nunca use a palavra Bahia.
- Na "guerrilha digital", incentive o sectarismo da militância. Se alguém não orbita ao seu redor, marque – o com o rótulo "bolsonarista" – e corra para o abraço
Ah, já fez isso tudo? Deu no que deu? Culpe a "elite de 500 anos", a "classe média fascista", o "pobre de direita", a "imprensa entreguista". Esqueça que seu partido governou durante 18 dos últimos 24 anos.
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