Mais de 40 políticos franceses, incluindo candidatos à eleição presidencial no país, assinaram um texto no jornal Le Monde nesta quinta-feira (22) falando do risco do avanço da extrema direita no Brasil com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste domingo (25).
Os políticos comparam o momento brasileiro ao cenário francês, no qual a extrema direita lidera as intenções de voto para a Presidência na figura da candidata Marine Le Pen, do partido Reagrupamento Nacional.
No país europeu, o pleito ocorre em abril de 2027.
Não podemos permanecer indiferentes a essa perspectiva sombria, especialmente porque ela pode servir de trampolim para a marcha do Reagrupamento Nacional rumo ao poder na França em 2027.
As mesmas táticas de guerra cultural, retórica de segurança e desprezo pelos mecanismos de controle e equilíbrio de poder estão em jogo lá, e cada vitória da extrema direita no exterior normaliza essa perspectiva em nosso país.
Defender a democracia brasileira é também defender a nossa", diz o texto.
O documento reúne representantes de partidos de esquerda como o PS (Partido Socialista), o PCF (Partido Comunista Francês), a França Insubmissa e os Ecologistas.
Os subscreventes apontam para riscos às instituições democráticas que poderiam ocorrer no Brasil em caso de vitória de Flávio, com ameaças aos direitos fundamentais, de minorias e das políticas sociais.
O texto também defende que uma vitória do senador fortaleceria a extrema direita mundial, com vantagem para a influência de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na América Latina.
O cenário, aponta o documento, traria consequências nas relações internacionais, na relação comercial com a União Europeia e no combate às mudanças climáticas.
Os políticos chamaram de "terrível" o resultado de primeiro turno das eleições no Brasil, no qual Flávio esteve à frente de Lula (PT) com 47,03% dos votos, frente a 45,16% do petista.
Eles também citam o avanço do PL no Congresso e dizem que um mandato de Flávio seria ainda "mais preocupante" que o de Jair.
Caso chegue ao poder, seu filho terá uma margem de manobra que seu pai não teve: um Congresso amplamente favorável a ele e a possibilidade de atacar os últimos mecanismos de controle e equilíbrio que ainda resistiam ao Poder Executivo, em especial o Supremo Tribunal Federal", diz o texto.
Os políticos franceses também apontam que são previsíveis as consequências de um novo governo Bolsonaro, visto que Flávio já declarou suas intenções, como a de libertar o pai, condenado por uma tentativa de golpe de Estado e atualmente em prisão domiciliar.
A eleição de Bolsonaro Jr. acrescentaria mais um elo à cadeia de vitórias da extrema direita em todo o mundo", apontam os políticos.
Eles terminam convocando brasileiros a rejeitarem o "cenário sombrio" representado por Flávio Bolsonaro, direcionando-se especialmente para quem não votou no primeiro turno, incluindo brasileiros que estão na França, a comparecerem nas urnas e votarem em Lula.
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