A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura as circunstâncias da encenação em que um homem negro é acorrentado e carrega um homem branco durante ato pró-Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no último sábado (24), no Rio.
O caso aconteceu durante ato de apoiadores na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, na véspera da eleição de segundo turno. A manifestação fez parte da série de "Blocos do 22", convocada por aliados de Flávio como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Imagens da encenação viralizaram nas redes sociais, e o caso é investigado pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). Os envolvidos afirmam que a ideia era representar Lula (PT) como satanás.
A polícia identificou o homem branco que participou do ato como o empresário Carlos Eduardo Martins. A Folha tentou contato por meio de telefones de empresas vinculadas a ele, mas não conseguiu encontrá-lo.
O Ministério da Igualdade Racial publicou nota de repúdio no domingo (25) e enviou ofício ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio sobre o tema.
Cenas como essa, especialmente no contexto eleitoral, têm um significado ainda mais profundo sobre as marcas que nossa sociedade ainda carrega como consequência do período escravagista e como ele segue ferindo nossa nação", afirmou o ministério.
Após a repercussão das imagens, Martins e o homem negro que participou da encenação divulgaram vídeo em que, juntos, negam racismo. Eles afirmam que o caso era uma sátira.
O homem negro acorrentado carregava um tridente e uma máscara de uma representação do diabo.
A intenção era simplesmente uma sátira. Nas minhas redes sociais há muito anos chamo Lula de satanás, capiroto. A gente quis mostrar que o Lula era o satanás e que o Bolsonaro estava prendendo o Lula", afirmou Martins.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…