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Corumbá - MS | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 | 20:47

ULTRA CONECT
Política

As dúvidas que as urnas deixaram

A formidável vitória do presidente não apaga o fato de que quase 60 milhões preferiram um candidato extremista

2 min de leitura
Política — imagem padrão

O Brasil saiu das eleições presidenciais tão dividido quanto nelas entrou. Assim continuará? Depende muito do que acontecer com a extrema-direita e do que o governo e as forças democráticas fizerem para garantir a normalidade política.

É cedo para dizer o que será do extremismo depois de sua segunda derrota. Muito menos o que será de sua liderança, com Bolsonaro-pai na cadeia e o filho-herdeiro acoitado por Trump.

O Bolsonarismo continuará sendo seu sinônimo ou outros líderes lhe darão novo nome e sobrevida? Neste caso, manterão os ultra a capacidade de aglutinar o vasto campo das direitas nas disputas pelo Palácio do Planalto.

A formidável vitória do presidente Lula não apaga o fato de que cerca de 60 milhões de eleitores preferiram um candidato de retórica extremista, cujas ideias eram tão desconhecidas quanto sabidas eram suas relações com o mundo do crime carioca e com o afamado Daniel Vorcaro —já não bastasse a forma pouco ortodoxa mediante a qual ele fez fortuna e acumulou patrimônio.

Como em 2022, a polarização política não resultou só da regra eleitoral que no segundo turno força o eleitor a optar entre dois concorrentes. Então, como agora, já na primeira volta as preferências dos cidadãos se concentraram em dois polos situados a grande distância ideológica e programática —um deles nas mãos da ultra, o outro ocupado pela esquerda democrática e moderada.

A competição eleitoral naturalmente radicaliza as diferenças entre os contendores. Ainda mais quando um deles, seguindo o roteiro da extrema destra, ativa medos e ressentimentos nas ruas e nas redes, estimulando o oponente a fazer o mesmo.

Difícil imaginar que o "Exército do Lula" pudesse ter a mesma força, não tivesse mobilizado o temor real de milhões de pessoas ao retorno do bolsonarismo à Presidência.

Em números

  • A formidável vitória do presidente Lula não apaga o fato de que cerca de 60 milhões de eleitores preferiram um candidato de retórica

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