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Quem são os grandes vencedores e perdedores das eleições americanas

Democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso e venceram disputas importantes nos Estados, enquanto Donald Trump, republicanos e aliados enfren

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CarregandoCarregandoO Partido Democrata teve uma noite de vitórias nas eleições de meio de mandato de 2026.

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  29. Fazer loginBBC News, Vá para o conteúdo Seções Eleições nos EUA 2026Quem são os grandes vencedores e perdedores das eleições americanasCrédito, ReutersLegenda da foto, A ex-prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, conquistou uma vitória histórica na disputa pelo governo do Estado da GeórgiaArticle Information.
  30. Published 4 novembro 2026, 08:13 -03Atualizado Há 6 minutos.

Além de recuperar o controle das duas casas do Congresso, o partido conseguiu vencer disputas importantes por cargos estaduais, como governos e prefeituras, em estados que votavam nos republicanos havia décadas.

Analistas nos Estados Unidos concordaram que o resultado representa uma manifestação de rejeição da população a diferentes políticas do governo de Donald Trump e ao aparente desinteresse do Partido Republicano em exercer o controle político.

Entre os derrotados estão políticos que perderam cargos importantes, figuras que investiram grandes quantias para apoiar candidatos do partido e o próprio Partido Republicano, que terá de lidar com uma oposição fortalecida no Congresso.

Os preços dos combustíveis, em especial, impulsionados pela guerra no Irã, enfureceram eleitores, que em muitos lugares decidiram apoiar em massa candidatos democratas na tentativa de mudar o cenário econômico.

O resultado também trouxe mudanças históricas: a eleição de um senador democrata no Estado republicano do Kansas pela primeira vez desde 1932, a eleição da primeira mulher negra para o governo da Geórgia e a chegada da primeira governadora latina ao Texas.

A BBC faz um balanço das vitórias democratas mais marcantes da noite e também dos principais perdedores.

Uma das disputas mais importantes foi por uma cadeira no Senado pelo Texas, vencida pelo democrata James Talarico, de 37 anos.

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Com a vitória, Talarico se tornou o primeiro democrata a conquistar uma cadeira na Câmara Alta pelo Estado desde 1988.

Ainda nas primárias democratas, o deputado estadual derrotou uma adversária bastante conhecida: a deputada federal por Dallas Jasmine Crockett.

Desde que conquistou a indicação do partido, manteve a liderança nas pesquisas, apesar de uma intensa ofensiva de anúncios negativos contra sua candidatura. Grande parte dessa campanha foi financiada pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk, cuja empresa, a SpaceX, tem sede no Texas.

Neto de um pastor, Talarico passou um período no seminário e usou seus conhecimentos da Bíblia em seus discursos, fazendo frequentes referências ao confronto entre Davi e Golias.

Estamos enfrentando nossos próprios Golias", disse em um de seus eventos de campanha, em Lubbock. "Aos bilionários que fazem grandes doações, aos interesses corporativos específicos e a todo o establishment de Washington: o poder de vocês é real, mas o nosso também é.

No passado, a força dos democratas no Texas já foi superestimada. Em 2018, o deputado federal Beto O'Rourke bateu recordes de arrecadação de campanha, atraiu grande atenção nacional e, por fim, perdeu para o senador texano Ted Cruz por pouco mais de dois pontos percentuais.

O senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o candidato republicano Mike Collins na Geórgia, consolidando o controle democrata nesse Estado-chave.

Ossoff, uma das figuras em ascensão no Partido Democrata, apresentou seu adversário como aliado de um "presidente fracassado" e fez do aumento do custo de vida um dos temas centrais de sua campanha.

Durante a campanha, o republicano Collins responsabilizou o ex-presidente Joe Biden pelo aumento do custo de vida e defendeu seu apoio à guerra de Trump no Irã.

Diante de pesquisas que indicavam uma vantagem confortável de Ossoff na disputa, os republicanos transferiram recursos da Geórgia para outras eleições.

Brian Kemp, governador republicano da Geórgia, que não podia concorrer à reeleição, era o favorito para enfrentar Ossoff na disputa pelo Senado, mas recusou o convite.

Analistas políticos suspeitam que Kemp evitou entrar na disputa por receio da crescente projeção nacional de Ossoff, que, segundo rumores, estaria considerando uma candidatura à Presidência em 2028.

Ao longo da campanha, Ossoff minimizou essas especulações e afirmou repetidamente que não tem "nenhum interesse" em concorrer à Presidência.

Sua mensagem eleitoral foi centrada na economia e nas preocupações dos eleitores com o custo de vida, apontado pelas pesquisas de boca de urna como a principal questão para muitos deles.

Keisha Lance Bottom - Governadora, Geórgia.

A ex-prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, conquistou uma vitória histórica na disputa pelo governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um Estado na história dos Estados Unidos.

Além disso, Lance Bottoms devolveu ao Partido Democrata um governo estadual que estava sob controle republicano desde 2003.

Sua adversário era o empresário do setor de saúde Rick Jackson, que contava com o apoio do presidente Trump.

Durante a campanha, Lance Bottoms concentrou seu discurso na economia, destacando os preços elevados em meio ao conflito com o Irã. Ela também associou seu adversário à construção de centros de dados e ao governo Trump.

De todo modo, a expectativa é que o mandato não seja fácil, já que as duas casas da Assembleia Legislativa estadual permanecem sob amplo controle republicano.

Na reta final da campanha, ela recebeu o apoio de grandes nomes do partido, como o ex-presidente Barack Obama, que visitou o Estado para acompanhá-la em um evento de campanha.

Gina Hinojosa não apenas se tornou a primeira governadora latina do Texas, como também chegou ao cargo derrotando o governador republicano Greg Abbott, que estava havia mais de dez anos no poder.

Com isso, devolveu o governo estadual aos democratas pela primeira vez desde 1994.

Filha de uma imigrante mexicana, Hinojosa cresceu na fronteira entre os dois países, em Brownsville. Durante a campanha, disse que só sentiu o chamado para entrar na política em 2012, quando foi anunciado o fechamento da escola primária de seu filho.

Foi então que decidiu se candidatar a uma vaga no conselho escolar, do qual acabou se tornando presidente.

Em 2016, foi eleita para a Câmara dos Representantes do Texas. Quando anunciou sua candidatura ao governo do Estado, era vista como uma candidata de pouca expressão.

Hinojosa baseou suas propostas na promessa de reduzir os preços e nas críticas à estratégia migratória do governo Trump.

Sua campanha ganhou força impulsionada pela candidatura de James Talarico, agora senador eleito.

Após essa jornada histórica, os dois se tornaram os rostos mais visíveis da onda democrata não apenas no Texas, mas em todo o país.

Desde 1932, o Estado do Kansas não elegia um senador do Partido Democrata. Em 2024, Trump venceu no Estado com uma vantagem de 14 pontos percentuais.

Agora, o pastor de uma das maiores congregações religiosas do país, Adam Hamilton, torna-se o primeiro senador democrata pelo Kansas em 94 anos.

Ele derrotou o senador Roger Marshall — que mantém estreita aliança com Trump — e afirmou ser o único candidato capaz de superar a divisão política.

Hamilton criticou duramente seu adversário pelo aumento dos preços, agravado pela guerra tarifária iniciada por Trump, além da alta nos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã.

Crédito, Salwan Georges/Getty Images.

Abdul El-Sayed se tornou a primeira pessoa muçulmana eleita para o Senado dos Estados Unidos, após ser declarado vencedor no Michigan, em uma das disputas mais acirradas da eleição.

Sua vitória garante que a cadeira permaneça nas mãos dos democratas.

El-Sayed derrotou seu adversário republicano, Mike Rogers, que recebeu apoio inesperado de última hora da rival democrata que havia enfrentado El-Sayed nas eleições primárias.

A disputa foi uma das mais acirradas das eleições de meio de mandato. Trump fez referências aos atentados de 11 de setembro e chegou a chamar El-Sayed de "jihadista", sem apresentar qualquer prova, o que provocou uma forte reação contrária e acusações de islamofobia.

Os apoiadores de El-Sayed foram ao delírio quando ele subiu ao palco para comemorar a vitória, relata Nada Tawfik, da BBC.

El-Sayed, de 41 anos e filho de imigrantes egípcios, representa o que muitos consideram a ala mais à esquerda do partido. Ele já manifestou apoio a pautas como a criação de um sistema público de saúde e a abolição do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

Também defendeu o fim da ajuda militar dos Estados Unidos a Israel sem condições e conta com o apoio de nomes conhecidos do movimento dos socialistas democráticos, como o senador por Vermont Bernie Sanders e a deputada federal por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez.

Trump transformou a eleição em um teste de aprovação de seu governo e chegou a pedir que os eleitores votassem como se ele próprio estivesse na cédula. O resultado representa um revés para o presidente e para sua agenda política.

Com os democratas no comando das duas Casas do Congresso, Trump terá mais dificuldades para aprovar projetos de lei sem negociar com o partido rival. A nova maioria também poderá ampliar a fiscalização do Executivo, conduzir investigações parlamentares e bloquear indicações do presidente para o gabinete e a Suprema Corte.

A mudança não significa que os democratas terão liberdade para aprovar grandes medidas: para avançar em projetos importantes, ainda precisarão lidar com o poder de veto presidencial e com a necessidade de negociar com Trump.

Mas a derrota republicana altera o equilíbrio de forças em Washington nos próximos dois anos.

Os republicanos perderam o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado, que passarão a ser comandados pelos democratas a partir de janeiro. A mudança deixa o partido sem a maioria que tinha nas duas Casas e altera a relação de forças em Washington.

Na Câmara, com 384 das 435 disputas contabilizadas até às 20h de quarta-feira (4/11), os democratas já haviam conquistado 237 cadeiras, contra 147 dos republicanos, com dezenas de disputas ainda sem resultado definido.

No Senado, os republicanos também perderam a maioria — passaram de 53 para 44 cadeiras — embora algumas corridas ainda aguardem a conclusão da apuração.

O partido também sofreu derrotas em Estados tradicionalmente conservadores. No Texas, os democratas conquistaram uma cadeira no Senado e venceram a disputa pelo governo estadual.

No Kansas, Adam Hamilton se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo Estado desde 1932.

O bilionário investiu centenas de milhões de dólares para apoiar candidatos republicanos nas eleições, mas alguns dos nomes que receberam seu respaldo financeiro perderam disputas importantes.

Um exemplo foi a corrida pelo Senado no Texas. Grande parte dos anúncios negativos contra o democrata James Talarico, que venceu a eleição, foi financiada por Musk.

O empresário tem uma ligação direta com o Estado: a SpaceX, uma de suas empresas, tem sede no Texas.

O resultado representa um revés para a tentativa de Musk de influenciar a política americana por meio de grandes investimentos eleitorais.

O procurador-geral republicano do Texas perdeu a disputa pelo Senado para o democrata James Talarico. A derrota é especialmente simbólica porque o Texas é um dos principais redutos republicanos do país.

Paxton tinha o apoio de Trump, que participou de eventos de campanha ao lado dele, mas chegou à disputa marcado por controvérsias e escândalos políticos.

Em 2023, foi alvo de um processo de impeachment conduzido por integrantes do próprio Partido Republicano, por suspeitas de corrupção, suborno e abuso de poder.

Paxton negou as acusações e acabou absolvido pelo Senado estadual, chamando o impeachment de uma "farsa politicamente motivada desde o início.

Collins, de 73 anos, começou sua carreira política logo após se formar na faculdade, na década de 1970, e chegou ao Senado dos EUA em 1997.

Ela era uma das figuras mais experientes do Senado e uma das poucas republicanas a conseguir se eleger repetidamente em um Estado de tendência democrata.

Collins vinha consistentemente superado o desempenho de seu partido neste estado de tendência democrata, em parte por se apresentar como uma rebelde.

Nessas eleições, contudo, perdeu a tentativa de conquistar um sexto mandato no Maine para o democrata Troy Jackson. Sua derrota encerra quase 30 anos de trajetória na Casa.

Ela foi uma das poucas senadoras republicanas que votaram pela condenação de Trump durante seu processo de impeachment, em 2021.

O republicano Greg Abbott perdeu a disputa pelo governo do Texas para a democrata Gina Hinojosa. A vitória encerra um longo período de domínio republicano no Estado: um democrata não conquistava o cargo desde a década de 1990.

Abbott era um dos governadores mais conhecidos dos Estados Unidos e um aliado de longa data de Trump. Sua derrota foi especialmente simbólica porque o presidente venceu o Texas com facilidade na eleição de 2024.

Ele também tinha uma estrutura de campanha robusta e uma vantagem financeira expressiva.

Hinojosa, que se tornou a primeira mulher latina eleita para governar o Estado, fez campanha com foco no custo de vida e nas políticas de imigração do governo Trump.

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