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Política

Alimentação da mãe durante amamentação influencia no peso do bebê

Estudo com lactantes investigou o consumo de cuscuz de milho durante o aleitamento exclusivo e observou impactos no crescimento.

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A alimentação da mãe durante a amamentação pode influenciar não só sua recuperação pós-parto, mas também a qualidade do leite materno e até o ganho de peso do bebê.

Estudo com lactantes investigou o consumo de cuscuz de milho durante o aleitamento exclusivo e observou impactos no crescimento.

Embora a sucção frequente continue sendo o principal estímulo para a produção de leite, uma dieta equilibrada, rica em nutrientes e calorias adequadas, ajuda o organismo materno a sustentar esse processo.

Para entender essa relação, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará em Sobral acompanharam 30 mulheres em aleitamento materno exclusivo, com bebês saudáveis, nascidos a termo e com idade de 30 a 120 dias.

Publicado no Journal of Tropical Pediatrics, o trabalho tinha como objetivo investigar os impactos do consumo de cuscuz de milho, alimento tradicional da culinária das regiões Norte e Nordeste, durante o período de amamentação.

A ideia partiu da observação clínica por parte dos pesquisadores. “Na prática pediátrica, era muito comum mães relatarem aumento na produção de leite quando consumiam cuscuz.

Então surgiu a inquietação de provar esse fato à luz da ciência”, disse o pediatra Francisco Plácido Arcanjo, professor titular da UFC em Sobral e um dos autores do estudo.

Como não era possível medir diretamente a quantidade de leite produzida, a equipe avaliou o principal resultado da amamentação: o ganho de peso dos bebês.

As voluntárias foram divididas em 2 grupos de 15 mulheres. Para garantir que todas consumissem a mesma quantidade do alimento, a equipe forneceu cuscuzeiras e porções individuais diárias de cuscuz.

No 1º grupo, as mães ingeriram 70 g diariamente, durante 20 dias, e depois passaram outros 20 dias sem consumir o produto de milho. O 2º grupo fez o caminho inverso: começou o estudo sem o alimento e passou a consumi-lo após os primeiros 20 dias.

Os bebês foram pesados antes do início da intervenção, após o período com consumo diário de cuscuz e ao fim da fase sem o alimento.

Os resultados mostraram que os bebês das mães que consumiram 70 g de cuscuz diariamente ganharam, em média, 33,7 g por dia (cerca de 1 kg por mês). Já no período em que essas mesmas mulheres não ingeriram o alimento, o ganho médio foi de 24,6 g diárias, cerca de 738 g no mês.

A diferença representa um aumento de 37% no ganho de peso dos pequenos.

Além do acompanhamento do peso das crianças, os pesquisadores também perguntaram às mães sobre a percepção em relação à produção de leite: 60% delas afirmaram que o leite “aumentou muito” durante o consumo de cuscuz, enquanto 33% relataram aumento moderado.

Embora o corpo tenha mecanismos eficientes para preservar a lactação diante de uma alimentação insuficiente, o que a mulher coloca no prato importa. Dietas muito restritivas, jejuns prolongados, desidratação e baixa ingestão calórica podem comprometer o bem-estar materno e dificultar a manutenção da amamentação ao longo do tempo.

Além do volume, a dieta da mãe também influencia a composição nutricional do leite oferecido ao bebê. Proteína, ferro, cálcio, vitamina B12, vitamina D e ômega-3 estão entre os nutrientes mais importantes nessa fase.

E isso pode explicar os resultados do estudo cearense com o cuscuz. Rico em carboidratos, ele pode ter funcionado como fonte adicional de energia para mães com ingestão calórica insuficiente.

Os possíveis mecanismos biológicos envolvidos na dieta materna e na produção de leite ainda são desconhecidos. Entre os alimentos já associados a um possível estímulo da lactação estão aveia, sementes, vegetais verde-escuros e castanhas, além de boa ingestão hídrica.

Em diferentes culturas também existem relatos envolvendo feno-grego, cevada e erva-doce.

Mas nada de consumir esses ingredientes em excesso e por conta própria. “Não existe um alimento milagroso para aumentar o leite materno e nenhum alimento substitui a sucção frequente do bebê”, disse Negrini.

Entre os hábitos que podem atrapalhar a amamentação estão: consumo excessivo de ultraprocessados, consumo exagerado de álcool, dietas radicais e excesso de cafeína, que em alguns casos pode deixar o bebê mais irritado e alterar o sono.

Apesar dos resultados promissores envolvendo o cuscuz, uma alimentação equilibrada e variada, associada a descanso, hidratação e apoio adequado à amamentação, continua sendo a melhor estratégia para sustentar a produção de leite e a saúde do bebê.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein, em 23 de agosto de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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