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Corumbá - MS | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 | 21:41

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Polícia

Do 'clã' Haidar a delegado: os 29 alvos suspeitos de esquema internacional de cocaína com ajuda da polícia

Lista inclui delegado da Polícia Civil, preso desde setembro, e integrantes de núcleo familiar apontado pela PF como liderança da organização criminosa.

6 min de leitura
Do 'clã' Haidar a delegado: os 29 alvos suspeitos de esquema internacional de cocaína com ajuda da polícia

Grupo ligado ao PCC e PGC é alvo de operação em MS que investiga participação de policiais.

  • PF sequestra haras, fazendas, carros de luxo e mansões de meio bilhão de grupo suspeito de tráfico internacional.
  • 3 medidas de monitoramento eletrônico.
  • afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.
  • Uma mansão de alto padrão no condomínio Alphaville, em Campo Grande.
  • Pelo menos R$ 15 milhões obtidos, segundo a investigação, com a venda da cocaína desviada.
  • Delegado de elite' que combatia tráfico é preso suspeito de desviar cocaína usando cargo em MS.
  • Infiltrados: delegado e outros 7 policiais são afastados após prisões em operação que investiga desvio de cocaína em MS.

A Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4), colocou 29 pessoas na mira de uma investigação sobre um esquema milionário de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e desvio de cocaína apreendida pela polícia.

Foram 25 mandados de prisão preventiva e uma prisão temporária, além de 3 medidas de monitoramento eletrônico. Entre os principais alvos da investigação estão integrantes da família Haidar, que atua na região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa tinha um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. Um haras de luxo, seis fazendas com mais de 5 mil hectares, mansões, carros de luxo, lanchas e cavalos de raça estão entre os bens atingidos pela operação.

Confira quem são os 29 alvos da Operação Ifrit.

Alvo da operação foi condenado por homicídio.

Em janeiro de 2025, Maroan Fernandes Haidar Ahmed, um dos alvos da operação desta quarta-feira, foi condenado pela Justiça de Mato Grosso a 21 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de Fábio Batista de Jesus.

O crime ocorreu em 3 de dezembro de 2018, em um posto de combustíveis e em 2019, quando ainda estava foragido, ele chegou a integrar a lista de mais procurados procurados da Interpol.

Na ocasião do julgamento, contudo, Maroan já estava detido na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Delegado é suspeito de desviar duas toneladas de cocaína.

Segundo a PF, ele é suspeito de participar do desvio de aproximadamente duas toneladas de cocaína da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), em Campo Grande.

Em nota, a defesa de Hoffman informou que aguarda acesso aos autos do processo. Confira o posicionamento completo ao final da reportagem.

Já a defesa do policial civil Douglas Tobias, também preso em setembro, informou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão, mas ainda não teve acesso à decisão judicial nem ao conteúdo do inquérito.

Em nota, o advogado Luiz Renê afirmou que Douglas está à disposição para prestar esclarecimentos.

De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça", declarou.

O g1 ainda não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados. O espaço segue aberto.

O g1 também tentou contato com a Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), mas não obteve retorno.

Núcleo familiar atuava na fronteira.

Segundo as investigações da Polícia Federal, a principal área de atuação da organização criminosa era a região de fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

O grupo também mantinha atividades em outros estados e rotas internacionais de tráfico. As drogas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai e enviadas para diferentes cidades brasileiras e países da Europa, principalmente Espanha e Portugal.

O grupo teria ligação com o PCC e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

A operação cumpriu mandados em sete estados: Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.

As investigações apontam ainda que a organização utilizava armamento pesado e violência para controlar territórios. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão sequestros, torturas, atentados e homicídios.

Cocaína de baixa pureza era usada para substituir droga apreendida.

Para evitar que os desvios fossem descobertos, o grupo teria desenvolvido um método para substituir a cocaína retirada por outra de qualidade muito inferior. A droga original, com alto grau de pureza, era trocada por uma mistura adulterada, com cerca de 10% ou menos de cocaína, segundo a PF.

Conforme a Polícia Federal, o delegado Hoffman teria facilitado a entrada de integrantes da organização criminosa na Denar e no depósito onde ficavam armazenadas drogas apreendidas por forças de segurança, como Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal.

A investigação aponta que, em diferentes ocasiões, a cocaína de maior qualidade era retirada do estoque e comercializada pelo grupo. Para que a diferença não fosse percebida, os criminosos colocavam no lugar uma versão adulterada.

Segundo a PF, a mistura continha substâncias como amido de milho, aglutinantes e fermento. O grupo também teria reproduzido a identificação visual das embalagens originais e realizado testes para que a droga substituta apresentasse reação semelhante à cocaína em exames preliminares.

Com isso, a cocaína adulterada era colocada no lugar do entorpecente apreendido. Depois, o material substituído era encaminhado para destruição, conforme a investigação, pelo próprio delegado.

A PF afirma ter encontrado conversas, vídeos e imagens que mostram integrantes da organização manipulando a droga e entrando nas dependências da Denar.

A estratégia teria explorado uma falha no controle do estoque: segundo os investigadores, não havia fiscalização rigorosa sobre o grau de pureza da cocaína armazenada.

A identificação feita pelos órgãos responsáveis verificava a presença da substância, mas não permitia acompanhar com precisão sua concentração.

Delegado teria acumulado mansão, fazenda e milhões de reais.

Além do dinheiro, a PF aponta que o delegado acumulou patrimônio incompatível com a origem dos recursos investigados, incluindo.

Policiais facilitavam acesso à droga e repassavam informações.

A PF identificou a participação de policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e de um policial rodoviário federal de Mato Grosso. Segundo a investigação, os servidores recebiam dinheiro ou bens em troca de informações sigilosas sobre rivais da organização.

Os agentes também são suspeitos de ajudar o grupo a ter acesso a drogas apreendidas e armazenadas em unidades policiais. As informações repassadas de dentro das corporações eram usadas para acompanhar movimentos de pessoas, veículos e locais de interesse dos criminosos.

O que diz a defesa do delegado na íntegra.

Em números

  • Um haras de luxo, seis fazendas com mais de 5 mil hectares, mansões, carros de luxo, lanchas e cava

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