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Melhor investimento de renda fixa paga 3,15% em 1 mês; onde aplicar agora?

Títulos públicos atrelados à inflação lideraram em setembro, enquanto debêntures incentivadas ficaram na lanterna

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Setembro foi o mês dos títulos públicos atrelados à inflação na renda fixa. O IMA-B, índice da Anbima que acompanha a carteira de títulos do Tesouro IPCA+, subiu 3,15% no mês, o melhor resultado entre os principais índices do mercado.

Na outra ponta, as debêntures incentivadas renderam apenas 0,41%, segundo o IDA-IPCA Infraestrutura. Esses títulos de dívida de empresas são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

A diferença entre o primeiro e o último colocado chegou a 2,74 pontos percentuais em um único mês. No acumulado do ano, o contraste é ainda maior. As debêntures atreladas ao IPCA sem benefício fiscal, medidas pelo IDA-IPCA ex-Infraestrutura, acumulam alta de 11,20%, contra 4,17% das incentivadas.

O que explica a valorização do Tesouro IPCA.

O desempenho dos títulos do Tesouro IPCA+, chamados no mercado de NTN-Bs, se explica principalmente pela queda das taxas de juros negociadas no mercado. Quando essas taxas recuam, o preço dos títulos que já estão em carteira sobe.

Para Almeida, o comportamento das projeções de inflação reforça esse diagnóstico. A inflação implícita de dez anos, que indica quanto de inflação o mercado embute nos preços dos títulos, caiu de cerca de 6,16% para 5,98%.

No mesmo período, as taxas dos contratos de DI futuro, referência para os juros prefixados, recuaram quase 60 pontos-base, e as das NTN-Bs, 38 pontos-base. Na leitura dele, o mercado reduziu a compensação extra que vinha cobrando pelo risco de inflação, em vez de aumentá-la.

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Embora a queda das taxas tenha sido mais intensa nos prazos intermediários, o maior retorno ficou com os títulos mais longos. Isso acontece porque, quanto mais longo o papel, mais o preço reage a cada variação de taxa.

O IMA-B 5+, que reúne as NTN-Bs com vencimento acima de cinco anos, subiu 3,82% no mês. Já o IMA-B 5, com os papéis de até cinco anos, avançou 2%. Lauro Sawamura Kubo, gestor da Patagonia Capital, avalia que a queda das taxas atingiu todos os prazos, com ganho maior nos mais longos justamente por esse efeito.

Para João Debom, sócio da Supernova Investimentos, o ponto de partida já era favorável. “A gente entrou em setembro com as NTN-Bs pagando um juro real que, olhando a história, é absurdo, porque o mercado vinha cobrando caro pelo risco fiscal e pela eleição”, diz.

Diferentemente de Almeida, ele vê papel também para a inflação. Segundo Debom, um corte de juros sem surpresas, os sinais de desaceleração da atividade econômica e uma inflação de serviços mais comportada bastaram para que parte desse prêmio, o juro extra cobrado pelos riscos, fosse devolvida.

Simulação mostra se vale a pena vender agora.

O IRF-M, índice da Anbima que acompanha os títulos prefixados do Tesouro, havia fechado agosto como o pior do mês, com 1,04%. Em setembro, saltou para 2,09%, e a explicação está na forma como as taxas se moveram em cada prazo.

Almeida explica que, em agosto, as taxas caíram apenas nos prazos curtos, com recuo de 21 pontos-base nos papéis de seis meses e de 13 pontos-base nos de um ano.

Nos prazos de dois a cinco anos, porém, as taxas subiram entre 9 e 13 pontos-base, o que anulou o ganho. Em setembro, a queda foi generalizada e mais forte nos prazos longos, chegando a cerca de 60 pontos-base entre sete e 15 anos.

Enquanto isso, a taxa de um ano cedeu só 18 pontos-base.

Debom faz uma leitura parcialmente diferente. “Nos prefixados, a mudança foi de humor, não de fundamento”, diz. Ao contrário do head da Suno, porém, ele avalia que houve também uma revisão das expectativas para a Selic.

Em agosto, havia dúvida sobre o ritmo dos cortes de juros, e em setembro o mercado passou a projetar que a taxa encerrará o ciclo em um patamar mais baixo do que se imaginava.

Kubo acrescenta que o cenário eleitoral também pesou. Parte do mercado passou a incorporar aos preços a possibilidade de maior controle das contas públicas à frente.

Histórico é de vitória apertada sobre o CDI.

Por que as incentivadas ficaram para trás.

A diferença de sete pontos percentuais no ano entre debêntures incentivadas e não incentivadas chama atenção. Ainda assim, segundo os especialistas, ela não indica maior risco de calote das empresas emissoras.

Almeida atribui o resultado ao aumento do spread, que é a taxa adicional paga pelas debêntures em relação aos títulos públicos de prazo semelhante. O efeito foi amplificado pelo prazo longo desses papéis.

Em fevereiro, as incentivadas pagavam cerca de 65 pontos-base a menos que as NTN-Bs de referência, e no fim de setembro passaram a pagar 35 pontos-base a mais. A diferença subiu 100 pontos-base no ano, dos quais 30 apenas em setembro.

Debom chama atenção para o preço pago pelos investidores. “A incentivada passou anos sendo disputada pela isenção de IR. Os spreads ficaram tão apertados que teve papel pagando menos que a NTN-B do mesmo prazo”, diz.

Para ele, o benefício fiscal não é retorno, e muita gente pagou caro demais para não pagar imposto. Kubo aponta um fator adicional, as discussões recentes sobre a tributação de investimentos hoje isentos para pessoas físicas, que teriam reduzido a procura pela classe.

Ainda dá tempo de investir no Tesouro IPCA.

Almeida reconhece que parte do ganho com a valorização dos títulos já ficou para trás. Mesmo assim, avalia que o retorno para quem mantém o papel até o vencimento segue alto.

Segundo ele, em apenas 15% dos períodos históricos o juro real, que é o retorno acima da inflação, foi superior ao atual. O analista cita ainda que o juro real médio de todas as NTN-Bs emitidas desde 2005 foi de 5,88%, o que coloca o patamar de hoje bem acima da média histórica.

Nesta sexta-feira (2), o Tesouro IPCA+ 2032 pagava IPCA mais 7,60% ao ano no Tesouro Direto, e o IPCA+ 2050, IPCA mais 7,06%.

Para Debom, os títulos começam a perder atratividade quando as taxas dos vencimentos intermediários e longos se aproximarem de 5,5% a 6% ao ano acima da inflação.

Kubo evita apontar um nível, mas observa que poucos ativos entregam de forma consistente retornos acima de 6% ao ano além da inflação no longo prazo.

Os especialistas fazem a mesma ressalva. Quem não puder manter o título até o vencimento precisa considerar o risco de marcação a mercado, ou seja, de ter de vender o papel antes do prazo por um preço menor que o pago, caso as taxas subam.

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