O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) deve adotar uma postura mais moderada em um eventual debate contra Lula (PT) na TV Globo, previsto para sexta-feira (23).
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A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), que considera o confronto um dos últimos momentos capazes de influenciar o eleitorado ainda indeciso antes do segundo turno.
O professor avalia que o senador deve buscar uma imagem mais presidencial, deixando de lado parte da agressividade utilizada no primeiro debate do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18).
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Para Medeiros, a disputa chegou a um estágio em que os dois candidatos têm pouco espaço para conquistar novos eleitores. Isso aumenta a importância de evitar declarações que possam provocar rejeição entre os segmentos menos identificados com os dois campos políticos.
Na avaliação do cientista político, Lula pode se beneficiar especialmente de um erro do adversário, de integrantes de sua campanha ou de sua equipe econômica.
A preocupação ganhou importância depois do debate da Band. Embora Medeiros considere que Flávio demonstrou maior preparo para o formato do confronto, o senador também adotou comportamentos que podem gerar resistência entre eleitores independentes.
O professor avaliou que Lula, apesar de sua experiência política, mostrou irritação durante o encontro e teve dificuldades para responder a algumas provocações.
O risco, segundo Medeiros, não se limita à perda de votos para o adversário. Um confronto excessivamente agressivo também pode desestimular a participação de eleitores que já demonstram pouco interesse pela disputa.
O professor considera que o comportamento dos eleitores independentes será especialmente importante em uma eleição marcada por margens estreitas nas pesquisas.
Na Quaest divulgada nesta quarta-feira, Flávio apareceu com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, em situação de empate técnico. A pesquisa também mostrou rejeição de 52% ao senador e de 47% ao presidente.
Para Medeiros, esses números indicam que Flávio precisa evitar novos fatores de desgaste, enquanto Lula tenta transformar a resistência ao adversário em votos.
Até a noite de quarta-feira, as campanhas ainda não haviam confirmado definitivamente a participação dos candidatos no encontro da Globo.
Durante o programa, foi lembrado que dirigentes do PT condicionavam a presença de Lula à adoção de mecanismos de checagem de informações em tempo real. A campanha de Flávio também avaliava a estratégia para um eventual novo confronto.
O debate está previsto para ocorrer apenas dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25), o que reduziria o tempo disponível para as campanhas responderem a uma eventual repercussão negativa.
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