Dólar volta a cair e atinge menor valor desde maio; Bolsa recua, mas mantém 200 mil pontos.
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O valor, registrado na segunda-feira (5), foi o maior fluxo líquido de entrada de recursos estrangeiros em ações brasileiras em um único pregão, segundo dados da B3.
No mesmo dia, o Ibovespa subiu 7,7%, na maior alta em mais de seis anos.
O movimento ocorreu após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro (PL) terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT).
Os dois avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Para Felipe Assunção, head comercial da Revert, o movimento representa uma "reprecificação do risco Brasil". O termo significa, na prática, uma mudança na avaliação que os investidores fazem sobre o risco e o possível retorno de colocar dinheiro no país.
O gatilho foi o resultado eleitoral, mas o que o movimento revela vale além dele: o estrangeiro volta rápido quando enxerga melhora na relação entre risco e retorno, principalmente em mercados sensíveis a fluxo como o brasileiro", afirma.
É sinal de que o estrangeiro voltou de vez.
Um dia não faz tendência. Esse capital entra rápido e sai rápido se as expectativas não se confirmarem", diz Assunção.
Por isso, o comportamento do mercado nas próximas semanas será importante para entender se o movimento foi apenas uma reação pontual ao resultado eleitoral ou se representa uma mudança mais duradoura na percepção dos investidores.
O teste real é a continuidade: se nas próximas semanas o fluxo persistir, com real mais forte e juros fechando, aí teremos evidência de mudança de percepção sobre o Brasil, e não apenas um movimento tático", afirma.
Por que o resultado eleitoral mexeu com a Bolsa.
O mercado financeiro tenta antecipar como mudanças no cenário político podem afetar a economia, os juros, o câmbio e as empresas.
Nesse caso, o resultado do primeiro turno alterou as expectativas dos investidores e funcionou como gatilho para a entrada de recursos estrangeiros.
Mas o Brasil disputa esse capital com outros mercados. Segundo Assunção, o investidor global compara constantemente as oportunidades oferecidas pelo país com as de outras economias.
O investidor global compara o Brasil o tempo todo com Estados Unidos, Europa e outros emergentes", afirma.
Isso significa que o dinheiro estrangeiro não depende apenas do cenário político brasileiro. Os investidores também avaliam se os ativos do país estão baratos ou caros, as perspectivas para a economia e o risco de investir aqui.
O que precisa acontecer para o movimento continuar.
Para o fluxo estrangeiro se manter, o Brasil precisa continuar sendo considerado uma alternativa atrativa em relação a outros mercados.
Para o movimento se sustentar, o país precisa seguir oferecendo valuation atraente, crescimento e, principalmente, credibilidade fiscal", diz Assunção.
Valuation é uma forma de avaliar se o preço de um ativo, como uma ação, está alto ou baixo em relação aos resultados e às perspectivas da empresa.
Já a credibilidade fiscal está relacionada à confiança dos investidores na capacidade do governo de administrar as contas públicas e manter a trajetória da dívida sob controle.
Por isso, o comportamento da Bolsa, do real e dos juros nas próximas semanas será acompanhado de perto pelo mercado.
O fluxo recorde de segunda-feira mostra que houve uma reação imediata dos investidores estrangeiros ao resultado eleitoral. O que ainda precisa ser observado é se esse dinheiro continuará entrando ou se parte dele deixará o país caso as expectativas mudem.
Em números
- Dólar volta a cair e atinge menor valor desde maio; Bolsa recua, mas mantém 200 mil pontos
- Estrangeiros colocam recorde de R$ 10 bilhões na Bolsa brasileira após 1º turno
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