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Reforço militar e disputa interna: por que o Irã pode não querer encerrar a guerra e busca escalar o

Reportagens da imprensa norte-americana mostram que forças iranianas estão se preparando para uma nova rodada de ataques. Parte do governo defende acordo diplom

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Reforço militar e disputa interna: por que o Irã pode não querer encerrar a guerra e busca escalar o

Irã diz que pode fazer ofensiva no Estreito de Ormuz e Trump ameaça atacar país aliado no Oriente Médio.

O Irã está se preparando para uma nova fase da guerra no Oriente Médio, segundo fontes ouvidas pela imprensa norte-americana. Reportagens do Wall Street Journal e do New York Times publicadas no domingo (16) e segunda-feira (17) mostram que a liderança iraniana aproveitou o período de trégua para reforçar as Forças Armadas e preparar novas ações militares na região.

Segundo o Wall Street Journal, a estratégia começou a tomar forma em junho, quando o presidente Donald Trump assinou um memorando de entendimento com o Irã.

De acordo com o WSJ, enquanto diplomatas negociavam um acordo em público, a Guarda Revolucionária do Irã atuava nos bastidores para preparar forças e grupos aliados para uma eventual ampliação da guerra.

A mudança foi vista de forma mais clara no Estreito de Ormuz. Três semanas depois da assinatura do acordo com Trump, o Irã voltou a atacar navios que tentavam atravessar a rota marítima.

A pressão também foi sentida no Mar Vermelho por meio dos rebeldes Houthis, aliados de Teerã.

O Irã também aumentou a pressão sobre forças americanas na região. Em julho, o país lançou mísseis contra a Jordânia.

Ao mesmo tempo, Teerã reorganizou a própria estrutura de segurança. Segundo o New York Times, o líder supremo Mojtaba Khamenei nomeou veteranos da Guarda Revolucionária e da guerra Irã-Iraque para postos importantes neste mês.

Entre eles está Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda Revolucionária que assumiu o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Hossein Taeb, que voltou ao comando de uma rede paramilitar usada também para reprimir protestos.

Segundo o NYT, Khamenei determinou que a organização amplie a atuação como uma espécie de rede de inteligência interna, em um momento em que o governo teme novos protestos provocados pela crise econômica.

Para o jornal, a reorganização mostra que Mojtaba Khamenei pretende manter o país em estado permanente de preparação para a guerra. A reportagem destaca que o novo líder iraniano também demonstrou uma disposição maior do que o pai dele, Ali Khamenei, para iniciar confrontos com os Estados Unidos.

As movimentações não significam que o Irã tenha abandonado completamente a diplomacia. Segundo o NYT, parte da liderança iraniana ainda defende um acordo, mas quer negociar a partir de uma posição de força.

Inclusive, a divisão interna dentro do próprio governo iraniano ajuda a explicar por que as negociações com os EUA travaram.

A aposta dos setores mais duros do regime é que o Irã consegue suportar a pressão econômica por mais tempo do que Trump consegue suportar os custos políticos da guerra.

Por outro lado, a economia iraniana já enfrenta inflação, desvalorização da moeda, falta de energia, sanções e danos provocados pelo conflito. Sendo assim, a estratégia deixa o governo diante de um dilema: prolongar a guerra pode aumentar o poder de barganha, mas alimentar uma crise interna difícil de controlar.

Um dos exemplos dessa divisão foi exposto recentemente. De acordo com o WSJ, diplomatas iranianos chegaram a um entendimento com Omã para criar rotas e permitir uma reabertura gradual de Ormuz.

No entanto, a própria Guarda Revolucionária do Irã voltou a atacar navios.

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