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Política

Lisboa lidera em número de eleitores brasileiros no exterior e tenta organizar pleito sem transtornos

Universidade reúne 207 seções em três prédios para receber votantes neste domingo

5 min de leitura
Política — imagem padrão

O maior local de votação destas eleições não está em nenhuma cidade brasileira. A Universidade de Lisboa receberá neste domingo (4) 78. 833 eleitores, registrados em 207 seções instaladas em três prédios –a Reitoria e as faculdades de Direito e Letras.

Para efeito de comparação, a Pontifícia Universidade Católica, maior ponto de votação em São Paulo, tem 17. 639 eleitores registrados.

Esses números também fazem de Lisboa o maior colégio eleitoral fora do país. Já era assim em 2022, mas a distância para o segundo colocado aumentou. Nas eleições anteriores a diferença em relação a Miami, nos Estados Unidos, era de cerca de 5.

000 registrados. Nestas eleições Lisboa abriu uma frente de 25 mil eleitores para Boston, que agora ocupa a segunda posição. Os brasileiros que moram no exterior votam apenas para presidente da República.

Ao todo, 134. 797 eleitores se registraram em Portugal.

Os três maiores consulados brasileiros por número de população atendida são, pela ordem, os de Nova York, Boston e Miami, todos nos Estados Unidos, país que concentra a maior parte dos imigrantes brasileiros.

Lisboa aparece em quarto lugar, mas concentra o maior número de eleitores. Por que isso acontece? "Minha hipótese é que nossa comunidade em Portugal continua mais conectada ao Brasil, enquanto os que foram fazer a vida nos Estados Unidos às vezes se desligam", diz o embaixador Alessandro Candeas, 60, cônsul brasileiro em Lisboa.

À frente da representação diplomática, Candeas comanda uma força-tarefa que tem um objetivo: evitar o caos que os eleitores brasileiros enfrentaram em 2022. Havia apenas um local de votação para um contingente potencial de 45.

273 eleitores registrados. As filas se ramificaram em frente à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e o tempo de espera para votar chegou a cinco horas sob um sol inclemente.

Aprendemos com o que aconteceu e nos aprimoramos", diz Candeas, que ainda não servia no consulado na eleição passada.

Entre 2022 e 2026 houve um aumento de 74% de eleitores registrados em Lisboa. A solução para que a próxima eleição se dê com "fluidez, segurança e conforto", os objetivos perseguidos pelo Consulado, foi aumentar para três os locais de votação, próximos uns dos outros.

Além da Faculdade de Direito, serão utilizados os prédios da Faculdade de Letras e da Reitoria, todos em torno da praça central da Universidade de Lisboa. O eleitor poderá identificar o próprio lugar de votação através de um QR Code, e haverá uma equipe para tirar dúvidas de última hora.

A militância em Portugal do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto, recorre a estratégias diferentes de mobilização.

Os petistas preferem as manifestações de rua. No último domingo (27) os eleitores do petista organizaram uma demonstração que encheu a praça do Rossio, logradouro emblemático que centraliza, todos os anos, a celebração da Revolução dos Cravos, que em 25 de abril de 1974 derrubou a ditadura portuguesa.

É importante que os políticos brasileiros olhem para as reivindicações da população imigrante", diz o jurista Pedro Prola, 38, coordenador do núcleo do PT em Lisboa.

A legenda tem núcleos em várias cidades europeias: Além de Lisboa, há representações do partido em capitais como Roma e Madri.

Não existe em Portugal uma representação do PL. Num podcast do jornal O Público Brasil, o especialista em tecnologia da informação Marcelo Rabello, 61, representou os eleitores de Flávio Bolsonaro num debate com o petista Prola.

Muitos dos brasileiros conservadores de Portugal retornaram ao Brasil ou aderiram ao Chega, que tem uma proposta parecida com a nossa", disse Rabello à Folha, justificando a falta de manifestações de rua por parte de eleitores de Flávio e aludindo ao partido que representa a ultradireita em Portugal.

Rabello concentra apoio a Flávio em vídeos gravados para redes sociais. Ele é também fundador do Instituto Veritas Liberat ("a verdade liberta", em latim), que promove cursos presenciais e online com figuras ligadas ao bolsonarismo, como o ex-ministro Onyx Lorenzoni, o deputado Luiz Phillipe de Orléans e Bragança e o economista Adolfo Saschida.

Fizemos também um documentário sobre brasileiros no exílio", diz Rabello. Segundo ele, participaram do vídeo o jornalista Paulo Figueiredo, o youtuber Allan dos Santos e o ex-BBB Adriano Castro, conhecido como Didi Redpill.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística português, organismo equivalente ao IBGE brasileiro, existem 574. 195 brasileiros morando em Portugal. O Consulado brasileiro em Lisboa estima que estes números estejam subvalorizados.

Pelo que vemos no dia-a-dia nas nossas representações consulares, trabalhamos com um número em torno de 700 mil a 800 mil brasileiros vivendo em Portugal", diz Candeas.

Acrescentando os que possuem dupla cidadania, essa estatística pode subir a 1 milhão.

Conforme o cônsul, a comunidade brasileira em Portugal é um reflexo da diversidade social do país, sendo composta por trabalhadores da área de turismo e construção civil, profissionais liberais, aposentados, empreendedores e empresários.

Nas duas últimas eleições o resultado da votação em Portugal acompanhou o do Brasil: Jair Bolsonaro (então no PSL) ganhou em 2018, e Lula, em 2022. Em 2014 houve discrepância de resultados: Dilma Rousseff (PT) se elegeu presidente da República, e Aécio Neves (PSDB) foi o vitorioso entre a comunidade brasileira residente em terras lusitanas.

Em números

  • Nestas eleições Lisboa abriu uma frente de 25 mil eleitores para Boston, que agora ocupa a segunda
  • Acrescentando os que possuem dupla cidadania, essa estatística pode subir a 1 milhão

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