Ir para o conteúdo

Corumbá - MS | Sábado, 7 de novembro de 2026 | 00:58

ULTRA CONECT
Mundo

Nas ruas de Assunção, encontrar um apoiador de Santiago Peña é tarefa difícil

Estudantes e aposentados unem pautas e aderem à pressão nas ruas da capital paraguaia

4 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Foi mais fácil encontrar uma loja de açaí em diferentes bairros da capital do Paraguai do que entrevistar um apoiador do agora ex-presidente Santiago Peña na semana em que o estouro do escândalo do Ueno Bank colocou o político do Partido Colorado na mira.

  1. Com impeachment pós-massacre e assassinato de vice, Paraguai teve outros dois líderes que não terminaram mandato.
  2. Vice que deve assumir Presidência do Paraguai também é acusado de envolvimento em escândalo.
  3. Presidente do BC paraguaio renuncia após colapso financeiro do Ueno Bank.
  4. Logo antes de renúncia, base do presidente do Paraguai anunciou apoio a impeachment.

Após a tentativa frustrada de renúncia do economista, o Congresso do Paraguai negou o pedido de Peña para prorrogar sua defesa e aprovou seu impeachment nesta sexta-feira (6).

Do lado de fora do Palácio de López, a sede da Presidência paraguaia, grupos de policiais se apressavam para montar barreiras e isolar manifestantes, evitando confrontos.

Protesto havia, mas apenas de um lado. Ao contrário de outras experiências políticas recentes que dividem as sociedades do continente entre a favor e contra, só havia no centro de Assunção manifestantes que pediam a cabeça de Peña.

O tecnocrata colocado no comando do Executivo pelo poderoso Horacio Cartes, ex-presidente do país, e que teve seu destino selado após romper com o padrinho, não era particularmente impopular.

Em um ranking de junho da CB Global Data, ele aparecia em quinto lugar entre 18 líderes da América Latina avaliados, depois de Nayib Bukele (El Salvador), Claudia Sheinbaum (México), Laura Fernández (Costa Rica) e Luis Abinader (República Dominicana), mas à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em sexto.

Peña acabou comprando uma briga com os apoiadores e críticos do poderoso ex-presidente.

É que ele mesmo não tem tanta personalidade, existe por causa de Cartes, traiu o ex-presidente ao achar que poderia criar um campo político próprio —o resultado está aí", diz o motorista Luiz Fernando Acce, 32, morador do bairro de Chacarita, uma parte empobrecida colada à Catedral de Assunção.

E como não tinha nada tão marcante para apresentar, colou nele o escândalo do Ueno Bank, todo mundo sabia que ele tinha sido sócio e que tinha algo estranho no desempenho daquele banco, mas a gente ignorou os sinais", afirma Acce, ele mesmo um dos afetados pelo caso e que ainda não conseguiu recuperar o dinheiro.

Um vendedor de erva-mate perto da antiga estação de trens da cidade é quem chega mais perto de elogiar Peña, dizendo lamentar que o ex-líder de 47 anos não tenha conseguido romper com o que considera o pior da política local.

Peña, que era esperado no Congresso para fazer a sua defesa, contaria com batedores para fechar o trânsito da praça dos Desaparecidos, passando pela rua O Paraguaio Independente e chegando ao lado direito do prédio do Legislativo, em uma operação que modificou o tráfego do que foi o centro colonial de Assunção.

Do outro lado, na praça que abraça a parte esquerda da sede do Legislativo, além de correntistas do Ueno, estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional aderiram aos protestos, que eclodiram na última terça (3) em meio à agitação política e econômica causada pelo escândalo.

Como estudantes universitários e futuros profissionais de saúde, reconhecemos nossa responsabilidade social e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos direitos dos cidadãos, da democracia, da justiça e do bem-estar da população paraguaia", diz parte de um comunicado divulgado pelo grupo.

Aos estudantes se somaram professores e líderes de associações de aposentados, prejudicados ou não pelo caso Ueno, que, vestidos com camisas da seleção paraguaia, entoavam palavras de ordem enquanto eram observados pela polícia.

É um momento ruim para a direita do nosso continente, e tirar Peña vai ser a nossa contribuição. O problema do nosso país é que o Partido Colorado já está tão agarrado ao poder que ninguém imagina um governo do Paraguai sem ele, mas talvez seja preciso", diz o aposentado Octavio Birnes, 72.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo