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França suspende uso de bombas de efeito moral em protestos após estudante ter mão arrancada por explosão

Uso de força da polícia durante manifestações estudantis está sendo investigado pelo governo Macron. Movimento tomou as ruas de toda a França nos últimos dias,

4 min de leitura
França suspende uso de bombas de efeito moral em protestos após estudante ter mão arrancada por explosão

Confrontos marcam dia de pico de protestos estudantis na França; governo suspende aulas.

  • VÍDEO: prefeito de subúrbio de Paris protege manifestantes da polícia e é atingido por gás de pimenta.

A França suspendeu, nesta quarta-feira (7), o uso de granadas de efeito moral pela polícia durante os protestos estudantis, depois que um adolescente perdeu uma mão devido a um desses artefatos.

Em entrevista à rádio francesa RTL, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão do uso de bombas de efeito moral nos protestos estudantis até que os incidentes ocorridos sejam esclarecidos.

Segundo uma fonte sindical policial, o estudante de 15 anos perdeu a mão ao pegar uma granada de dispersão lançada pela polícia em Lens, no norte da França.

Além disso, outro estudante de 14 anos, no noroeste de Paris, perdeu vários dentes devido à explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo a curtíssima distância.

O ministro explicou que a suspensão se aplica "apenas aos protestos de estudantes do ensino médio" e "somente pelo tempo necessário para compreender o que aconteceu.

Mais de 6. 500 pessoas, em sua maioria menores de idade, foram detidas desde o início das manifestações, que começaram com reivindicações por melhores condições nas escolas de ensino médio.

Além disso, centenas de estudantes, policiais e profissionais da educação ficaram feridos.

O primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, falou nesta quarta-feira em "manifestações estudantis mais violentas em décadas” ao descrever os protestos durante um discurso a parlamentares.

Para sustentar sua declaração, ele citou a quantidade de feridos.

Na terça-feira, após uma nova jornada de manifestação reunir 256 mil estudantes, professores e pais, o governo negou a existência de "repressão policial" contra os manifestantes.

O coordenador do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, criticou o governo Macron. "Foi preciso que vários jovens ficassem mutilados para o resto da vida para que Nuñez desistisse de usar granadas contra estudantes do ensino médio", afirmou.

Por outro lado, a ultradireitista Marine Le Pen, favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2027, acusou Macron de ficar "sempre do lado daqueles que atacam a polícia.

Embora majoritariamente pacíficos, os protestos ocasionalmente acabaram em violência. O governo relatou que 215 estudantes, 715 policiais e 85 membros do corpo docente ficaram feridos.

A polícia abriu 18 investigações internas sobre denúncias de má conduta desde o início dos protestos, disse Núñez.

Vários sindicatos da área da educação convocaram uma greve e novas manifestações para quinta-feira.

Desde setembro, estudantes com idades entre 15 e 18 anos bloquearam centenas de escolas para denunciar a falta de professores e as cargas horárias excessivas, assim como salas de aula deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas.

Embora a maioria das escolas de ensino médio tenha reaberto nesta quarta-feira, mais de 500 permaneciam parcialmente fechadas devido a estudantes que bloquearam as entradas com lixeiras.

Vários advogados que representam adolescentes detidos afirmaram que seus clientes sofreram violência física e insultos.

Ainoha Pascual, advogada de três menores em Paris, disse que eles foram "aterrorizados". "A imensa maioria chega ferida sob custódia", devido a golpes de cassetete ou por terem sido arrastados pelo chão, acrescentou.

Prisca Ancion, do Coletivo pela Ação Judicial, disse à AFP que todos os estudantes detidos relataram ter sofrido "insultos, tapas, pressão da cabeça contra o chão e golpes de estrangulamento.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, fará um pronunciamento à população nesta quarta-feira para abordar os protestos e as finanças públicas, em meio a um debate acalorado sobre os orçamentos de 2027.

No entanto, a aprovação parlamentar parece difícil a poucos meses das eleições presidenciais de 2027 para escolher o sucessor de Macron.

Em números

  • Na terça-feira, após uma nova jornada de manifestação reunir 256 mil estudantes, professores e pais, o governo negou a

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