O relatório sobre Gaza do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), publicado na segunda-feira (5), destacou que são diários os bombardeios aéreos de Israel contra áreas densamente povoadas.
Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local. Com isso, são 1. 431 mortos desde o anúncio de cessar-fogo há cerca de um ano, no dia 10 de outubro de 2025, o que representa quase quatro óbitos por dia.
A professora de relações internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) Isabela Agostinelli avaliou, em entrevista à Agência Brasil, que a situação dos quase 2 milhões de palestinos “não melhorou em nenhum sentido” com o suposto cessar-fogo.
Professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bruno Huberman explicou à Agência Brasil que um dos impasses no “plano de paz” do presidente dos EUA, Donald Trump, é o fato de o Hamas apenas aceitar se desarmar depois que Israel deixar Gaza, o que não tem ocorrido.
Bruno Huberman acrescentou que Israel impede o retorno a Gaza do “comitê tecnocrático” de palestinos, sem ligação com partidos, que seria responsável por monitorar a reconstrução do território.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, tem destacado que a transferência do governo civil do Hamas para o Comitê Nacional para Administração de Gaza (NCAG) só seria aceita com a total desmilitarização dos grupos palestinos do enclave.
A professora Isabel Agostinelli lembra que, enquanto o impasse segue congelado, milícias estão sendo financiadas por Israel em Gaza para disputar territórios com o Hamas.
Em junho de 2025, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reconheceu que apoia grupos armados em Gaza que se opõem ao Hamas para “poupar a vida de soldados israelenses”, segundo revelou o jornal The Times of Israel.
Os três anos da atual fase do conflito na Palestina ocupada têm testado a capacidade de resistência do povo palestino. O pesquisador do Observatório de Conflitos do Oriente Médio Bruno Huberman destacou que tem observado uma apatia e desesperança inédita em dez anos que mantém contato com palestinos.
Por outro lado, Huberman avalia que o 7 de outubro fortaleceu o plano do partido de Benjamin Netanyahu, o Likud, para os territórios palestinos. Esse fortalecimento teria enterrando, de vez, a posição interna em Israel que propunha uma coexistência pacífica.
Para o analista, o 7 de outubro foi um “erro estratégico” do Hamas que não teria previsto a dimensão da reação israelense e dos EUA.
Ao mesmo tempo, Hamas tem aceitado depor suas armas em um acordo frágil com Trump em troca da reconstrução de Gaza que não começa.
Ao mesmo tempo, os especialistas consultados pela Agência Brasil enfatizaram que a colonização na Cisjordânia se acelerou desde o 7 de outubro, com a expansão da violência no outro território palestino ocupado.
Israel costuma justificar suas ações na Cisjordânia como parte do "combate ao terrorismo", ao mesmo tempo em que o governo Netanyahu não tem reconhecido o direito dos palestinos às terras da Cisjordânia.
O professor da PUC-SP Bruno Huberman destacou que os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia têm aumentado o isolamento do chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
Quase 20 anos depois da última eleição legislativa, a Autoridade Palestina marcou para o próximo dia 28 de novembro a votação para definir o Parlamento que pode substituir Abbas na chefia da organização palestina sediada na Cisjordânia.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…