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Centenas de imigrantes protestam em Ceuta e pedem asilo

A maioria dos imigrantes vive em condições precárias na praia de El Trampolin ou nos arredores da cidade, enquanto aguardam uma oportunidade para seguir viagem

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Centenas de imigrantes protestam em Ceuta e pedem asilo

Centenas de imigrantes marroquinos que entraram recentemente no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, realizaram um protesto em uma praia urbana popular neste domingo (16), pedindo asilo às autoridades espanholas.

Eles estavam entre as cerca de 5. 000 a 8. 000 pessoas que permaneceram em Ceuta após a travessia em massa da fronteira, ocorrida há duas semanas, que viu mais de 72 mil pessoas invadirem o pequeno território de cerca de 80 mil habitantes.

A grande maioria retornou voluntariamente nos dias seguintes.

Com os recursos da cidade sobrecarregados, a maioria dos imigrantes vivia em condições precárias na praia de El Trampolin ou nos arredores da cidade, enquanto aguardavam uma oportunidade para seguir viagem para a Europa continental.

Estamos dormindo perto do mar, com frio e mau cheiro. Estamos sofrendo muito", disse Ayoub Elarroud, de Tetouan, Marrocos, acrescentando que a polícia estava impedindo os imigrantes de irem ao centro da cidade.

Os manifestantes exibiam bandeiras espanholas e faixas com os dizeres "Não queremos voltar para Marrocos" e "Também somos humanos", enquanto entoavam slogans como "Estamos cansados" ou "Precisamos de uma solução.

Nas margens rochosas atrás deles, alguns imigrantes lavavam roupa enquanto outros pescavam com varas de bambu improvisadas.

No início desta semana, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que os imigrantes que entraram irregularmente no país não teriam permissão para permanecer no enclave, viajar para a Espanha continental ou obter status legal, exceto em casos raros que envolvam extrema vulnerabilidade.

O chefe do conselho médico de Ceuta, Enrique Roviralta, disse à rádio Onda Cero que os poucos profissionais de saúde da cidade estavam exaustos e criticou o que descreveu como uma resposta lenta do governo central.

Roviralta acrescentou que doenças como diarreia infecciosa e sarna estavam surgindo, e que lesões relacionadas com a violência, como narizes quebrados ou ferimentos por arma branca, estavam aumentando.

Neste domingo, a ministra da Saúde, Monica Garcia, rejeitou as sugestões de que os serviços de saúde locais tivessem "entrado em colapso", mas reconheceu que estavam sob pressão.

Associar a imigração a doenças é injusto e xenófobo", disse ela a repórteres em Ceuta, acrescentando que havia um risco moderado de surtos epidêmicos para imigrantes e um risco baixo para residentes.

A maioria dos imigrantes marroquinos entrevistados pela Reuters afirmou que foi motivada pelas más condições de trabalho em seu país, apesar de muitos possuírem qualificações superiores.

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