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Afeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã

Mesmo com alta de 14% no emprego global desde 2022, novos postos de trabalho foram absorvidos quase exclusivamente por homens; com a segunda menor taxa mundial

3 min de leitura
Afeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã

Mesmo com alta de 14% no emprego global desde 2022, novos postos de trabalho foram absorvidos quase exclusivamente por homens; com a segunda menor taxa mundial de participação feminina na força de trabalho, economia consolida cenário de segregação e retrocesso social.

Depois de cinco anos da tomada do poder pelo Talibã, as mulheres enfrentam barreiras estruturais no mercado de trabalho do Afeganistão.

De acordo com o novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, o cenário atual é definido pelo aumento da dependência do emprego masculino e pela severa exclusão feminina de atividades econômicas.

Segundo o relatório, a taxa de emprego no país asiático teve um crescimento estimado de 14% em relação a 2022, com aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores em 2026.

No entanto, a expansão dos postos de trabalho ficou concentrada entre a população masculina. Neste ano, o emprego masculino atingiu um patamar 22% superior ao registrado em 2020.

Em contrapartida, o emprego feminino sofreu um colapso: após leve redução em 2021, caiu acentuadamente em 2022, representando menos de um terço do percentual antes do governo Talibã.

O Afeganistão registra a segunda menor taxa de participação feminina na força de trabalho em todo o mundo. Para a OIT, isso evidencia a exclusão das mulheres da economia do país.

Além da exclusão feminina, o retorno dos exilados que viviam no Paquistão e no Irã também impacta o mercado, pois eles estão se reestabelecendo em comunidades que já lidam com altos índices de pobreza e subemprego.

Mais de 70% dos trabalhadores afegãos atuam em setores classificados como de média ou alta exposição aos impactos econômicos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, de acordo com a OIT.

O chefe do escritório da agência no Afeganistão, Tite Habiyakare, afirma que o país não pode construir um mercado de trabalho estável enquanto uma parcela tão expressiva de sua população continuar excluída.

Garantir o acesso das mulheres a empregos, ao mesmo tempo em que se criam oportunidades para repatriados, jovens e outros trabalhadores vulneráveis, é essencial para fortalecer os meios de subsistência e apoiar um desenvolvimento econômico mais inclusivo, Habiyakare concluiu.

A OIT defende que a promoção do emprego produtivo seja mantida no centro das políticas públicas do país.

Dentre as recomendações, está o apoio ao desenvolvimento do setor privado, reintegração população repatriada, proteção das famílias vulneráveis contra a alta do custo de vida.

Outras sugestões são a ampliação do acesso ao trabalho para todos os segmentos da população e novos investimentos em pesquisas.

Cinco anos após retomada do poder pelo Talibã, país se consolidou como uma “ilha de gênero” sem paralelos no planeta; agências da ONU revelam extensão desse apagamento: metade das afegãs só consegue sair de casa uma ou duas vezes por mês; excluídas da vida pública, sem acesso à educação e privadas de qualquer perspectiva, elas vivem sob a crise de direitos humanos mais extrema do mundo.

Após cinco anos no poder, regime Talibã é marcado por exclusão total de mulheres e meninas das salas de aula; institucionalização da violência de gênero no país inclui medidas que autorizam agressões e casamentos forçados.

  • País asiático teve um crescimento estimado de 14% em relação a 2022, com aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores em 2026.

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