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Mato Grosso do Sul

Seis frentes frias em 15 dias ajudam a explicar chuva atípica de setembro em MS

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Seis frentes frias em 15 dias ajudam a explicar chuva atípica de setembro em MS

Centro-sul do Estado teve até 120 mm de chuva na primeira quinzena, enquanto Capital chegou a cerca de 170 mm.

A primeira quinzena de setembro foi marcada por uma combinação pouco comum de chuva frequente, temperaturas baixas e sucessivas frentes frias no centro-sul do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário chamou atenção pelo volume de precipitação registrado justamente em um período do ano que, historicamente, costuma ter pouca chuva.

De acordo com análise do Climatempo, o centro-sul de Mato Grosso do Sul acumulou entre 70 mm e pouco mais de 120 mm de chuva de forma generalizada nos primeiros 15 dias de setembro.

O comportamento é considerado fora do padrão para o mês. Historicamente, setembro ainda é uma época de poucas precipitações na maior parte do Brasil. As médias históricas calculadas pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para o período de 1991 a 2020 ficam abaixo de 100 mm em praticamente todo o Centro-Oeste e em grande parte do Sudeste.

A situação foi ainda mais expressiva em outras áreas do centro-sul brasileiro. Houve registros de 200 mm a 300 mm de chuva no leste do Paraná, no sul e leste de São Paulo e no litoral sul do Rio de Janeiro.

Em Minas Gerais, a Zona da Mata teve volumes de 90 mm a quase 130 mm, enquanto o Sul do Estado registrou entre 100 mm e quase 150 mm em vários pontos. Em Santa Catarina, muitas áreas acumularam de 100 mm a 130 mm, com locais chegando a quase 200 mm.

Seis frentes frias em 15 dias - Um dos fatores que ajudam a explicar o comportamento do tempo foi a sequência de sistemas que avançaram pelo centro-sul do país.

Segundo o Climatempo, seis frentes frias influenciaram a região durante os primeiros 15 dias de setembro. A mais recente começou a avançar pela costa da Região Sul no dia 15.

A passagem dessas frentes trouxe chuva e ar frio de origem polar. Mas, segundo a análise, elas não atuaram sozinhas.

Extensas áreas de baixa pressão atmosférica se desenvolveram entre o Sul do Brasil, o Paraguai, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao mesmo tempo, uma grande quantidade de umidade e calor foi direcionada para São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná pelo jato de baixos níveis, uma corrente de ar quente e úmido que vem da Amazônia.

Também houve atuação de cavados atmosféricos, que são ondulações no fluxo dos ventos e contribuíram para a formação e manutenção das grandes áreas de chuva sobre o centro-sul brasileiro.

A combinação desses fatores manteve o céu bastante nublado, reduziu a presença do sol e, junto ao ar polar trazido pelas frentes frias, ajudou a manter as temperaturas mais baixas.

O papel da Oscilação Antártica - A sequência incomum de frentes frias tem uma explicação ligada à Oscilação Antártica, conhecida pela sigla AAO. Embora a passagem de frentes frias pelo centro-sul do Brasil em setembro não seja algo incomum, a ocorrência de cinco frentes em apenas 15 dias é considerada muito fora do normal pelo Climatempo.

A AAO é uma relação entre o comportamento dos ventos e da pressão atmosférica observados entre a Antártida e a região sul da Patagônia. O fenômeno pode permanecer em determinada fase por algumas semanas ou até alguns meses e influencia o deslocamento das frentes frias em direção à América do Sul.

Na fase positiva, a configuração da pressão atmosférica fortalece os ventos de oeste e mantém a maior parte das frentes frias e dos ciclones extratropicais mais ao sul, próximos da Antártida.

Já na fase negativa ocorre o contrário. Os ventos de oeste enfraquecem ou ficam mais ao norte, favorecendo o avanço de frentes frias e massas de ar polar em direção à América do Sul.

Foi justamente a fase negativa da AAO que começou a se configurar em agosto e influenciou o comportamento da chuva e das temperaturas no centro-sul do Brasil na primeira quinzena de setembro.

E onde entra o El Niño? - O El Niño também aparece na explicação para o cenário, mas não como único responsável pela sequência de chuva e frio.

Estudos científicos apontam que a fase negativa da Oscilação Antártica, que facilita o deslocamento das frentes frias para a América do Sul, tende a ocorrer com mais frequência em anos de El Niño.

Em agosto de 2026, o El Niño já era considerado de forte intensidade e, no começo de setembro, poderia atingir intensidade muito forte. A previsão indicada pelo Climatempo é de continuidade do aquecimento da porção central e leste do Pacífico Equatorial, região utilizada para avaliar a intensidade do fenômeno.

Com o fortalecimento do El Niño, a tendência apontada é de que a fase negativa da AAO possa ocorrer com maior frequência durante a primavera. Isso pode contribuir para novos episódios de chuva volumosa no centro-sul do Brasil.

Isso não significa, porém, que os mesmos Estados atingidos na primeira quinzena (Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul) receberão necessariamente todos os próximos episódios.

Chuva deve continuar na segunda quinzena - Para a segunda metade de setembro, a tendência indicada pelo Climatempo é de mudança da Oscilação Antártica para a fase positiva.

Mesmo assim, a chuva não deve desaparecer do centro-sul do país. A previsão é de continuidade de episódios de precipitação, com pancadas se espalhando pelo interior do Sudeste e também pelo Centro-Oeste.

No Sul do Brasil, novos episódios de chuva frequente e volumosa são esperados, principalmente no Paraná e em Santa Catarina.

Para Mato Grosso do Sul, portanto, a primeira quinzena de setembro foi marcada por uma combinação de fatores atmosféricos que fugiu do padrão normalmente esperado para o mês: sucessivas frentes frias, áreas de baixa pressão, transporte de umidade e a influência da fase negativa da Oscilação Antártica, em um ano de El Niño forte.

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