Prefeitura apresentou esclarecimentos e documentos que levaram à retomada dos 4 lotes suspensos.
A decisão do conselheiro Osmar Domingues Jeronymo foi publicada nesta quinta-feira (8), após a equipe técnica concluir que os documentos e esclarecimentos apresentados pelo município resolveram as irregularidades apontadas anteriormente.
A suspensão havia sido divulgada em 4 de setembro e atingia parte dos 18 lotes de uma concorrência eletrônica. Na ocasião, o Tribunal paralisou o andamento dos lotes 1 e 11 e proibiu a formalização dos contratos dos lotes 4 e 9, que já haviam sido adjudicados e homologados pela prefeita Adriane Lopes (PP).
Agora, Jeronymo revogou a medida e autorizou o “regular prosseguimento do procedimento licitatório”. A decisão foi assinada na quarta-feira (7).
Segundo o relatório, a Prefeitura apresentou manifestação técnica e jurídica, pediu a revogação da suspensão e encaminhou novos documentos. O material passou por outra análise da divisão responsável pela fiscalização de obras, serviços de engenharia e meio ambiente do Tribunal.
Ao concluir essa avaliação, a equipe técnica apontou o “saneamento total das irregularidades apresentadas anteriormente”, conforme registrado na decisão.
Para o conselheiro, os novos elementos afastaram os motivos que sustentavam a paralisação. “Não subsistem, neste momento, razões suficientes para a manutenção da suspensão cautelar”, afirmou.
Jeronymo também considerou o impacto que a continuidade da suspensão poderia ter sobre as obras previstas nos bairros de Campo Grande.
Processo ainda será julgado - A liberação permite retomar os lotes atingidos pela cautelar, mas não representa uma aprovação definitiva da licitação. O próprio conselheiro ressalvou que a análise do processo continuará.
Essa decisão também não antecipa a conclusão do julgamento de mérito, quando o Tribunal examinará definitivamente o procedimento. Os autos serão encaminhados ao MPC-MS (Ministério Público de Contas) para emissão de parecer, e a prefeita será intimada para tomar ciência da revogação.
O que levou à suspensão - Em setembro, o Tribunal apontou indefinições e inadequações técnicas que poderiam causar prejuízo aos cofres públicos. Nos lotes 1 e 11, a área técnica havia recomendado revisão das planilhas orçamentárias, republicação do edital e reabertura do prazo para apresentação de propostas.
Nos lotes 4 e 9, um dos questionamentos envolvia a espessura da camada de CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), material utilizado no revestimento asfáltico.
Na análise que embasou a suspensão, os auditores registraram que a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) havia informado o uso padronizado da mistura asfáltica denominada “Faixa C”.
Para essa solução, a espessura mínima indicada seria de 3,125 centímetros, arredondada para 3,2 centímetros, enquanto os projetos dos dois lotes previam 3 centímetros.
A equipe questionou se o município adotaria outra composição da mistura, como a “Faixa D”, que permitiria uma camada mais fina. Também recomendou a definição formal da composição e da espessura mínima antes das ordens de serviço, além de relatórios de controle de qualidade e ensaios laboratoriais para fundamentar medições e pagamentos.
Embora registre que as irregularidades foram resolvidas, a nova decisão não detalha quais ajustes ou esclarecimentos solucionaram cada apontamento, nem informa qual espessura de asfalto será adotada nesses lotes.
Em números
- Após suspensão, licitação de R$ 188,5 milhões para asfalto da Capital é liberada
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