Pavanato e Campopiano, os dois mais votados do grupo, destinaram metade ou mais das despesas de campanha ao digital. Já Erika Hilton e Sâmia Bomfim, que também têm milhões de seguidores, gastaram parcelas maiores com material gráfico.
- Veja a lista completa dos deputados federais eleitos por São Paulo.
- Despesas totais de campanha: R$ 2.702.190,92.
- Gastos com redes sociais: R$ 1,352 milhão (50,0%).
- Gastos com material gráfico: R$ 354 mil (13,0%).
- Despesas totais de campanha: R$ 1.629.652,72.
- Gastos com redes sociais: R$ 188 mil (11,5%).
- Despesas totais de campanha: R$ 1.975.876,85.
- Gastos com redes sociais: R$ 400 mil (20,2%).
- Gastos com redes sociais: R$ 118.438,50 (25,2%).
- Gastos com material gráfico e postagem: R$ 116 mil (24,7%).
- Despesas totais de campanha: R$ 654.315,52.
Ou seja, uma audiência capaz de receber, compartilhar e fazer circular conteúdos.
Ela tinha aproximadamente 2,5 milhões de seguidores e fez uma campanha conjunta com Pavanato.
Nos dois casos, o investimento durante a campanha se somou a uma audiência que já havia sido construída anteriormente.
Para a cientista política Tathiana Chicarino, coordenadora do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), essa construção é parte de uma transformação mais ampla da política.
Segundo ela, a transformação é parte de um processo mais amplo de digitalização da vida, que começou antes da pandemia e alterou também a maneira como as pessoas recebem informação, trabalham, estudam, se relacionam e consomem entretenimento.
A presença digital, porém, não é exclusividade dos candidatos que mais gastaram nas redes.
Erika e Sâmia chegaram à eleição com comunidades digitais consolidadas, mas destinaram mais recursos a outras formas de comunicação.
Para Chicarino, seguidores podem representar um tipo de capital político, mas o número bruto não basta. Mais importante que a quantidade de seguidores, segundo ela, é o que essa audiência faz com o conteúdo que recebe.
Guia do eleitor: Pode votar de bermuda e chinelo.
Paulo Faltay, professor de Comunicação no Campus do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Estopim — Laboratório de Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade, afirma que as plataformas mudaram não apenas os canais usados pelos políticos, mas a própria circulação da informação.
Isso faz com que cada plataforma imponha formatos e estratégias próprios e transforme o próprio público em parte da circulação política.
Em vez de pensar apenas em seguidores, Faltay considera mais importante a existência de uma comunidade que acompanha o político e participa de sua presença pública.
O efeito é uma fragmentação maior da experiência política. Ou seja, diferentes grupos podem ser expostos a conteúdos e referências diferentes, e as campanhas passam a adaptar suas mensagens a essas comunidades.
Tarcísio de Freitas tem maior votação da história de SP e supera 14 milhões de votos.
Os outros dois candidatos do levantamento também mostram que não existe uma relação automática entre audiência digital, dinheiro investido e votação.
Para Faltay, a desigualdade entre as campanhas também passa pela capacidade financeira de cada candidato de explorar as plataformas e adaptar sua comunicação ao funcionamento delas.
Os mais votados para a Câmara dos Deputados por SP.
Lucas Pavanato (PL) – 3. 038. 438 votos.
Erika Hilton (PSOL) – 1. 596. 383 votos.
Sâmia Bomfim (PSOL) – 583. 107 votos.
Kim Kataguiri (Missão) – 520. 071 votos.
Eduardo Suplicy (PT) – 654. 627 votos.
Em números
- Ela tinha aproximadamente 2,5 milhões de seguidores e fez uma campanha conjunta com Pav
- Tarcísio de Freitas tem maior votação da história de SP e supera 14 milhões de votos
- Deputados mais votados de SP somam 18 milhões de seguidores e adotam estratégias diferentes de
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