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Mato Grosso do Sul

"A gente não loteia governo", diz Riedel sobre futura equipe

12 min de leitura
"A gente não loteia governo", diz Riedel sobre futura equipe

Governador já começou a discutir transição, mas aponta que foco agora é o 2º turno para presidente.

Reeleito governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) começou a desenhar a estrutura do segundo mandato, mas afirma que a definição dos nomes que ocuparão os cargos ficará para o fim do ano.

Nesta terça-feira (6), ele conversou com a reportagem do Campo Grande e contou que pela manhã reuniu o secretariado para levantar prioridades, necessidades e possíveis mudanças que serão analisadas pelo grupo de trabalho criado para planejar os próximos 4 anos.

Ao falar sobre a composição da futura equipe e uma eventual pressão de aliados por espaço no governo, Riedel afirmou que não pretende distribuir cargos com base em acordos partidários.

A primeira etapa será justamente definir a estrutura. Riedel afirmou que, na reunião desta manhã, determinou que os secretários apresentem ao grupo de trabalho suas demandas, necessidades e prioridades.

O levantamento servirá para preparar os contratos de gestão de 2027 e também o PPA (Plano Plurianual) para o período de 2027 a 2030.

Entre os pontos que serão avaliados estão estrutura de pessoal, uso de tecnologia e possíveis reorganizações administrativas. A intenção é concluir esse desenho até o fim de novembro.

Caso as alterações dependam de mudanças na legislação, projetos deverão ser encaminhados à Assembleia Legislativa. “Sempre tem espaço para uma ‘melhorinha’”, disse o governador ao falar da busca por maior eficiência.

Riedel reforçou que pretende evitar o caminho inverso, no qual primeiro se escolhem os integrantes da equipe para depois adaptar os órgãos a eles. “Eu não estou olhando os nomes para a equipe, eu estou olhando a estrutura”, afirmou.

Segundo ele, definir primeiro processos e estrutura permite buscar eficiência sem que o desenho administrativo seja influenciado por quem ocupará determinado cargo.

Apesar de já ter iniciado esse planejamento, Riedel disse que outubro continuará marcado pela campanha eleitoral. O governador pretende participar do segundo turno da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.

Uma reunião do PL em Brasília, nesta quarta, deve definir estratégias de campanha e o governador diz que está disponível para atuar no Estado ou mesmo se o chamarem para agendas nacionais em favor de Bolsonaro.

Até o segundo turno, segundo ele, assuntos importantes envolvendo o Governo Federal tendem a avançar pouco. Sobre metas para o segundo mandato, Riedel voltou a defender a expansão da atividade econômica como caminho para reduzir desigualdades entre os municípios.

Na avaliação dele, isso não exige necessariamente a instalação de uma fábrica em cada cidade, mas a criação de vetores econômicos capazes de gerar empregos e aumentar a renda regional.

Nesse grupo de trabalho que foi criado para fazer um plano de gestão, o senhor vai participar dele, já deu as diretrizes do que o senhor quer desse grupo, queria que o senhor falasse disso.

Já. Tive uma reunião hoje de manhã com todos os secretários. Todos eles estarão reportando ao grupo de trabalho as suas demandas, necessidades, prioridades. Porque só para você entender a lógica, a gente começa a definir agora os contratos de gestão para 27.

Então, além de olhar os contratos de gestão de 27, a gente vai subindo assim a escala, nós vamos olhar para o PPA, que é de 27 a 30. Então nós vamos fazer o contrato de gestão 27, olhar o planejamento 30 e a demanda em termos de otimização de estrutura para poder atender a esses objetivos.

E quando eu falo a demanda dos secretários, com foco na otimização da estrutura de pessoal, incremento de tecnologia, reorganização às vezes estrutural, tudo isso está na mesa.

E aí, fruto dessa discussão, é que a gente vai, nosso objetivo é até 20 e poucos de novembro, final de novembro, a gente estar com tudo isso definido para, caso necessário seja, enviar os projetos de lei para a Assembleia.

O senhor falou em eventual reorganização estrutural. Eu já tinha visto o senhor falar isso ontem, nas outras entrevistas que deu. O senhor não parece sinalizar a necessidade de reorganizar a sua estrutura, né.

Sim, sempre tem espaço para uma “melhorinha”, né? E a gente vai buscar qualquer aumento de eficiência.

O senhor está sendo procurado já pelos aliados que ajudaram, os que não foram eleitos? Já tem gente querendo garantir um pedaço de participação no seu governo.

Não, não. Até a gente está conversando com muita gente... Muito recente, né? Terça-feira, eu não consegui nem conversar com os eleitos todos ainda. A gente tem conversado com muita gente, mas não tem sido essa a discussão.

Eu acho que, eventualmente, qualquer conversa nesse sentido vai ser para frente. Até porque eu tenho uma posição muito clara que eu tive desde o primeiro mandato e vou manter agora, de que a gente não loteia governo.

A gente tem dentro dos nossos quadros pessoas comprometidas com os objetivos daquela área.

Isso não quer dizer que alguma pessoa que venha para o governo possa ter uma relação político-partidária em relação a algum grupo. São coisas distintas, mas é o inverso.

O senhor disse que ainda não conversou com os eleitos. O senhor quer chamar todo mundo que foi eleito do Legislativo para acertar com o senhor? Ou quer fazer reunião com os estaduais, com os federais separados.

A gente tem que observar muito o timing das coisas. A gente vai fazer essa reunião, mas nós temos uma eleição.

25 de outubro é a eleição. Nós estamos envolvidos nessa eleição. A gente vai continuar o trabalho eleitoral até 25 de outubro. Aí eu acho que a gente tem uma visibilidade geral dessa composição política nacional, estadual e tudo mais.

Não tem nada que seja muito relevante, conectado ao Governo Federal, que tenha que ser tratado nesse mês? Nesse mês da eleição as coisas vão ficar meio em segundo do plano.

Nesse mês não. Tem muita coisa com o governo federal, como a gente falou. Você tem a discussão de Teto MAC (Média e Alta Complexidade), que eu venho tratando desde o início do ano.

Você tem as ferrovias, que tenho cobrado duramente a publicação do edital, que não aconteceu. Então a gente tem eventos importantes em andamento no Governo Federal, que impactam diretamente o Estado.

Não impacta, na verdade, porque a gente está colocando mais recursos nossos. Não chega a impactar serviço porque a gente aporta, mas é uma injustiça com o Estado.

Esses nomes aí da linha de frente, os quatro que saíram para a campanha- Jaime Verruck, Viviane Luísa, Eduardo Rocha e Marcelo Miranda - que eram os mais próximos ao senhor, eles vão ter alguma preferência em discutir o futuro ou isso ainda também é um momento incerto.

Também tem momento certo. Agora nós vamos olhar a eleição até dia 25, a eleição nacional. Aí depois nós vamos, e eu não estou olhando os nomes para a equipe, eu estou olhando a estrutura.

Quando a gente define processo e estrutura, é independente, porque se a gente começar a discutir nome, você tem a influência de montar a estrutura a partir do nome.

E quando você quer o máximo de eficiência, você define a estrutura e depois traz o nome. Isso todo mundo está ciente.

O senhor falou que esse mês é o mês da campanha. Onde o senhor se vê na campanha nacional esse mês aqui no Estado? O senhor vai visitar as cidades do interior? O senhor ganhou em todas as cidades.

Eu vou nas maiores. Eu vou fazer uma análise de onde a gente pode contribuir para aumentar a votação do Flávio aqui no Estado. E vou estar à disposição da campanha nacional, se preciso for, para alguma missão política fora do Estado.

Os dois senadores eleitos são bem próximos da nacional do PL. Eles já disseram como vão se engajar.

A gente vai ter uma reunião amanhã (nesta quarta-feira) em Brasília, do PL com o candidato. O PP vai ter reunião também. A gente está em um movimento de discussão de como vai ser o engajamento, qual vai ser a estratégia, a linha.

Olha, é um sentimento interessante. Claro que é satisfação, né? Feliz, porque eu acho que esse resultado é consequência de um trabalho, consequência de objetivos alcançados, de entrega.

Por outro lado, alguém me perguntou isso, do tipo, agora você está confortável, está tranquilo? Não, eu estou com um senso de responsabilidade muito maior em cima de mim.

Feliz pelo resultado, mas com um peso muito maior em termos de responsabilidade para o futuro.

O senhor pensa em voltar a algumas cidades agora nessa campanha do Flávio Bolsonaro também para agradecer aos eleitores.

No fim de semana, eu vou ver se consigo falar com todos os prefeitos. Eu não tive tempo de absolutamente nada. A gente deve ter uma reunião com os prefeitos na semana que vem.

Vai ser uma oportunidade importante de agradecer a cada um deles. Eu, daqui para o final do ano, tenho agenda em todas as cidades, várias, todas não, mas boa parte delas.

Porque o Estado não para. A gente sempre fica muito presente. Ao contrário do que a gente ouve sobre o governo de gabinete, não é bem assim. O governador de gabinete está nos 79 municípios várias vezes no mandato.

E vai ser uma oportunidade de agradecer não só ao prefeito, o que vou fazer nessa nossa reunião, mas às lideranças locais, aos vereadores, às lideranças da sociedade civil, aos apoiadores.

O senhor mencionou que foi cutucado na campanha sobre governo de gabinete. Teve um assunto que foi bastante discutido na eleição, que é sobre como descentralizar a riqueza.

Eu até perguntei para o senhor uma vez: todo prefeito quer uma fábrica. Como o senhor disse isso de diminuir a extrema pobreza no Estado, como o seu segundo governo pode ajudar a descentralizar a riqueza e estender mais resultados para cidades muito pequenas.

Foi em Paraíso (das Águas), 83%. Você já respondeu. Você respondeu quando você fala assim, todo prefeito quer uma fábrica. Esse é o caminho para descentralizar a riqueza.

Bolsa é um instrumento que se tem para não deixar a demanda, a necessidade extrema bater na porta. É um instrumento fundamental de assistência social. Mas não é um instrumento para você, de maneira permanente, construir justiça social.

Não, mas tem como estimular o desenvolvimento em cada um. Paraíso das Águas, que você citou, com 84% de votação, não tem nenhuma fábrica e nenhum investimento novo direto no município.

Mas está sofrendo a consequência da transformação que nós fizemos lá de infraestrutura, a consequência da fábrica da Arauco, lá em Inocência, a quase 200 km, por ser um município muito pequeno, por ter uma atividade de transformação do território, em florestas plantadas, demanda por emprego, demanda por novos postos de trabalho.

A renda média de Paraíso fez assim. A formalização do trabalhador, a renda média. Esse é o caminho para você descentralizar a riqueza.

Então é o inverso do que foi colocado. Ah, está dando incentivo só para o bilionário. Não, não, não é verdade. Um incentivo, ele promove a distribuição de renda, ele promove o aumento da renda média.

Isso é descentralizar a riqueza, de maneira perene, não é doar todo mês um valor X, porque isso não é sustentável. Isso quebra o ente e você não cria oportunidade de saída.

Quando isso vem associado à educação, aí você tem um longo prazo formado. Crescimento, desenvolvimento e educação. Igual à renda maior. Isso é no mundo inteiro.

Por que seria diferente aqui? Porque aqui a esquerda resolveu que a distribuição de renda é o único caminho para você resolver o problema da justiça social.

Não, ele é o caminho para você mitigar problema de fome, problema de segurança alimentar, problema de miséria, que deveria ser no curto prazo, só que ela não está atuando sobre o desenvolvimento.

Pelo contrário, ela está pressionando o desenvolvimento ao fazer uma gestão sem equilíbrio fiscal, que tem como consequência juros de 20%.

O senhor começou o seu governo com a meta de 15% de recursos para investimentos, mas houve queda na arrecadação do gás natural e teve que baixar esse percentual.

Há algumas regiões que precisam mais, pensando nisso, em levar investimento, por que o investimento de fato traz mais emprego? A obra leva pessoas para lá e também investimentos privados.

É muito em função da demanda de infraestrutura e não levar a obra com o objetivo de gerar emprego; a atividade econômica é uma consequência. A obra tem que ser uma demanda necessária para a competitividade da região e a consequência é a atividade econômica, mais emprego, mais gente ali fomentando e tal.

Só que isso também é temporário. Então, para essas regiões a gente tem que levar uma condição onde o desenvolvimento se faça presente através de algum vetor de investimento, porque quando você cria um vetor de investimento naquela região, ela estimula uma série de outros.

Tem um filme da campanha que foi, por acaso, lá em Paraíso das Águas, que tem um investimento, não tem nada a ver com floresta plantada, nada a ver com essa área, é um investimento de energia renovável.

É a segunda maior planta de geração de energia fotovoltaica do Brasil. Tem lá quase 2. 700 pessoas trabalhando. Aí na praça, uma pessoa me abraça, fala assim: obrigado.

Ele virou um empresário, ele era garçom. No restaurante pequeno, o cara é uma alegria, virou um empresário, montou uma cozinha industrial, fez acontecer. E ganha dinheiro, está empregando, tem lá 15 pessoas com ele trabalhando, carteira assinada, ganhando.

Finalizando, o senhor disse que quer tudo pronto no grupo de trabalho até o final de novembro, se for o caso de mudar leis, e chegar em janeiro com tudo pronto.

Isso, isso. Eu não quero deixar a estrutura pendente para janeiro. O que você pode ter pendente é de projeto de lei, de organização, o que você pode ter ainda para janeiro é preenchimento de quadro de pessoal, você vai alocando seus valores, seus talentos ali onde estiver.

Em números

  • E ganha dinheiro, está empregando, tem lá 15 pessoas com ele trabalhando, carteira assinada, ganhando

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