Ir para o conteúdo

Terça-feira, 6 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 30°C Céu limpo

Entretenimento

Luzes e sombras da relação visceral de Aldir Blanc com a mulher Mari Sá Freire são expostas em filme

Atração do Festival do Rio, o documentário 'Fui olhar você dormir', de Anna Azevedo, tem narrativa baseada em dois mil bilhetes escritos por Aldir para a esposa

3 min de leitura
Luzes e sombras da relação visceral de Aldir Blanc com a mulher Mari Sá Freire são expostas em filme

Roteiro: Anna Azevedo e Cláudio Uchôa.

Um deles, “Aldir Blanc – Resposta ao tempo”, ratifica a transcendência da obra musical do compositor. O outro, “Fui olhar você dormir”, está focado na esfera íntima e pessoal de Aldir Blanc Mendes (2 de setembro de 1946 – 4 de maio de 2020) com a companheira de vida, Mari Lúcia de Sá Freire, com quem o artista viveu por quase 34 anos.

Ao longo de todo esse tempo, o compositor escreveu cerca de dois mil bilhetes para a mulher. É esse relicário afetivo que Mari abre diante das câmeras da cineasta Anna Azevedo, diretora do filme, roteirizado por Anna com Cláudio Uchôa.

A abertura desse escapulário faz espocar na tela uma relação visceral, pautada por amor profundo, dependência emocional, luzes e sombras. Filme que tem sessões no Festival do Rio até amanhã, 7 de outubro, “Fui olhar você dormir” é joia de sensibilidade por dissecar as entranhas da alma por vezes sombria de Aldir, desnudada pelo próprio bardo através dos bilhetes.

É especialmente reveladora no filme a passagem que revela o fato de Mari ter sido impelida a abreviar uma viagem por Canadá e Estados Unidos em dezembro de 1994 porque Aldir – o Pitoco, assim chamado na intimidade conjugal – adoecia de saudade da esposa, perdendo alguns quilos em poucos dias.

O fato de encadear numerosas imagens da intimidade do casal e da família – desde sempre documentada em fitas VHS e celulares – confere legitimidade à narrativa e impede a produção da Butterfly Filmes de ficar maçante ao longo dos 72 minutos de duração.

É como se as imagens fossem a trilha sonora dos bilhetes. Ou vice-versa.

Se o alcoolismo muitas vezes nublou a relação de 34 anos até o vício ser enfrentado por Aldir, a presença dos netos na casa cheia foi outras vezes a luz que iluminou a vida do artista.

Luz bem-vinda porque ideias destrutivas sempre rondavam a mente desassossegada do ourives do palavreado.

Como a escrita é referendada pelas imagens que abrem a porta da casa do casal, o filme “Fui olhar você dormir” vai enredando o espectador na trama familiar até o fim do filme.

A cena em que Mari joga cinzas de Aldir Blanc no mar, ao som de versão em português de “Moonlight serenade” (Glenn Miller, e Mitchell Parish, 1939), escrita e cantada pelo próprio Aldir, deixa a certeza de que, em essência e sobretudo, “Fui olhar você dormir” é filme que conta a história de um grande amor que, assim como a obra do bardo, também transcendeu a existência física de Aldir Blanc Mendes, o Pitoco.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Entretenimento