Na sessão realizada nesta quinta-feira (8), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, por unanimidade, a impugnação da candidatura de Jerson Domingos à vaga de deputado estadual em Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada após o Ministério Público Eleitoral ter protocolado o pedido em agosto, alegando a participação do candidato em uma organização criminosa investigada na Operação Omertà.
O que motivou a impugnação
O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, Nunes Marques, André Mendonça e Estela Aranha. O pedido baseou-se em denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apontou Jerson como um dos responsáveis por “impedimento ou embaraço à investigação de organização criminosa, em sua forma majorada”. O candidato, que já foi deputado estadual por cinco legislaturas (1995‑2015) e presidente da Assembleia Legislativa (2007‑2015), teria dificultado investigações em curso.
A Procuradoria Eleitoral justifica a ação como forma de proteger o processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas. Jerson Domingos, que recebeu 16.884 votos na eleição de 4 de outubro de 2026, estava registrado como suplente da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP.
O que acontece agora
Jerson afirmou que aguardará a publicação do acórdão para avaliar a viabilidade e o interesse de recorrer. A decisão, ainda que unânime, fica sujeita à análise de eventual recurso, que pode ser interposto pela defesa do candidato.
Outros candidatos também sob investigação
O Ministério Público Eleitoral também contestou a candidatura de Jamilson Name, do PP, que já foi eleito deputado estadual em 2022 e disputou a reeleição em 2026, tendo obtido 35.211 votos. O pedido de impugnação ainda não foi julgado; a data da análise permanece indefinida.
Jamilson é réu em processos relacionados à Operação Omertà, incluindo crimes de organização criminosa, exploração ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro. Após a prisão de seu pai e irmão, ele teria assumido um papel de liderança na exploração do jogo do bicho, conforme acusações. O Ministério Público Eleitoral solicitou a declaração de inelegibilidade do candidato, citando sua condenação na sexta fase da operação, que lhe impôs oito anos de prisão e 26 dias-multa.
Contexto histórico de Jerson Domingos
Além de sua carreira legislativa, Jerson também presidiu o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul em 2015 e atuou interinamente como governador durante períodos de ausência do então chefe do Executivo, André Puccinelli. Apesar de seu histórico de cargos públicos, a decisão do TSE marca um ponto crítico em sua trajetória política, encerrando sua participação na corrida eleitoral de 2026.
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