Ir para o conteúdo

Corumbá - MS | Sábado, 31 de outubro de 2026 | 17:59

ULTRA CONECT
Eleições 2026

MAPA: Como votaram os municípios com maior presença evangélica no Brasil

Cruzamento entre dados do Censo 2022 e o resultado do 2º turno das eleições presidenciais mostra que a religião acompanha o voto no Centro-Oeste e Nordeste, mas

5 min de leitura
MAPA: Como votaram os municípios com maior presença evangélica no Brasil

Derrotado por Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve seu melhor desempenho nos municípios onde os evangélicos pesam mais na população.

  • MAPAS: veja como os estados votaram para presidente no 2º turno.

É o que mostra o cruzamento entre os dados de religião do Censo 2022, do IBGE, e a votação de domingo (25), município a município. A totalização do TSE confirmou a reeleição de Lula para um quarto mandato, com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do candidato do PL.

Nas cidades, o desempenho do senador variou de 7,6% a 90,5% dos votos válidos. Já a fatia de evangélicos na população ia de 1,2% a 88,7%. Para comparar as duas medidas, cada uma foi dividida em três faixas — baixa, média e alta —, o que resulta em nove combinações possíveis no mapa abaixo.

O retrato dessa associação está no Centro-Oeste. Ali, 42% dos municípios estão no grupo de maior presença evangélica e, ao mesmo tempo, de maior votação no candidato do PL.

A mancha roxa se estende de Mato Grosso a Goiás e avança por Rondônia, Tocantins e o sul do Pará.

A proporção de moradores evangélicos está associada à divisão do voto entre Lula e Flávio no segundo turno, mas essa relação varia bastante pelo país. Quando os municípios são agrupados de acordo com o percentual de evangélicos, a vantagem muda de lado na faixa entre 20% e 40%.

Nos 502 municípios em que os evangélicos representam até 10% da população considerada pelo levantamento, Lula obteve 68,5% dos votos válidos, ante 31,5% de Flávio.

Na faixa seguinte, entre 10% e 20% de evangélicos, Lula ainda liderou por 61,3% a 38,7%, considerando 1. 929 municípios.

A diferença diminui na faixa de 20% a 30% de população evangélica, formada por 1. 819 municípios: Lula aparece com 51,3% dos votos válidos, contra 48,7% de Flávio.

A partir dos 30%, o resultado se inverte. Nos 973 municípios com proporção de evangélicos entre 30% e 40%, Flávio alcançou 54,2% e Lula, 45,8%. Entre 40% e 50%, o placar foi de 54,6% a 45,4%.

E nos 58 municípios em que mais da metade da população é evangélica, Flávio chegou a 55,2%, enquanto Lula ficou com 44,8%.

A relação, porém, não se repete com a mesma intensidade em todo o território nacional. O cálculo da correlação entre a proporção municipal de evangélicos e a votação de Lula mostra diferenças entre os estados.

Centro-Oeste: Fé e voto na mesma direção. É onde o padrão aparece com mais nitidez. Goiânia, Campo Grande e Cuiabá têm proporção de evangélicos acima da média nacional, e Flávio venceu com folga nas três.

Em Anápolis (GO), onde a presença evangélica é ainda maior, a vantagem do candidato do PL foi ainda mais ampla.

Nordeste: Em 55% dos municípios da região, os evangélicos são proporcionalmente poucos e Flávio teve votação baixa. No outro extremo, o interior nordestino concentra cidades com menos evangélicos e votação expressiva de Lula.

Juazeiro do Norte (CE), polo de romarias católicas, é um dos exemplos. Entre as grandes cidades, Salvador e Teresina deram ampla vantagem a Lula.

A região foi o principal reduto de Lula: ainda no primeiro turno, Lula liderou no Nordeste, enquanto Flávio foi melhor no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte.

Sul: Flávio é forte mesmo sem evangélicos. Aqui a religião praticamente não explica o voto. Montauri (RS) é a cidade com menor proporção de evangélicos do país e, ainda assim, deu vitória larga a Flávio.

O mesmo vale para Caxias do Sul (RS) e Florianópolis (SC), de maioria católica. No mesmo estado fica Arroio do Padre (RS), o município mais evangélico do Brasil, que também votou em peso em Flávio: no Sul, o candidato do PL teve vantagem nos dois extremos.

No Norte acontece o inverso. Em grandes extensões do Amazonas e do Pará, a presença evangélica é alta, mas a votação de Flávio ficou na faixa intermediária ou baixa.

Isso significa que, nesses estados, municípios com percentuais maiores de evangélicos tendem a registrar percentuais menores de votos em Lula. Correlação, no entanto, não demonstra que a religião tenha causado o resultado eleitoral.

O indicador mostra que as duas variáveis se movimentam juntas, sem isolar outros fatores que também diferenciam os municípios.

O mapa nacional mostra que a composição religiosa não explica sozinha a geografia eleitoral. Há áreas do Centro-Oeste onde percentuais elevados de evangélicos coincidem com votação elevada em Flávio, enquanto partes do Sul registram força eleitoral de Flávio mesmo sem uma correspondência semelhante entre as duas variáveis.

O mapa reforça o que as pesquisas de intenção de voto já indicavam. No Datafolha feito em 6 e 7 de outubro, logo após o primeiro turno, Flávio tinha 69% de intenção de voto entre os eleitores evangélicos, contra 25% de Lula.

Ao contrário do pai, Jair Bolsonaro (PL), que se declara católico, Flávio foi batizado na fé evangélica.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Trump posta imagem com Groenlândia como um porta-aviões dos EUA
Política

Trump posta imagem com Groenlândia como um porta-aviões dos EUA

## Ilha é considerada estratégica para a segurança norte-americana e foi alvo de negociações. A montagem mostra a bandeira dos Estados Unidos sobre uma estrutura militar no território e traz a frase “Welcome to Greenland

Em Política