Ir para o conteúdo
Economia

Tesouro IPCA+ volta abaixo de 8% com Treasuries em queda e Jackson Hole no radar

Rendimentos dos Treasuries caem mesmo com Washington ampliando sanções contra Teerã; mercado precifica cerca de 85% de chance de novo corte da Selic em setembro

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

As taxas do Tesouro Direto recuam de forma generalizada nesta terça-feira (25), acompanhando o alívio nos rendimentos dos títulos americanos. O Tesouro IPCA+ 2032 voltou a operar abaixo de 8% ao ano, caindo de 8,01% na segunda-feira para 7,97% nesta manhã.

As maiores quedas do dia, todas de 4 pontos-base, ficaram distribuídas entre os dois grupos de títulos. Além do IPCA+ 2032, recuaram nessa intensidade o IPCA+ com Juros Semestrais 2045, de 7,51% para 7,47%, o IPCA+ com Juros Semestrais 2060, de 7,37% para 7,33%, e o Prefixado 2029, de 14,18% para 14,14%.

Nos demais vencimentos, o IPCA+ 2040 caiu de 7,51% para 7,48%, o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 foi de 7,71% para 7,68%, e o IPCA+ 2050 recuou de 7,31% para 7,29%.

Nos prefixados, o 2032 caiu de 14,54% para 14,51%, e o com Juros Semestrais 2037 foi de 14,53% para 14,50%.

O movimento acompanha o recuo nos juros americanos, que cedem mesmo diante da escalada no Oriente Médio. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira uma ampliação das sanções contra o Irã, alertando outros países para que cortem laços comerciais com Teerã sob risco de serem excluídos do sistema financeiro baseado em dólar.

Ainda assim, o rendimento do Treasury de dois anos caía 2 pontos-base, a 4,219%, enquanto o de dez anos recuava 4 pontos-base, a 4,668%.

Deixe o mercado de títulos falar”: Druckenmiller dá puxão de orelha em Bessent.

Em artigo no Wall Street Journal, o gestor que foi chefe do secretário do Tesouro dos EUA critica proposta de intervenção e aponta desgaste na credibilidade do mercado de Treasuries.

O mercado segue apostando em novo corte da Selic, hoje em 14% ao ano, na reunião de setembro. A precificação das opções de Copom negociadas na B3 na última sexta-feira indicava cerca de 85% de chance de redução de 25 pontos-base no próximo mês, contra aproximadamente 15% de manutenção.

Para a reunião de novembro, as probabilidades ficavam mais equilibradas, com 42,1% de chance de novo corte e 40,1% de manutenção.

Apesar da queda desta manhã, a leitura predominante é de um mercado ainda lateral, com forças equilibradas nas duas direções. De um lado, a perspectiva de desaceleração da atividade e a expectativa de continuidade do ciclo de cortes limitam uma abertura mais forte da curva.

De outro, a alta do dólar, o risco geopolítico e a maior incerteza política doméstica sustentam prêmio nos vencimentos mais longos.

O restante da semana concentra eventos capazes de dar direção mais clara à curva. No Brasil, saem o IPCA-15 e dados de atividade e emprego. No exterior, os investidores aguardam o núcleo do índice de preços PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, e o discurso de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole, marcado para sexta-feira.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h28 desta terça-feira (25).

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Economia
Milhares de pessoas protestam na Espanha contra crise habitacional
Mundo

Milhares de pessoas protestam na Espanha contra crise habitacional

Os protestos ocorreram um dia após o Parlamento rejeitar propostas apresentadas pelo governo. Alguns manifestantes carregavam cartazes pedindo uma greve geral. As medidas rejeitadas haviam sido elaboradas após a revolta

Em Mundo