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Corumbá - MS | Quarta-feira, 4 de novembro de 2026 | 19:31

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Economia

Escândalo em banco do Paraguai tem oito presos, protestos e pedido de impeachment do presidente

Oito pessoas são detidas por ligação com fraude no Ueno Bank; Banco Central decretou fechamento da instituição

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

São Paulo As denúncias de fraude envolvendo o ueno bank, no Paraguai, levaram à prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira, protestos em frente às agências bancárias e o anúncio de fechamento do banco, que é grafado com letras minúsculas, e do início do processo de recuperação judicial.

Os desdrobramentos ocorreram no dia seguinte ao anúncio da renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, nomeado ao cargo pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, que foi investidor da holding do ueno bank até março de 2025.

Manifestantes protestam em Assunção após fechamento do Ueno Bank, no Paraguai - Daniel Duarte/AFP Os deputados de oposição ao governo também começaram a coletar assinaturas para entrada do pedido de impeachment de Peña por suposta responsabilidade no desvio de verbas públicas para o Ueno Bank, de acordo com informações ao jornal ABC Color.

Carvallo e o Banco Central estão sob pressão pela forma como supervisionaram o banco e por seus laços políticos. De acordo com o Financial Times, Carvallo havia dito anteriormente que se declararia impedido de participar de decisões envolvendo o Ueno.

A Procuradoria do Paraguai pediu nessa terça-feira (3) a abertura de uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o banco.

Fundado como fintech em 2021, o Ueno obteve rapidamente uma licença bancária e afirmava ter conquistado mais de 60% dos adultos paraguaios como clientes, mais que qualquer outro banco.

Abriu dezenas de agências luxuosas e fez uma campanha de marketing onipresente, que incluiu o patrocínio da seleção nacional de futebol.

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco tem cerca de 3 milhões de clientes. Cresceu de uma fintech local de nicho para um banco de médio porte, em trajetória semelhante à de fintechs como Monzo e Nubank.

O presidente havia minimizado repetidamente as preocupações com o banco.

Policiais tentam conter manifestante em protesto contra fechamento do Ueno Bank nas ruas de Assunção - Daniel Duarte/AFP Nos últimos meses, o Ueno enfrentou o escrutínio de reguladores e da imprensa por supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que preocupou investidores e pesou sobre os títulos do banco com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos do Paraguai.

Segundo o Financial Times, o banco realizou em março a maior emissão de títulos corporativos da história do país, mas as ações caíram bruscamente desde então. No mês passado, a agência Fitch revisou para negativa a perspectiva da nota de crédito de longo prazo do Ueno, citando "crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis.

O caso testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte dele do Brasil. De acordo com o Financial Times, embora a economia do país tenha crescido rapidamente e obtido grau de investimento nos últimos anos, críticos afirmam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e o mundo empresarial continuam a complicar as operações.

O gabinete de Peña e o Ueno Bank não responderam aos pedidos de resposta do Financial Times.

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  • Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o banco tem cerca de 3 milhões de clientes

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