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UFRJ faz diplomações póstumas em reconhecimento a vítimas da ditadura

Durante o ato, o reitor Roberto de Andrade Medronho disse que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça.

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Histórias interrompidas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) durante a ditadura militar no Brasil foram reconhecidas com a diplomação póstuma de 23 estudantes e professores.

A lista também inclui dois que conseguiram se formar na instituição.

A cerimônia, nessa quarta-feira (9), ocorreu no mesmo dia em que a UFRJ celebrou 106 anos de fundação e significou um ato histórico de reparação e homenagem àqueles que lutaram pela democracia e pela universidade pública.

Durante o ato, o reitor Roberto de Andrade Medronho disse que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça. Mas, sobretudo, da determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu nos anos sombrios, a partir de 1964.

O então estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca foi um dos homenageados. Por causa da militância estudantil, ele havia sido expulso da UFRJ, abandonou o emprego e a vida na capital.

Para fugir da repressão, se mudou com a família para o Recife, mas foi capturado e levado a uma dependência do Exército, onde foi torturado e morto. A mulher e o filho, então com três anos, ficaram presos por 20 dias.

O filho, André Luiz Araújo da Fonseca, hoje com 56 anos, é professor na UFRJ. Ele recebeu o diploma em nome do pai e disse que o documento simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo.

A repressão vai direto na universidade, para meio que atrapalhar a produção do conhecimento, a discussão. Desorganiza isso para se impor, para diminuir o dissenso, a opinião contrária.

Meu pai foi expulso da universidade antes mesmo de ser militante. Ele foi expulso ao fazer política estudantil. E minha mãe voltou e só se formou 15 anos depois.

Eu fui na formatura dela. Agora estou indo na do meu pai.

O jornalista Franklin Martins, que era presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ em 1968, destacou o papel do movimento estudantil, dos jovens e dos professores na linha de frente da resistência contra a repressão estatal.

E disse que a recuperação dessa memória serve de exemplo para as lutas sociais, ainda hoje necessárias.

O levantamento dos nomes dos homenageados foi feito pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ com base nos relatórios oficiais do país.

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