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Agronegócio

Controle biológico ajuda a reduzir pulgão-do-sorgo em lavouras de MG

Estudo da Embrapa Milho e Sorgo mostra relação entre controle biológico, chuva e ocorrência de pragas em lavouras

4 min de leitura
Controle biológico ajuda a reduzir pulgão-do-sorgo em lavouras de MG

A presença de moscas-sirfídeo contribuiu para reduzir a população do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) em lavouras de sorgo forrageiro de Minas Gerais. O resultado foi observado em áreas sem aplicação de inseticidas, onde a preservação de insetos predadores favoreceu o controle biológico da praga.

O estudo foi conduzido pela Embrapa Milho e Sorgo (MG), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), durante duas safras. Os pesquisadores compararam áreas com e sem aplicação de inseticidas e fizeram o acompanhamento semanal das populações de pragas e de insetos presentes nas lavouras.

Os resultados apontaram que o uso de defensivos, as condições climáticas e a presença de inimigos naturais interferem na população dos pulgões. O trabalho reforça a aplicação do Manejo Integrado de Pragas (MIP) no cultivo de sorgo.

Moscas-sirfídeo atuam sobre o pulgão.

O pulgão-do-sorgo foi a praga com maior ocorrência nas áreas avaliadas. A população atingiu o pico durante o estágio vegetativo das plantas e apresentou relação com a presença de predadores da família Syrphidae, que reúne as moscas-sirfídeo, também chamadas de moscas-das-flores.

As larvas desses insetos atuam como predadoras de pulgões. Joaninhas, da família Coccinellidae, também participaram do controle das populações observadas no estudo.

A pesquisa identificou que a ausência de aplicação de produtos químicos favoreceu a presença desses inimigos naturais. Com isso, a relação entre predadores e pragas contribuiu para manter a população dos pulgões sob controle.

A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo Simone Mendes destaca a necessidade de considerar as relações entre ambiente, pragas e organismos que atuam no controle biológico.

As condições climáticas também influenciaram a ocorrência dos insetos. Durante os períodos de chuva, os pesquisadores observaram redução na população de pulgões no campo.

Segundo Simone Mendes, a temperatura, a umidade relativa e a precipitação interferem na dinâmica populacional da praga.

A pesquisa também registrou a presença do pulgão-do-milho (Rhophalosiphum maidis). A população dessa espécie aumentou na segunda safra avaliada, período que teve maior volume de precipitação.

O Melanaphis sorghi permanece na parte inferior das folhas e nas folhas mais baixas das plantas. A localização dificulta o monitoramento das lavouras e pode atrasar a identificação da infestação.

A fumagina se desenvolve sobre a substância açucarada produzida pelos pulgões. A presença do fungo interfere na fotossíntese das plantas e pode afetar a qualidade da silagem.

O acompanhamento das lavouras é uma das medidas indicadas pelos pesquisadores para identificar a presença da praga antes do aumento da população. “Monitorar as lavouras é parte fundamental do manejo dessa praga”, afirma Mendes.

O controle químico também deve considerar a preservação dos inimigos naturais. Segundo a pesquisadora, a escolha de produtos seletivos pode contribuir para manter joaninhas e moscas-sirfídeo nas áreas de cultivo.

Ela acrescenta que a manutenção desses organismos ajuda a manter a população de insetos-praga abaixo de níveis que causem perdas econômicas à cultura.

Sorgo tem uso na produção de silagem.

O estudo também avaliou a ocorrência de outros insetos-praga, como a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a broca-da-cana. A pesquisa buscou informações para orientar estratégias de manejo em lavouras destinadas à produção de sorgo forrageiro.

O sorgo é utilizado na produção de silagem por apresentar produção de massa verde e concentração de energia. A cultura também apresenta tolerância a condições de seca e calor em comparação com o milho.

Sorgo selvagem entra no monitoramento.

Outra frente apontada pelos pesquisadores envolve plantas que podem servir de hospedeiras para o pulgão na entressafra.

Estudo recente citado pelos pesquisadores indicou que milho e milheto não têm papel relevante como hospedeiros do Melanaphis sorghi. O capim-massambará, também conhecido como sorgo selvagem, deve ser avaliado como possível reservatório da praga.

Os resultados reforçam a necessidade de combinar monitoramento, avaliação das condições climáticas, preservação de inimigos naturais e uso criterioso de inseticidas no manejo do pulgão-do-sorgo.

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