A IBM superou as expectativas de analistas no terceiro trimestre de 2026, impulsionada pelo crescimento da divisão de software e pela recuperação de contratos que haviam sido adiados.
- A divisão de software foi o principal destaque do trimestre. A área gerou US$ 7,8 bilhões (aproximadamente R$ 42,1 bilhões) em receita, crescimento de 8% em relação ao ano anterior e acima das projeções do mercado.
- Dentro do segmento, as receitas relacionadas a dados cresceram 19%, enquanto os negócios de nuvem híbrida avançaram 11%. A área de processamento de transações também registrou alta de 9%, recuperando-se de queda inesperada no trimestre anterior.
- A melhora ocorreu após contratos que haviam sido adiados no segundo trimestre começarem a ser fechados. Segundo o diretor financeiro da IBM, James Kavanaugh, aproximadamente 25% da receita de processamento de transações veio desses acordos postergados. Os outros 75% corresponderam a novos negócios.
- Com a recuperação, a IBM elevou a previsão de crescimento anual da receita de software para uma faixa de 7% a 8%. Antes, a expectativa era de expansão entre 6% e 8%.
- O desempenho também responde a preocupações que haviam pressionado as ações da empresa após os resultados anteriores. Em julho, Krishna reconheceu dificuldades para acompanhar a mudança nos gastos dos clientes, que passaram a direcionar mais recursos para infraestrutura de data centers.
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A companhia também elevou sua previsão de crescimento anual da área e melhorou a perspectiva de fluxo de caixa livre, enquanto o CEO Arvind Krishna destacou a adoção da chamada “Super Inteligência” por clientes corporativos.
Após a divulgação dos resultados, as ações da IBM subiram cerca de 4% nas negociações posteriores ao fechamento do mercado.
Software impulsiona resultados da IBM.
Consultoria fica estagnada, enquanto infraestrutura cresce.
Apesar disso, a inteligência artificial (IA) já representa uma parcela relevante dos negócios da área. Durante uma teleconferência com investidores, Kavanaugh afirmou que projetos relacionados à tecnologia corresponderam a aproximadamente 30% da receita de consultoria no trimestre e a 35% da carteira de contratos.
O executivo também destacou que a IBM está reinvestindo ganhos de produtividade em ativos digitais para acelerar a transição para um modelo de serviços mais próximo do software.
A estratégia busca aproveitar a demanda crescente por soluções de IA nas empresas.
IBM melhora previsão de fluxo de caixa.
A companhia manteve a projeção de crescimento da receita anual entre 4% e 5%, considerando taxas de câmbio constantes. A principal mudança nas perspectivas financeiras foi a revisão da estimativa de fluxo de caixa livre.
A margem bruta ajustada, por sua vez, ficou em 58,5%, abaixo dos 59,1% esperados pelos analistas consultados pela StreetAccount.
CEO destaca adoção de “Super Inteligência”.
Ao comentar os resultados, Krishna afirmou que os clientes da IBM estão usando a chamada “Super Inteligência” para transformar operações inteiras, em vez de recorrer à tecnologia apenas para resolver problemas específicos.
A declaração acompanha a estratégia da IBM de ampliar a presença da IA em softwares, infraestrutura e serviços empresariais. No contexto apresentado pela companhia, o termo se refere à maneira como seus clientes estão aplicando essas tecnologias nos negócios, e não a um anúncio de que a IBM desenvolveu uma IA geral ou superinteligência autônoma.
Durante o trimestre, a empresa também anunciou acordo para adquirir a HRL Laboratories, antiga divisão de pesquisa da Hughes Aircraft, ligada à Boeing e à General Motors (GM).
A IBM encerrou o pregão regular de quarta-feira com suas ações acumulando queda de aproximadamente 15% no ano, enquanto o índice S&P 500 avançou cerca de 13% no mesmo período.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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