Menopausa e perimenopausa: especialista explica a diferença e como lidar com os sintomas.
- Não sou muito jovem para estar sentindo sintomas.
- Se ainda menstruo, não posso estar na menopausa.
- Tomar um antidepressivo aliviará os sintomas.
- Dormir mal, estar esquecida e ter pouca energia significa que não estou cuidando bem de mim mesma.
- A terapia de reposição hormonal é insegura.
- Alterações metabólicas e de peso (causadas pelos níveis de açúcar no sangue e insulina).
- Perda de densidade óssea e massa muscular.
- Perda de integridade dos tecidos vaginais e urinários.
Acabo de ler Guia de sobrevivência da menopausa, da médica Heather Hirsch, fundadora da Clínica de Menopausa e Meia-Idade da faculdade de medicina de Harvard. É uma daquelas obras que conseguem trazer informação acessível sem abrir mão do rigor científico, com dicas valiosas sobre essa etapa da vida que está longe de receber a devida atenção.
A própria autora diz que decidiu se especializar em transições hormonais femininas quando percebeu que, na faculdade, a educação sobre a saúde da mulher basicamente terminava com a gravidez e o parto.
Imagine: uma em cada oito mulheres desenvolverá câncer de mama, e os protocolos de saúde determinam uma mamografia anual para a detecção precoce. Curiosamente, embora a menopausa vá impactar a vida de 100% das que viverem o suficiente, pouquíssimos médicos levantarão a hipótese de perimenopausa quando pacientes, na faixa dos 30 ou 40 anos, discorrerem sobre os sintomas que estão sentindo.
À medida que passamos pela transição menopáusica, os próprios alicerces da nossa saúde de longo prazo podem se tornar mais vulneráveis. A queda nos níveis de hormônios reprodutivos tem desdobramentos relevantes que afetam os sistemas gastrointestinal, musculoesquelético e cardiovascular, o assoalho pélvico, a saúde mental e até o cérebro.
No capítulo 2, a autora enumera vários mitos que envolvem a perimenopausa.
Na sua opinião, esse último é o mito mais falso de todos. Tanto que detalha a origem do medo da reposição – assunto que já abordei algumas vezes, mas que sempre vale a pena repetir.
Um estudo que apresentava diversas falhas concluiu, em 2002, que a reposição acarretava um aumento de 26% no risco de câncer de mama, levando mulheres e médicos a jogarem suas prescrições no lixo.
No capítulo 3, ela propõe que a leitora identifique seu conjunto de sintomas da perimenopausa. A lista tem 34 itens, de acne a confusão mental, de mau cheiro corporal (resultado do aumento da testosterona em relação ao estrogênio) a sensações de choque elétrico, passando por fadiga, falta de libido, alterações de paladar, ondas de calor, suores noturnos, distúrbios de sono e ganho de peso.
Devo confessar que, apesar de escrever com frequência sobre menopausa, ignorava que o zumbido fizesse parte do rol. Há receptores de estrogênio no ouvido interno e, quando os níveis do hormônio começam a cair, você pode sentir coceira, zumbido ou ruído nos ouvidos (acufeno) e vertigem.
Sobre o sexo, a especialista lembra que a saúde sexual abrange bem mais do que hormônios e fisiologia. O ambiente, as circunstâncias de vida e os relacionamentos desempenham um papel fundamental.
Além disso, por volta dos 40 anos, a mulher pode estar com o mesmo parceiro há muitos anos. A novidade inevitavelmente se desgasta, o que tende a diminuir o desejo, sem contar que a maratona de criar os filhos afeta a libido.
Em sua clínica, ela adota o Índice de Função Sexual Feminina (Female Sexual Function Index), um questionário de autoavaliação desenvolvido para mensurar a função sexual de mulheres nas últimas quatro semanas e que percorre seis áreas da função sexual: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor/desconforto.
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