O governo americano anunciou que vai tentar contra o Irã, tradicional inimigo, a mais radical guerra econômica que o mundo já viu, e vai tentar contra o Canadá, tradicional amigo, um dos mais duros regimes de tarifas que o mundo já viu.
O mundo já viu também o presidente americano, Donald Trump, anunciar as maiores barbaridades e nem começar, sobretudo no âmbito militar. No econômico, a dúvida em levar Trump a sério vem de outra constatação.
Mesmo que ele queira partir para total guerra comercial com um amigo e total guerra econômica contra um inimigo, ele tem condições de fazer isso? O que se espalha dentro e fora dos Estados Unidos é a percepção de que os sinais vindos da economia real são desfavoráveis aos americanos.
Os números que mexem com o eleitorado americano são preço do combustível e preço do financiamento da casa própria. Ambos estão lá em cima, e a ameaça de guerra econômica total com o Irã promete que ali vão continuar.
O mesmo com uma guerra comercial com o Canadá, que afeta vários estados americanos justo antes das eleições de meio termo em novembro. Mais ainda, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, está tentando influenciar o mercado de longo prazo dos treasury bonds, títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos.
Eles demonstram grande preocupação dos investidores com juros altos a longo prazo, resultado direto de enorme gastança do governo e dívida monstruosa. Em palavras bem simples, o problema para Trump nas ameaças militares e nas ameaças econômicas é o mesmo.
No lado bélico, está faltando munição. No lado econômico, está faltando munição fiscal. Somados os dois, está faltando credibilidade.
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