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Política

Vorcaro e Bernie Madoff

A delação do banqueiro quer embaralhar os celulares

3 min de leitura
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Madoff reconheceu-se culpado e viu-se condenado a 150 anos de prisão. A Viúva depenou-o leiloando suas casas, seus 40 relógios, faqueiros e cuecas. O finório morreu na cadeia em 2021, aos 82 anos.

Desde sua prisão, Daniel Vorcaro mudou o eixo de seu caso. Fala-se mais de sua delação do que de sua fraude. Teve rejeitadas duas propostas de colaboração e trocou de advogados, juntando mais um há poucas semanas.

Com as provas, grampos e contratos já reunidos pela Polícia Federal, o futuro de Vorcaro, como o de Madoff, está escrito nas estrelas. Se ele quer falar, ótimo.

Há um risco real de o caso acabar como o desfecho do de um hipotético crime da pensão da rua Bento Lisboa.

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, um sujeito sai de um quarto com uma faca ensanguentada e, na cama, está o corpo de uma marafona esfaqueada. Chegam a polícia e o advogado do sujeito.

Às 8h45, o rádio da pensão anunciou o suicídio de Getúlio Vargas.

O advogado foi ao delegado e informou: "Doutor, os dois casos são conexos.

Se colasse, embaralhava-se o assassinato da marafona. Na vida real, quase um século depois, isso foi o que aconteceu com a Operação Lava Jato. A escalafobética delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, também rejeitada duas vezes, serviu para tudo, inclusive para colocar o juiz Sergio Moro no ministério de Jair Bolsonaro.

Só não serviu para avançar com a investigação.

Já a colaboração do tenente-coronel Mauro Cid, chefe da ajudância de ordens de Bolsonaro, teve efeito inverso.

O futuro de Vorcaro, como o de Madoff, está nos autos e o curso das investigações pode puxar os muitos fios dessa meada. O sonho do banqueiro, bem como de suas milícias políticas, financeiras e noturnas de todos, é a anulação do processo.

Ele resolve o problema do andar de cima da fraude, sem incriminar vivalma.

Se o banqueiro Daniel Vorcaro quiser colaborar com a Viúva e se a Boa Senhora quiser ouvi-lo, a conversa pode começar com a listagem dos esconderijos onde ele colocou seu patrimônio.

No lance seguinte, Vorcaro pode ser convidado a revelar suas conexões com cidadãos acima de quaisquer suspeitas a respeito dos quais a Polícia Federal já coletou dados que mantém no sigilo do inquérito.

Começando-se pelo patrimônio, o caso do Master volta ao ponto de partida. Afinal, foi para amealhá-lo que Vorcaro teceu sua rede de amizades. Livre do patrimônio, resta-lhe a sua sinceridade nas amizades que pretende proteger.

Se o doutor não quiser, mandem-no de volta para a cela.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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