O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca na manhã de 2ª feira (9.nov. 2026) para uma viagem internacional que combina articulação diplomática, negociações sobre financiamento climático e aproximação comercial com países do Sudeste Asiático.
- Lula passará bastão na COP31 e buscará continuidade climática.
- Brasil entrega mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis.
- Lula diz que Brasil chega como “o mais preparado” à COP sobre clima.
Presidente participa da COP31, busca novos aportes para o fundo de florestas e negocia ampliação do comércio com países da Asean.
O roteiro inclui a Turquia, onde participará da cúpula de líderes da COP31, e as Filipinas, onde fará a 1ª visita de Estado de um chefe de governo brasileiro.
A agenda dá ao Planalto a oportunidade de projetar o Brasil nas discussões internacionais sobre clima e ampliar sua presença em uma região considerada estratégica para o comércio exterior.
Lula também pretende avançar na relação com a Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), bloco que reúne 11 países e que tem buscado estreitar os vínculos com o governo brasileiro.
A 1ª parada será em Antália, na Turquia. Lula participará, em 11 de novembro, da abertura da cúpula de líderes da COP31, ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.
A participação do brasileiro entre os 3 oradores da abertura é tratada pelo governo como um reconhecimento do papel do Brasil nas negociações climáticas. O presidente já declarou que o Brasil chega à conferência como “o mais preparado” para discutir o tema.
A configuração da COP31 também tem um componente diplomático. Turquia e Austrália dividiram a condução do evento depois de um impasse sobre a sede da conferência.
Os turcos ficaram com a presidência da COP e a agenda de ação, enquanto os australianos conduzem as negociações.
Lula levará à reunião resultados da política ambiental brasileira e tentará mobilizar novos parceiros para o financiamento de iniciativas de preservação. Entre os assuntos está o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), mecanismo criado pelo Brasil para financiar a conservação de florestas tropicais.
Reino Unido e Países Baixos anunciaram novas contribuições, que devem ser formalizadas durante a COP31.
O Brasil já apresentou um mapa internacional para orientar a transição para longe dos combustíveis fósseis e entregou um documento com propostas para o fim da dependência dessas fontes.
A programação terá um evento sobre florestas em 11 de novembro, com participação de lideranças de Brasil, Reino Unido, Noruega, Guiana e Congo, entre outros países.
Lula também deverá discursar na sessão de pronunciamentos nacionais e participar de um encontro com representantes da sociedade civil no dia 12.
Mais de 15 pedidos de reuniões bilaterais haviam sido encaminhados ao governo brasileiro. Um encontro com Erdogan é considerado provável, mas ainda depende de confirmação.
A maior parte das conversas deverá se concentrar na manhã de 12 de novembro.
Depois da Turquia, Lula seguirá para Manila, capital das Filipinas, onde participará da 49ª Cúpula da Asean, em 15 de novembro. O presidente também fará uma visita de Estado ao país no dia 14, com reuniões reservadas e ampliadas com o presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., além de um almoço oficial e um fórum empresarial.
Será a 1ª visita de um chefe de Estado brasileiro às Filipinas. A agenda foi fechado no ano em que os 2 países completam 80 anos de relações diplomáticas.
A aproximação com o bloco asiático é um dos principais objetivos políticos da etapa final da viagem. O Brasil tenta elevar seu atual status de parceiro de diálogo setorial da Asean para parceiro de diálogo, categoria que permite ampliar os canais de coordenação política e diplomática e os projetos de cooperação.
O pedido foi formalizado pelo governo brasileiro em janeiro de 2026. A mudança depende de consenso entre os integrantes do bloco. Segundo o Itamaraty, as manifestações recebidas nas conversas com os 11 países têm sido positivas, mas a decisão ainda não foi concluída.
A visita às Filipinas também terá uma agenda comercial. O governo brasileiro quer negociar a renovação do certificado sanitário que permite a exportação de carnes ao mercado filipino.
A autorização vence em fevereiro de 2027, e sua renovação é considerada um gesto político importante para manter o acesso dos produtos brasileiros.
O fórum empresarial Brasil-Filipinas deverá reunir representantes de 113 empresas brasileiras. Entre os setores com interesse em ampliar negócios estão café, açaí, sucos, alimentos processados, massas, biscoitos e produtos agropecuários.
A Embraer também tem interesse no mercado filipino.
Os 2 países compartilham ainda iniciativas de cooperação em transição energética e enfrentamento da mudança climática. Ambos participam do TFFF, o que abre espaço para o governo brasileiro buscar novos recursos para o mecanismo durante a visita.
A programação nas Filipinas inclui ainda a participação de Lula na abertura da cúpula da Asean, no dia 15, ao lado do presidente filipino e do secretário-geral da associação.
O presidente também deverá conceder uma entrevista coletiva.
A viagem termina depois da participação na reunião do bloco, com retorno ao Brasil previsto após a agenda de 15 de novembro.
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