Ir para o conteúdo

Corumbá - MS | Domingo, 1 de novembro de 2026 | 15:44

ULTRA CONECT
Política

Justiça quebra sigilo de documentos da morte de Tancredo Neves

Ação foi movida pela família do ex-presidente, que tenta acesso a exames e prontuários de mais de 40 anos atrás. Processo tramitou por uma década; conteúdo aind

4 min de leitura
Justiça quebra sigilo de documentos da morte de Tancredo Neves

Há pouco mais de 40 anos, o Brasil festejava um momento histórico: a eleição e a futura posse do primeiro presidente civil, após duas décadas do regime militar.

  • Cirurgia imediata: especialistas ouvidos pelo escritor questionam a decisão de uma cirurgia de emergência. Isso porque os procedimentos contra diverticulite costumam ser eletivos, ou seja, passíveis de agendamento enquanto o paciente segue com outros tratamentos.
  • Técnicas questionáveis: Mais de 30 acompanhantes estiveram na sala de cirurgia durante o procedimento, o que é proibido por razões de segurança.
  • Advertência: Médicos envolvidos no tratamento receberam advertência do CRM-DF. O motivo da notificação, no entanto, segue como um mistério.
  • Falhas na recuperação: O autor acredita que falhas no protocolo de recuperação podem ter contribuído para complicações.

Justiça determina quebra do sigilo médico sobre morte de Tancredo Neves.

A internação na véspera da posse – e a morte inesperada do presidente eleito Tancredo Neves em 21 de abril de 1985 – mudou novamente os rumos da política nacional.

E, ainda hoje, é cercada de mistérios e até teorias da conspiração.

Uma decisão dada pela Justiça Federal nesta semana pode começar a solucionar essas dúvidas. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região foi unânime ao aprovar que a família de Tancredo tenha acesso a documentos sigilosos sobre a internação no Hospital de Base, em Brasília.

O objetivo é sanar a dúvida da família --- e de inúmeros eleitores da época --- sobre a suspeita de erro médico.

Tancredo Neves foi internado na véspera da posse presidencial com quadro de diverticulite – inflamação na região do intestino grosso. Ele morreu um mês depois, em 21 de abril de 1985.

Com a nova decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), devem liberar prontuários, relação de médicos e outros documentos.

Procuradas pelo g1, as entidades afirmaram que ainda não foram oficialmente notificadas.

Apesar de a decisão ter chegado apenas em 2026, a busca por explicações começou em 2010, com a publicação do livro "O paciente", de Luís Mir. Com autorização da família, o escritor pesquisou a fundo o período e encontrou falhas nos procedimentos.

A advogada Juliana Porcaro explica que a família pediu aos conselhos que liberassem os documentos, mas a demanda foi negada com base no sigilo da relação médico-paciente.

As hipóteses de erro médico levantadas pelo autor e pelos familiares se sustentam em quatro fatores.

Uma das fotos mais emblemáticas da época é a foto de Tancredo Neves sentado ao lado dos médicos (veja abaixo). Por conta da região da cirurgia, no entanto, ele não poderia ter sido colocado naquela posição.

Após hemorragia e outras complicações, Tancredo foi transferido do Instituto do Coração (Incor) já em estado grave.

Quando ele veio a óbito, os médicos não tiveram coragem de declarar o óbito, eles chamaram o médico americano [Warren Zapol], que veio ao Brasil e avaliou", conta Juliana.

Para a advogada e porta-voz da família, a divulgação dos dados não é apenas de interesse das pessoas próximas, mas ajuda a contar a "história de uma nação.

Se há uma advertência, é porque houve um processo administrativo no conselho e algo foi considerado errado. E é a esse 'algo' que a família quer ter acesso. Quer entender como os próprios médicos do Conselho entenderam a postura dos médicos responsáveis pelo presidente Tancredo Neves", afirma.

Juliana conta que esteve com o ex-presidente José Sarney, que confirma a percepção de que houve negligência por parte da equipe de saúde.

Ele confirmou que teve esse receio de assumir a presidência, porque foi muito delicado. Ninguém sabia se isso ia ser bem aceito", comenta.

Com a posse de Sarney, vice na chapa de Tancredo, o Brasil iniciou um novo momento na política com a eleição de civis.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Política