O cancelamento do debate presidencial da Globo foi o final perfeito para uma campanha em que a política ficou a reboque do Judiciário.
Estava tudo pronto anos estúdios da emissora no Projac, no Rio de Janeiro, para o que seria o último encontro antes do primeiro turno.
Já seria um debate esvaziado pela ausência de Lula, anunciada na véspera. Mas aí tudo começou a desmoronar após uma série de decisões de tribunais.
Primeiro foi Romeu Zema que conseguiu uma liminar para comparecer. Depois , Renan Santos. E então veio a censura à Globo, proibida de mostrar a cadeira vazia de Lula.
As decisões levaram Flávio Bolsonaro a desistir e a Globo, a cancelar o evento.
Dentro do Projac, cada lance era acompanhado com espanto por jornalistas, assessores e políticos reunidos numa sala antes de entrar no estúdio. Entrada essa que acabou não acontecendo.
O que fica desse episódio deprimente? Primeiro, a certeza, mais uma vez, de que o Judiciário é hoje grande fator de instabilidade. Logo ele, que há apenas quatro anos ajudou a preservar a democracia brasileira de ameaças golpistas.
Mais importante, pela primeira vez em décadas o primeiro turno termina sem confronto de ideias entre os principais candidatos.
É um sintoma de um modelo de campanha que está falindo. Muito mais interessante para candidatos hoje é participar de entrevistas e sabatinas para podcasts e influenciadores amigos, em que há pouco ou nenhum questionamento.
Não foi por outro motivo, aliás, que Lula, na mesma hora do debate que não houve, preferiu dar entrevista para um podcast. Que pelo menos no segundo turno esse roteiro mude.
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