Ir para o conteúdo
Política

Alcolumbre determina avanço do PL dos minerais críticos no Senado

Presidente da Casa citou especificamente projeto aprovado pela Câmara; tendência é que proposta que já tramita no Senado seja apensada ao texto

4 min de leitura
Política — imagem padrão

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou o avanço nas comissões do PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e foi aprovado pela Câmara dos Deputados.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (14), Alcolumbre afirmou ter determinado o encaminhamento da proposta às comissões competentes do Senado, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (12).

O movimento é considerado importante para a tramitação porque Alcolumbre citou expressamente o PL 2780, texto que veio da Câmara. “São matérias de alta complexidade que seguirão o rito ordinário e regimental no Senado, com a análise e o aprofundamento necessários”, afirmou Alcolumbre.

Além dos minerais críticos, o presidente do Congresso citou a PEC do fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública. A tendência entre congressistas é que o PL 4443/2025, que trata do mesmo tema e já tramita no Senado, seja apensado ao projeto aprovado pela Câmara.

Na prática, as duas propostas passariam a tramitar de forma conjunta, permitindo que pontos do texto elaborado pelos senadores sejam incorporados ao PL 2780. O PL 4443 é de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e está atualmente sob relatoria do senador Wilder Morais (PL-GO) na CI (Comissão de Serviços de Infraestrutura).

Wilder já apresentou um substitutivo e, durante a tramitação, defendeu a análise conjunta das duas propostas. O senador inclusive solicitou a relatoria do projeto que veio da Câmara.

A estratégia permite concentrar a discussão em torno do PL 2780, que está em estágio legislativo mais avançado por já ter sido aprovado pelos deputados. Caso o Senado aprove esse projeto sem mudanças, o texto pode seguir para sanção presidencial.

Se os senadores fizerem alterações, a proposta terá de voltar à Câmara para uma nova análise. O texto aprovado pela Câmara cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) e o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

A proposta estabelece instrumentos para incentivar pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses minerais no país, além de mecanismos de financiamento e estímulo à agregação de valor.

Já o projeto que nasceu no Senado avançou primeiro na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) e agora está na CI. O substitutivo apresentado por Wilder incorporou diversos instrumentos presentes no texto da Câmara, incluindo mecanismos de planejamento, governança e acompanhamento de projetos considerados estratégicos.

Entre congressistas envolvidos na discussão, o projeto aprovado pelos deputados é considerado hoje o texto mais amadurecido para servir de base ao novo marco. O PL 2780 foi construído ao longo de uma discussão que reuniu diferentes propostas e passou por debates com representantes do governo, do setor mineral, da indústria, de entidades ambientais e da sociedade civil.

O texto que foi relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), no entanto, traz alguns pontos que enfrentam resistência de empresas do setor e que poderão ser revistos no Senado.

Um deles é o poder atribuído ao CIMCE. O órgão terá participação na análise de operações societárias, contratos e negócios envolvendo projetos considerados estratégicos, o que, na prática, dá ao governo instrumentos para impedir ou impor condições a determinadas operações envolvendo esses ativos.

A proposta também permite estabelecer requisitos e compromissos de agregação de valor para a exportação de minerais críticos. A preocupação de parte do setor privado é que o dispositivo abra espaço para restrições futuras às vendas ao exterior.

Outra diferença importante entre os textos da Câmara e Senado está na pesquisa mineral, etapa em que empresas realizam estudos e perfurações para confirmar a existência, o tamanho e a qualidade de uma jazida antes de decidir se ela pode se transformar economicamente em uma mina.

O projeto aprovado pela Câmara estabelece que uma autorização de pesquisa em áreas com minerais críticos ou estratégicos terá prazo máximo improrrogável de dez anos.

Se, ao fim desse período, a empresa não tiver apresentado à ANM (Agência Nacional de Mineração) o Relatório Final de Pesquisa, o direito minerário poderá caducar.

O substitutivo elaborado por Wilder para o projeto do Senado não reproduz essa trava específica de dez anos. O objetivo do governo é preservar, tanto quanto possível, o texto aprovado pela Câmara.

Empresas, por outro lado, trabalham para que eventuais mudanças sejam feitas ainda no Senado, sobretudo na definição dos critérios e dos poderes do CIMCE, em vez de deixar essas decisões para a regulamentação da política após a sanção.

Presidente da Casa citou especificamente projeto aprovado pela Câmara; tendência é que proposta que já tramita no Senado seja apensada ao texto.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Política
Economia — imagem padrão
Economia

Trump deve nomear Jay Clayton como czar da IA

Clayton já supervisiona 18 agências de inteligência dos EUA como principal chefe de espionagem do país. Jay Clayton durante audiência de confirmação no Senado dos EUA, em Washington - Aaron Schwartz - 15.jul. 26/Getty Im

Em Economia