Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 1 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 23°C Tempestade

Polícia

Um dia, alguém vai contar a sua história

Nas últimas semanas, sentei algumas vezes para ouvir meu pai contar a história dos seus 44 anos de magistratura. A ideia era organizar sua trajetória. ...

3 min de leitura
Polícia — imagem padrão

Nas últimas semanas, sentei algumas vezes para ouvir meu pai contar a história dos seus 44 anos de magistratura.

Datas. Comarcas. Cargos. Decisões. Mudanças do Judiciário. Histórias que começaram em 1981, quando Mato Grosso do Sul também dava seus primeiros passos como Estado.

Lembrava do escrivão que precisou ser buscado de bicicleta no dia em que chegou a Porto Murtinho. Do militar que ajudou a conseguir uma casa para morar e levar a família.

Do Padre. Do prefeito. Do gerente do Banco do Brasil. Dos advogados das pequenas cidades. Dos promotores. Dos oficiais de Justiça. Dos servidores que trabalharam ao lado dele.

De uma escrivã que, décadas depois, já aposentada, ainda aparecia para visitá-lo no Tribunal.

Quarenta e quatro anos depois, os cargos continuavam no currículo. Mas eram os nomes que apareciam na conversa.

Talvez a gente passe uma parte enorme da vida preocupado em construir aquilo que pode ser medido. Empresa. Patrimônio. Carreira. Resultado. Posição.

Eu mesmo acredito profundamente em construir. Construir negócios, patrimônio, segurança e liberdade.

Porque, enquanto tomamos decisões para aumentar uma empresa, comprar um imóvel, fechar um negócio, formar uma sociedade ou proteger um patrimônio, existe outra construção acontecendo silenciosamente.

Estamos construindo a história que um dia alguém vai contar sobre nós. E essa história nem sempre será feita das decisões que considerávamos mais importantes.

Talvez ninguém se lembre daquele contrato que tirou nosso sono. Talvez ninguém saiba quanto faturava a empresa naquele determinado ano. Talvez o patrimônio que levou décadas para ser construído seja dividido, vendido ou transformado pelas gerações seguintes.

Mas alguém vai lembrar de como você tomou uma decisão difícil. De como tratou uma pessoa quando não precisava mais dela. De quem ficou ao seu lado quando as coisas deram errado.

Passamos boa parte da vida tentando construir coisas que permaneçam. Mas talvez algumas das coisas que mais permanecem sejam justamente aquelas que nunca apareceram no balanço.

Talvez seja um patrimônio que não possa ser colocado dentro de uma empresa, transferido por escritura ou organizado em um planejamento sucessório. Mas passa de uma geração para outra do mesmo jeito.

Esses dias, enquanto organizávamos a história do meu pai, surgiu uma frase que resumiu muito bem aquilo que eu estava percebendo.

Serve para um empresário. Para um fundador. Para quem está construindo patrimônio. Para quem está criando filhos. Para qualquer pessoa que ainda esteja no meio da própria história.

Patrimônio é aquilo que você deixa. Legado é aquilo que continua existindo nas pessoas depois que você passa.

nas decisões que tomamos enquanto ainda estamos ocupados demais vivendo para perceber que estamos construindo uma história.

Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421. 329 | OAB/DF 68. 003 | OAB/MS 16. 250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11. 939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Polícia
Brasil — imagem padrão
Brasil

Hoje é Dia: datas, fatos e feriados de outubro de 2026

Presente nos meses de outubro desde 1986 nos Estados Unidos, a campanha é adotada no Brasil desde 2002. Neste conteúdo, o História Hoje, da Radioagência Nacional, explica a origem e a importância do Outubro Rosa.

Em Brasil