Segundo a polícia, não havia flagrante nem ordem de prisão contra o condutor.
O caminhoneiro envolvido no acidente que matou 7 indígenas da mesma família na última sexta-feira (14) se apresentou à Polícia Civil para prestar depoimento sobre a colisão na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, a 412 quilômetros de Campo Grande.
Conforme apurado pela reportagem, ele compareceu acompanhado do advogado e foi liberado depois de ser ouvido, pois não havia flagrante nem ordem de prisão contra ele.
Caminhoneiro envolvido no acidente que matou sete indígenas na MS-180, entre Iguatemi e Japorã, prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberado por não haver flagrante nem ordem de prisão.
Ele relatou que o semirreboque carregado com milho se desprendeu do veículo e que soube do acidente pelas redes sociais. As vítimas eram da mesma família e visitavam aldeias do Mato Grosso do Sul para atividades de intercâmbio cultural e religioso.
Para a polícia, o rapaz relatou que passava pelo município e percebeu que o semirreboque carregado com milho havia se desprendido do veículo. Ele seguiu até Mundo Novo, estacionou o veículo em uma rua e foi a pé para um hotel, onde comunicou ao proprietário do caminhão sobre o ocorrido.
Ainda segundo o depoimento, o motorista chegou a ser abordado por testemunhas, mas deixou o local por medo e informou que só soube do acidente pelas redes sociais na manhã de sábado (15).
O grupo visitava aldeias de Mato Grosso do Sul para participar de atividades de intercâmbio cultural e religioso.
Após o acidente, os corpos foram levados ao Núcleo Regional de Medicina Legal de Naviraí, onde passarão por exames de DNA para identificação individual.
Segundo o advogado Higo dos Santos Ferré, as circunstâncias ainda são apuradas pelas autoridades.
O defensor também confirmou que o motorista se apresentou espontaneamente à polícia no sábado e prestou os esclarecimentos solicitados. “A defesa acompanhará integralmente as investigações”, afirmou o advogado, que disse ainda que adotará as medidas necessárias durante a apuração.
Ao final, o advogado manifestou respeito às vítimas e aos familiares e afirmou confiar “que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas instâncias competentes”.
Perda - O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) lamentou a morte de Tiago Karai e dos familiares. Ele foi coordenador da CGY (Comissão Guarani Yvyrupa) e uma das principais lideranças da Aldeia Kalipety.
Laudiceia, esposa dele, também exercia papel de liderança na comunidade. “O legado de luta em defesa dos direitos dos povos guarani permanecerá vivo e suas vozes seguirão ecoando entre nós”, diz trecho da nota.
O ministério também manifestou apoio às famílias e à comunidade indígena. “Neste momento de dor e sofrimento, prestamos a nossa solidariedade aos parentes, amigos e a toda comunidade mbya guarani”, afirmou a pasta.
Segundo o cacique Roberto Carlos, eles participaram de momentos de oração e canto.
Os familiares haviam preparado um jantar, mas o grupo decidiu seguir viagem porque tinha compromisso na segunda-feira na Aldeia Tenondé Porã. A família deixou Porto Lindo em direção a Iguatemi.
Entre 15 e 20 minutos depois, os parentes receberam a notícia do acidente.
A colisão ocorreu cerca de 70 metros depois da ponte sobre o Rio Iguatemi. Conforme o registro da ocorrência, o semirreboque se desprendeu da carreta e atingiu de frente o Chevrolet Spin.
O impacto foi seguido por um incêndio que consumiu o automóvel.
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