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Corumbá - MS | Quinta-feira, 5 de novembro de 2026 | 15:15

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Polícia

De ex-chefe de delegacia na fronteira a investigadores: quem são os 9 policiais suspeitos de desviar

Guilherme Scucuglia Cezar foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (5). Investigação aponta que policiais desviaram mais de 500 kg de cocaína que seriam

5 min de leitura
De ex-chefe de delegacia na fronteira a investigadores: quem são os 9 policiais suspeitos de desviar

PIX, blindagem e sistemas de inteligência: como policiais suspeitos estruturaram desvio de.

  • Após prisão de delegado, nova fase de operação investiga 9 policiais por desvio de drogas apreendidas em MS.
  • Infiltrados: delegado e outros 7 policiais são afastados após prisões em operação que investiga desvio de cocaína em MS.

Um delegado que já chefiou o combate aos crimes na fronteira de Mato Grosso do Sul e outros oito policiais civis estão entre os alvos da Operação Infiltrados II, deflagrada nesta quinta-feira (5).

Eles são investigados por suspeita de participação em um esquema de desvio de cocaína apreendida pela própria polícia para abastecer o tráfico de drogas.

O g1 confirmou a identidade dos nove policiais alvos da operação. Veja a lista abaixo.

A Polícia Civil informou que as suspeitas já eram apuradas internamente há cerca de quatro meses, por meio de inquérito policial e Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Segundo a instituição, foram adotadas medidas como remoções de servidores, mudanças nos procedimentos e fiscalização extraordinária na delegacia. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.

Guilherme foi alvo de um mandado de busca e apreensão. O g1 tentou contato com o delegado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A reportagem também não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os desvios teriam ocorrido entre junho de 2025 e maio de 2026, período em que os nove policiais estavam lotados na Defron.

A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), prevê quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã e Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul, além de Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná.

Ainda não foi possível confirmar quais dos nove policiais tiveram a prisão decretada.

Segundo o MPMS, os policiais são suspeitos de retirar drogas durante as apreensões, diretamente do depósito da delegacia ou enquanto eram transportadas para incineração.

Depois, os entorpecentes eram entregues a traficantes, responsáveis por colocá-los novamente no mercado ilegal.

Em um dos episódios investigados, ocorrido em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína que deveriam ser destruídos teriam sido desviados.

O Ministério Público não detalhou a participação individual dos investigados no esquema.

A Operação Infiltrados II é um desdobramento da investigação que, em setembro, levou à prisão do delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa e ao afastamento de outros sete policiais civis suspeitos de envolvimento no desvio de drogas apreendidas.

Na primeira fase, deflagrada em 24 de setembro, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Hoffman e o investigador Douglas Tobias, presos naquela fase, também foram alvos da Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4). A investigação apura um esquema internacional de tráfico de drogas e armas, com suspeita de participação de policiais e ligação com facções criminosas.

Segundo a PF, Hoffman teria facilitado o desvio de cocaína apreendida, enquanto Douglas é suspeito de prestar apoio ao grupo criminoso. As defesas dos dois informaram que ainda não tiveram acesso integral às investigações.

A de Hoffman disse que adotará as medidas judiciais cabíveis, enquanto a de Douglas afirmou que o policial está à disposição para prestar esclarecimentos. Veja as manifestações das defesas na íntegra abaixo.

A defesa, representada pelo advogado Luiz Renê, informou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão, mas ainda não teve acesso à decisão judicial nem ao conteúdo do inquérito.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informa que as possíveis irregularidades relacionadas aos fatos investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Infiltrados II, já eram objeto de apuração interna pela Corregedoria-Geral da instituição há aproximadamente quatro meses, por meio de Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

Desde o início das apurações, foram adotadas medidas administrativas e correcionais, incluindo adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e realização de correição extraordinária na unidade policial, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades, apurar responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle interno.

Nesta quinta-feira (5), a Corregedoria-Geral acompanhou o cumprimento das medidas judiciais de prisão preventiva e de busca e apreensão realizadas pelo Gaeco, no âmbito da operação, reafirmando a cooperação institucional com os órgãos responsáveis pela investigação.

As apurações internas terão continuidade, com a adoção de todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, sem prejuízo da colaboração com as autoridades competentes para o completo esclarecimento dos fatos.

A Polícia Civil considera inadmissível qualquer utilização da função pública, da estrutura policial ou dos instrumentos destinados ao combate à criminalidade para a prática de ilícitos.

A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a integridade institucional e a transparência, assegurando que eventuais desvios de conduta serão rigorosamente apurados e tratados na forma da lei, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

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