Ir para o conteúdo

Quarta-feira, 30 de setembro de 2026 | Corumbá - MS | 24°C Parcialmente nublado

Negócios

Lula busca Trump como aliado improvável, diz Financial Times

Jornal britânico destaca mudança de estratégia do governo brasileiro diante da crescente pressão de integrantes do governo americano

3 min de leitura
Negócios — imagem padrão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a um “aliado improvável”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar contornar a escalada de tensão com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Essa é a avaliação do Financial Times em reportagem publicada neste sábado (22), um dia após os dois presidentes conversarem por telefone.

A reportagem destaca a tentativa do governo brasileiro de apostar na interlocução direta entre os dois chefes de Estado em meio ao agravamento das divergências entre Brasília e Washington.

O contato ocorre em um momento de forte desgaste diplomático, marcado pela troca de críticas entre Lula e Rubio e pela imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

Segundo o jornal, a estratégia brasileira é utilizar a relação entre Lula e Trump para tentar abrir espaço para negociações e reduzir a pressão exercida pelo governo americano.

Lula e Trump conversaram por cerca de uma hora e 20 minutos na manhã de sexta-feira.

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o telefonema ocorreu em tom “amistoso e cordial”. O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações sobre as tarifas e classificou como “infundadas” as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a aplicação das medidas.

Lula: Brasil não vai depender nem da China, nem dos EUA para fazer sua IA.

Ele deu a declaração durante o ato de lançamento da campanha de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Lula: Falei para Trump que a taxação ao Brasil é irreal e com base em mentira.

Segundo Lula, Trump reconheceu as informações e pediu que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, marcasse uma reunião com o ministro Márcio Elias Rosa já na próxima semana.

Após a conversa, Lula afirmou que Trump reconheceu como incorreta a decisão de impor as tarifas ao Brasil. A ligação havia sido sinalizada pelo presidente brasileiro a aliados no início do mês.

A aproximação entre Lula e Trump ocorre paralelamente à deterioração da relação com Rubio. Nas últimas semanas, o secretário de Estado americano acusou o presidente brasileiro de colocar “o próprio ego” acima dos interesses da população.

Lula, por sua vez, classificou Rubio como um “latino-americano frustrado”.

O Financial Times também relata interpretações distintas dentro dos governos dos dois países sobre a escalada das tensões. Uma autoridade americana ouvida pelo FT afirmou que Lula estaria “fabricando” um conflito com Rubio por acreditar que o sentimento antiamericano poderia ajudar na corrida presidencial.

Uma autoridade brasileira apresentou ao jornal uma leitura oposta e afirmou existir uma “agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA”.

A declaração, segundo o Financial Times, ocorre em meio às acusações de integrantes da família Bolsonaro sobre uma suposta articulação política envolvendo os Estados Unidos.

Apesar do aumento das críticas públicas, o Departamento de Estado americano afirmou, segundo a reportagem, que os Estados Unidos respeitarão o resultado soberano das eleições brasileiras e manterão a cooperação com qualquer governo escolhido pelos eleitores.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Negócios