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Negócios

Até onde vai Ibovespa em meio a rali com “Flávio Day”? Analistas veem alta de até 45%

Índice supera 209 mil pontos após resultado eleitoral, mas bancos ainda veem espaço para alta; Morgan Stanley mira 250 mil pontos, enquanto BTG calcula potencia

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A disparada do Ibovespa nesta segunda-feira (5), na esteira do resultado do primeiro turno das eleições, levou a Bolsa brasileira a níveis nunca antes alcançados.

Apesar da dimensão do movimento, algumas das principais casas de análise ainda enxergam espaço significativo para valorização adicional, desde que a melhora da percepção política seja acompanhada por sinais mais concretos no campo fiscal e econômico.

A reação ocorre após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16%. O resultado surpreendeu investidores que esperavam uma disputa apertada, mas tinham como cenário mais provável Lula na liderança no domingo.

A reprecificação também provocou movimentos extremos entre as ações. Magazine Luiza ( LU3), Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRE3) e B3 (B3SA3) chegaram a subir mais de 20% pela manhã, enquanto BTG Pactual (BPAC11) também figurava entre as maiores altas.

Com um movimento tão forte já incorporado aos preços, a questão passa a ser: quanto ainda há para subir.

Entre as projeções mais diretas está a do Morgan Stanley. O banco espera que o Ibovespa se aproxime de seu cenário otimista de 250 mil pontos no curto prazo, desde que as probabilidades de mudança na política econômica permaneçam elevadas.

Antes do pregão desta segunda, esse nível representava cerca de 30% de alta sobre os aproximadamente 192 mil pontos do fechamento de sexta-feira.

Considerando a máxima de 209,6 mil pontos registrada nesta segunda, chegar aos 250 mil ainda representaria uma valorização de aproximadamente 19%.

Antes da eleição, segundo o banco, o Ibovespa estava praticamente no meio do caminho entre seus cenários pessimista e otimista para 2027: o primeiro aponta para 130 mil pontos, enquanto o cenário positivo chega aos 250 mil pontos.

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Para avaliar até onde a apreciação da moeda brasileira poderia ir, o Goldman também olha para a eleição de 2018.

JPMorgan sobe recomendação para o Brasil.

O JPMorgan também mudou seu posicionamento em ações, saindo da recomendação neutra de agosto e voltando a classificar o país como overweight, ou exposição acima da média (compra), dentro da América Latina.

A casa estima que o MSCI Brazil possa avançar aproximadamente 12% no curtíssimo prazo e, posteriormente, alcançar ganhos de 20%. Segundo os estrategistas, trata-se atualmente do maior potencial de valorização entre os mercados latino-americanos acompanhados pelo banco.

O Brasil negociava a 8,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível que poderia subir rapidamente para aproximadamente 10,9 vezes diante de uma redução do risco.

O banco estima que pelo menos metade dessa reprecificação possa acontecer imediatamente.

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Banco coloca país novamente em overweight após primeiro turno e vê espaço para reprecificação das ações; papéis mais sensíveis aos juros estão entre os preferidos.

Em um cenário ainda mais otimista, com entendimento político e adoção de reformas estruturais, o múltiplo poderia alcançar cerca de 13 vezes, como ocorreu em 2016.

Para isso, entretanto, o JPMorgan ressalta a necessidade de um cenário externo favorável.

Na visão dos analistas, uma parte do rali pode acontecer simplesmente pela retirada de prêmio de risco, enquanto a segunda etapa dependerá de fundamentos.

O BTG Pactual, por sua vez, apresenta um intervalo mais amplo para a eventual valorização das ações brasileiras. Antes da votação, a Bolsa negociava a aproximadamente 10 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), uma vez o desvio-padrão abaixo da média histórica.

Se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno e o mercado esperar medidas mais contundentes para enfrentar os desequilíbrios fiscais, o BTG Pactual calcula que as ações poderiam retornar rapidamente ao múltiplo médio histórico de 11,9 vezes, representando um potencial de aproximadamente 20%.

Caso o mercado negocie a um desvio-padrão acima da média histórica, chegando a um múltiplo de 14,5 vezes, o potencial seria de até 45%.

O banco também faz uma conta mais conservadora, utilizando somente os últimos dez anos. Nesse horizonte, a média é de 11,1 vezes, o que implicaria 11% de upside.

Uma valorização até um desvio-padrão acima dessa média, ou 13,2 vezes, levaria o potencial a 32%.

As contas desenham, assim, diferentes degraus para a continuidade da alta: 11% em uma abordagem mais conservadora, 20% com retorno às médias históricas e entre 32% e 45% em cenários de reprecificação mais agressiva.

UBS vê mais de 30% e aposta em ações domésticas.

O UBS também vê espaço relevante para a Bolsa brasileira depois da reação inicial ao primeiro turno, com uma diferença importante: a casa chama atenção para quais ações poderiam liderar uma eventual segunda etapa do rali.

Segundo a análise do banco, a Bolsa negociava a 8,7 vezes o lucro projetado, abaixo da média de dez anos de 9,7 vezes. Caso a melhora do cenário fiscal seja confirmada, o banco acredita que as ações brasileiras poderiam passar por uma reprecificação ao longo do tempo, eventualmente chegando perto de 11,8 vezes o lucro, correspondente a um desvio-padrão acima da média histórica.

Combinado ao impacto de juros reais menores sobre as expectativas de resultados das companhias, esse processo poderia significar potencial superior a 30% para o índice nos próximos meses, segundo o UBS.

A casa cita bancos, varejo, construtoras, utilities, educação, saúde e small caps como os setores de maior sensibilidade ao cenário. Outro elemento que poderia contribuir para a alta é o posicionamento, considerado ainda relativamente baixo depois que grandes volumes de capital doméstico deixaram a classe de ativos no início do ano.

A análise do UBS reforça, assim, que uma eventual continuidade do movimento não precisa necessariamente ocorrer de maneira uniforme pela Bolsa.

De petróleo para cíclicas domésticas.

Para o UBS, a principal operação no cenário mais favorável seria uma rotação das ações de petróleo para papéis cíclicos domésticos.

A avaliação é que as ações de petróleo tenderiam a apresentar desempenho relativo inferior, uma vez que já incorporam uma perspectiva de preços elevados da commodity por mais tempo e perderiam parte do papel de proteção contra o risco doméstico.

A tese encontra eco no comportamento das ações nesta segunda. Alguns dos maiores destaques da sessão estavam justamente entre empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico, ao custo de capital e à queda dos juros, como Magazine Luiza ( LU3), Cyrela (CYRE3), B3 (B3SA3) e BTG Pactual (BPAC11).

O BTG Pactual também destaca varejistas, construtoras de média e alta renda, empresas ligadas ao mercado de capitais e companhias alavancadas como segmentos que podem apresentar desempenho superior.

Entre suas preferências estão Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Assaí (ASAI3), Cyrela (CYRE3), B3 (B3SA3), Localiza (RENT3), Motiva (MOTV3), Rede D’Or (RDOR3), Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11), Auren (AURE3), Sabesp (SBSP3) e Allos (ALOS3).

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Petrobras e Cosan têm preço-alvo elevado, XP e Nubank viram as preferidas para juros em queda, e Axia e Itaú perdem peso.

O JPMorgan, entre os financeiros, cita BTG Pactual (BPAC11) e XP como preferências e vê potencial para bancos digitais. No varejo, aponta exposição via Assaí (ASAI3), Magazine Luiza ( LU3), Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3), além de apontar Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) entre as preferidas nas construtoras.

O Morgan Stanley, por sua vez, inclui entre os papéis associados a uma mudança de política econômica Nubank, XP, BTG Pactual (BPAC11), B3 (B3SA3), Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3), Cyrela (CYRE3), Axia Energia (AXIA3), Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3), entre outros.

Para o UBS, se os ciclos eleitorais anteriores servirem de referência, a reprecificação das ações pode se estender durante o primeiro ano da nova administração, muito além da reação inicial à eleição, conforme propostas de reformas avancem no Congresso e o mercado ganhe confiança na execução da política econômica.

Isso ajuda a explicar por que as projeções otimistas não são incompatíveis, necessariamente, com o forte movimento já visto nesta segunda-feira. A surpresa eleitoral pode retirar rapidamente parte do prêmio de risco embutido nos preços.

Para que a Bolsa continue subindo depois desse primeiro movimento, entretanto, será necessário entregar os fundamentos que justifiquem múltiplos mais altos.

O JPMorgan também condiciona uma reprecificação mais intensa à implementação de uma agenda que combine disciplina fiscal e reformas estruturais, além de um cenário externo favorável.

Para o UBS, igualmente, o potencial de mais de 30% pressupõe a confirmação de um cenário fiscal mais positivo e uma redução dos juros reais capaz de alimentar as expectativas de resultados das empresas.

O JPMorgan estima ganhos de 12% no curto prazo e de até 20% posteriormente para o MSCI Brazil; o BTG Pactual calcula potenciais de 11% a 20% em cenários de normalização de múltiplos e de 32% a 45% em hipóteses mais agressivas; e o Morgan Stanley aponta 250 mil pontos como referência de seu cenário otimista para o Ibovespa.

Já o UBS acrescenta um potencial superior a 30% nos próximos meses caso a melhora fiscal seja confirmada e juros reais menores alimentem as projeções de lucros.

Em números

  • O banco espera que o Ibovespa se aproxime de seu cenário otimista de 250 mil pontos no curto prazo, desde que as probabilidade
  • Egão desta segunda, esse nível representava cerca de 30% de alta sobre os aproximadamente 192 mil pontos do fechamento de sexta-feira
  • Considerando a máxima de 209,6 mil pontos registrada nesta segunda, chegar aos 250 m
  • Goldman: real pode se fortalecer mais após 1º turno e dólar pode chegar a R$ 4,50

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