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Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"

Para entender mais sobre o novo disco, "Perfecth", é preciso ter em mente alguns acontecimentos na vida do líder da banda, Josh Homme.

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Queens of The Stone Age volta com álbum longe de ser "Perfecth"

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Todo mundo sabe que o Queens of The Stone Age é uma banda diversa. Se comparar álbuns como "Rated R" com "Lullabies to Paralyze" e "Era Vulgaris" com "Villains", é quase impossível não perceber a mudança drástica em estilo, referências e execução.

O que torna cada projeto da banda único, além da experimentação com novas ideias, é a vivência do vocalista e idealizador do grupo, Josh Homme. Por isso, para entender mais sobre o novo disco, "Perfecth", é preciso ter em mente alguns acontecimentos na vida do líder da banda.

O guitarrista principal, vocalista e idealizador do projeto inteiro sempre refletiu suas ideias pessoais e profissionais em suas composições. Do primeiro álbum do Queens até o mais conhecido, Songs For The Deaf, é possível ouvir o talento de Homme amadurecendo para uma sonoridade própria, saindo das raízes do Kyuss e se transformando em um hard rock original, atrevido, que encanta o ouvinte com uma criatividade muito bem focada.

Depois dessa época áurea, Josh divagou com o grupo pelo resto da década de 2000 com "Lullabies To Paralyze" e "Era Vulgaris", duas gravações muito experimentais com certas sonoridades que acabaram agradando poucos, salvo alguns singles seletos que serviram para agitar o mercado da época.

Like Clockwork". Aclamado pela crítica e pela grande maioria dos fãs, o álbum parecia marcar uma nova trajetória para a banda, uma nova época de sucessos, mas sem a presunção de "Songs For The Deaf", o que não acabou sendo o caso após a sequência, "Villains", sair em 2017.

Com um estilo mesclado entre pop rock e indie à la Josh Homme, o projeto acabou desagradando tanto fãs atuais quanto possíveis fãs. Seis anos após "Villains", o músico retornou aos fones de ouvido como uma fênix incompleta, com muitas cinzas expostas, em "In Times New Roman.

Além da pandemia de COVID-19, durante o período de gravação e composição do álbum, Homme passou por uma longa e intensa batalha na justiça por conta de seu divórcio com Brody Dalle (The Distillers) e a guarda de seus filhos.

Como se não bastasse, ele ainda passou por uma cirurgia importante e complicada para retirar um tumor cancerígeno. Assim como nos outros álbuns, esse intenso conflito guiou o processo criativo da banda, que abordou o estilo sonoro do álbum com mais riffs cativantes, menos experimentações, mais intensidade e muitos violinos.

Sendo assim, onde se encaixa o novo projeto, "Perfecth"? Após o fim da trilogia e durante a gravação do álbum da banda nas Catacumbas de Paris, Homme revelou para o portal Consequence que teve que passar por mais uma cirurgia intensa, que, de acordo com ele, aconteceu 20 horas depois das gravações.

Essa nova emergência fez com que a banda cancelasse o resto da turnê e deixou o vocalista sozinho na sua cama por sete meses. Uma experiência que, com toda certeza, viria a influenciar o novo projeto do Queens.

A primeira faixa, intitulada "It's Only Love", infelizmente segue um estilo que vai do gosto de cada um, mas que não me agrada muito: A música é estruturada para introduzir o álbum.

Isso significa que ela acaba perdendo identidade e qualquer motivo para ouvi-la solo, servindo apenas para dar sequência ao álbum. A melodia, por si só, é um pouco repetitiva, com os violinos que sobraram de "In Times New Roman…" eventualmente aparecendo para acabar com a monotonia.

Em seguida, "Insignificant Other", um dos quatro singles disponibilizados para promover o álbum, chega com um ritmo fino e elegante nos instrumentos. O baixo de Michael Shuman e a bateria de Jon Theodore estendem um tapete vermelho para as guitarras de Homme e Troy Van Leeuwen desfilarem.

A criatividade da banda brilha no equilíbrio entre as duas pontes mais extravagantes e a suavidade dos riffs. Apesar de acabar se estendendo um pouco, chegando a quase seis minutos, o estilo dos instrumentos faz valer cada segundo.

A terceira faixa, que também foi o terceiro single do álbum a ser lançado, é um pouco conturbada. "Where The Goth Girls At?" (Onde Estão as Garotas Góticas?) restringe todos os instrumentos a um ritmo que parece ter sido programado em um computador.

A cadência da bateria, mais exata e constrita, é tão evidente que toma conta da personalidade da música inteira. Isso até o final, quando os violinos voltam como um canto de liberdade e liberam a explosividade da banda, similar à época de "Songs For The Deaf.

Mono" vem em seguida, a faixa mais experimental do álbum inteiro, o que acaba sendo uma aposta (perdida). A mistura de efeitos sonoros, instrumentos clássicos e a presença de um reverb bem mais acentuado do que deveria ser cria uma mistura caótica e difícil de entender como que, durante o processo criativo do álbum, veio a ser concebida.

Se o final de "Where The Goth Girls At?" relembra a época mais intensa da banda no início da década de 2000, "Mono" surge como uma ideia descartável do período entre "Lullabies to Paralyze" e "Era Vulgaris.

A primeira faixa acústica do álbum, "From The Cliff" aparece como a calmaria necessária depois da bizarrice da música anterior. Apesar de refrescar o álbum com instrumentos incomuns, como um mellotron e uma guitarra dobro, não há muita animação a ser sentida nesse encerramento da primeira metade do projeto.

A sensação intimista e suave que a música transmite é de que Josh Homme surgiu dentro do seu alto falante ou fone de ouvido, sacou um violão e então começou a cantar e tocar.

Na sexta posição, "Sunday" é a única música que não é original do álbum, sendo uma regravação. A faixa original foi escrita por Homme, Dean Fertita e Iggy Pop para o álbum "Post Pop Depression", de 2016.

Apesar de incorporar o estilo sonoro do LP nessa, a faixa é relativamente idêntica ao que foi proposto uma década atrás, com a mesma estrutura, uma cota da minutagem cortada e sem o elemento mais importante da música original, a voz de Iggy Pop.

Em seguida, o primeiro single de "Perfecth", "Easy Street", destaca a voz de Homme de maneira que as outras faixas não conseguiram. A flutuação na entonação dos versos segue um padrão que o vocalista consegue sustentar muito bem.

Em vez de intercalar entre agudos fortes e graves suaves, a voz do líder do grupo atinge o melhor do meio termo que o gogó dele pode providenciar.

A oitava e penúltima faixa do álbum, "Phantom Limb" foge da sonoridade experimental, acústica, elegante ou artificial que as outras faixas demonstraram até então.

Ao invés disso, a banda aborda a música com foco nas letras de Homme, que trazem uma temática mais solitária e introspectiva. Isso porque o instrumental soa como uma música indie da década de 2000, o que não é ruim, mas que acaba pesando na originalidade sonora.

Run Away From The Mob" encerra o projeto como um amálgama de todas as músicas anteriores e o que elas queriam transmitir. O violão de "Easy Street", a suavidade de "Insignificant Other", os elementos surpresa de "Mono" e a reviravolta sonora nos últimos momentos da faixa, como acontece em "Where The Goth Girls At.

Diferentemente de como o álbum começa, a última faixa não serve apenas para encerrar o projeto, ela cai bem ao ouvir individualmente. Levando em conta o fato de que a gravação foi feita durante as sessões de.

Like Clockwork" em 2013, "Run Away From The Mob" põe um ponto final extremamente satisfatório à última trilogia da banda.

A proposta do novo álbum é sólida e mantém o padrão de qualidade esperado do Queens of The Stone Age, mas, assim como "Room On Fire" foi considerado mais do mesmo de "Is This It" para o The Strokes, "Perfecth" acaba existindo apenas como uma extensão do álbum passado.

Com uma minutagem curta para um projeto de nove faixas, elementos reciclados e poucas liberdades criativas exploradas, o novo LP do grupo de Josh Homme não consegue estabelecer uma identidade única e poderia facilmente ser lançado como uma versão especial de "In Times New Roman…" ou como um EP.

1- É Apenas Amor 2- Parceiro(a) Insignificante 3- Onde Estão as Garotas Goth? 4- Mono 5- Do Penhasco 6- Domingo 7- Rua Fácil 8- Membro Fantasma 9- Fuja da Máfia.

Créditos:Josh Homme - Guitarra principal, violão, mix, teclado, mellotron e vocalTroy Van Leeuwen - Guitarra rítmica, back vocals, violão e pianoMichael Shuman - Baixo, violão, mellotron, teclado "bass" e back vocalsDean Fertita - Piano, sintetizador, mellotron e guitarra havaiana.

Produção por Josh Homme e Michael Shuman.

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No momento meu ato favorito é o Nine Inch Nails, mas é capaz que mude daqui a um tempo. Se pudesse pegar três ídolos pessoais, estes seriam Iggy Pop, Glenn Danzig e Trent Reznor.

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