Especialista em aviação, com mais de 37 anos de carreira, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob em agosto e se tornou o primeiro paciente do mundo a receber um medicamento experimental contra a condição.
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 25 de janeiro de 1967, Lito ingressou na aviação aos 14 anos, por meio de um curso técnico da Força Aérea Brasileira (FAB).
Ao longo de mais de três décadas, trabalhou como mecânico de aeronaves e supervisor de segurança de voo na Varig, na Transbrasil e na United Airlines, onde se aposentou como chefe internacional de manutenção.
Certificou-se no exterior em Fatores Humanos, disciplina que estuda como as decisões e limitações humanas afetam a segurança de voo, e se tornou uma das principais referências no tema no Brasil.
Em 2021, também obteve habilitação como piloto privado, quatro décadas depois de entrar pela primeira vez em um hangar.
Os primeiros sinais da doença surgiram durante uma viagem aos Estados Unidos, quando Lito sentiu dormência no braço esquerdo. Ele antecipou o retorno ao Brasil e foi internado.
A suspeita inicial era de encefalite autoimune, mas, após semanas de investigação no Hospital Israelita Albert Einstein, o diagnóstico de DCJ foi confirmado. A doença pertence ao grupo das enfermidades priônicas: uma proteína chamada príon assume uma forma anormal, desencadeia uma reação em cadeia no cérebro e provoca a morte progressiva dos neurônios.
O tecido cerebral passa a apresentar pequenos vazios, adquirindo uma aparência esponjosa. A doença avança em meses, não em anos. Cerca de 90% dos pacientes morrem em até um ano após o diagnóstico.
Não há medicamento aprovado em nenhum país.
O caso de Lito se destacou pela mobilização que se seguiu ao diagnóstico. Em busca de alternativas experimentais, a família conseguiu autorização excepcional da Anvisa para importar a substância ALN-6457, desenvolvida para atuar sobre a produção da proteína priônica e testada, até então, apenas em animais.
O medicamento chegou ao Brasil em 11 de setembro, e Lito se tornou o primeiro ser humano a recebê-lo. A mobilização também chegou ao governo federal: Mila pediu a intervenção do Itamaraty para tentar acelerar o acesso a pesquisas experimentais nos Estados Unidos e na Europa.
O tratamento, no entanto, não conseguiu reverter a progressão da doença.
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