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Catïça confirma sua ascensão com o peso e a ironia de “Cereja de Xuxu”

Com dez faixas em 15 minutos, banda paranaense lança segundo álbum com a velocidade e irreverência de seu Punk Metal

4 min de leitura
Catïça confirma sua ascensão com o peso e a ironia de “Cereja de Xuxu”

Agora, depois de construírem caminho com uma trilogia de EPs afiados —Baixo Astral (2024), Pedagogia da Vingança (2025) e Bongada Massiva (2026) — e um álbum de estúdio, Greatest Hits (2024), os caras deram um passo grandioso ao assinar com a gravadora Deck para colocar na rua o aguardado segundo disco de estúdio, Cereja de Xuxu, que chega às plataformas de audição nesta sexta, 23 de Outubro.

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Esse ritmo acelerado, impulsionado por faixas potentes como “Pé Vermei“, não aconteceu por acaso. Com apresentações magnéticas e um som estourado que transforma qualquer espaço em uma roda de mosh generalizada, o grupo vem conquistando fãs pelo país e chamou a nossa atenção aqui no TMDQA.

justamente por resgatar a imprevisibilidade e a urgência que tornam o Rock independente tão vital.

O título serve como o cartão de visitas perfeito para a proposta estrambólica do grupo: usar o deboche e a ironia para embalar um trabalho musical técnico, consciente e que recusa concessões comerciais.

Mas o buraco é mais embaixo. Ou melhor, muito mais rápido e nonsense. Gravado e mixado por Felipe De Mari Scalone no estúdio Áudio13, com masterização assinada por Fernando Sanches em parceria com Scalone, Cereja de Xuxu mantém a voracidade implacável dos trabalhos anteriores e traz 10 faixas que voam em exatos 15 minutos de puro atropelo sonoro.

Inclusive, tem exatamente a mesma duração cirúrgica do seu antecessor de estúdio.

Neste trabalho, o quarteto aprofunda o regionalismo e chapa o pé em referências pesadas puxadas do Thrash Metal, do Crossover e, até mesmo, do Stoner. Mas a grande surpresa fica por conta do tempero psicodélico que surge em faixas mais trabalhadas e dinâmicas, como “Vixvéi” e “Petit Comité“, onde a banda explora arranjos mais elaborados.

Em meio a essa salada sonora insana, cada integrante brilha com personalidade própria. Enquanto a bateria de Jordão Sant’Anna constrói linhas marcantes e cheias de pressão, o baixo de André Melo (Dedé) chega estalando com uma distorção encorpada e agressiva.

Por cima dessa base, as guitarras de William Lopes (Wiu) encontram soluções criativas em meio à pancadaria, criando o encaixe ideal para Nobu Waricoda alternar gritos viscerais com o uso de efeitos na voz, rasgando as letras sarcásticas da banda e dando um tom alucinógeno.

A produção ajuda a preservar a crueza que combina com a proposta e, em vez de domesticar a energia do quarteto, o disco valoriza o impacto e a sensação de caos.

O resultado prova que não precisa de muito tempo para causar um estrondo.

A irreverência do grupo transborda nas letras, criando uma síntese perfeita entre o absurdo e a realidade. Política, cotidiano urbano e o desgaste do dia a dia passam por um filtro de humor cáustico que atinge o alvo com precisão.

Como pontuou em nota o vocalista Nobu Waricoda, a música veio de “um sentimento de raiva, de impotência, de olhar pra essas paradas e sentir que a gente não pode fazer nada”.

Em vez de abafar a frustração, a banda a amplifica em forma de som pesado e contestador.

Essa combinação entre crítica e irreverência dá ao disco uma personalidade própria. As letras podem provocar risadas, mas também cutucam contradições sociais e a indignação de tentar sobreviver um sistema feito para nos moer.

É Punk Metal com senso de humor, mas sem perder a capacidade de incomodar.

Uma aposta da casa em plena ascensão.

Com Cereja de Xuxu, a catïça consolida sua posição como um dos nomes mais empolgantes da nova safra da música alternativa brasileira. O quarteto não precisa esticar as faixas nem polir demais as arestas para mostrar a que veio; pelo contrário, é justamente nessa entrega direta, pesada e cheia de personalidade que encontra sua maior força.

O trabalho chega em um momento importante de expansão nos palcos do país, transformando a atenção recebida em um registro fiel à própria identidade. Não é uma mudança radical de rota, mas um passo adiante para um grupo que entende exatamente o barulho que quer fazer.

Por aqui, a catïça segue como uma aposta certeira. Dê o play em Cereja de Xuxu e prepare-se para 15 minutos de puro impacto.

Ouça “Cereja de Xuxu”, novo álbum da catïça.

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