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Suprema Corte dos EUA julgará política de deter imigrantes que vivem há anos no país

Caso de brasileiro preso após morar 20 anos no país motiva revisão

3 min de leitura
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A Suprema Corte dos Estados Unidos concordou, nesta quinta-feira (1º), em analisar a política do governo de Donald Trump de deter por tempo indeterminado imigrantes que cruzaram ilegalmente a fronteira anos atrás, sinalizando que pretende se pronunciar sobre pontos importantes da agressiva agenda de deportações do republicano.

A política representa uma ruptura com a prática anterior, segundo a qual esses migrantes geralmente tinham a oportunidade de solicitar a liberdade após uma audiência perante um juiz.

Os ministros já haviam anunciado que dariam tramitação acelerada a outro caso, que questiona a política do governo de deportar migrantes para países com os quais não têm vínculos, incluindo nações alvo de denúncias de violações dos direitos humanos.

Ao analisar os dois casos, os ministros avaliarão a legalidade de alguns dos aspectos mais controversos dos esforços do governo Trump para expulsar rapidamente milhões de migrantes que vivem nos Estados Unidos.

O caso de imigração aceito pela Corte nesta quinta-feira envolve não cidadãos americanos que entraram ilegalmente, mas viviam no país havia anos. Durante décadas, essas pessoas podiam ser libertadas mediante fiança enquanto aguardavam novos procedimentos judiciais, desde que não fossem consideradas uma ameaça à segurança pública nem apresentassem risco de fuga.

No ano passado, porém, o governo Trump anunciou uma nova interpretação de uma lei de 1996, concluindo que ela permitia manter detidos, sem direito a fiança, não cidadãos que vivem nos EUA.

Como resultado, juízes de imigração têm negado audiências a essas pessoas, mesmo que elas vivam e trabalhem no país há anos.

Mais de 500 juízes de tribunais distritais e 9 dos 11 tribunais federais de apelação que analisaram a questão rejeitaram a nova regra de detenção do governo e sua interpretação da lei de imigração em discussão.

Cerca de 70 mil pessoas estão atualmente detidas por questões migratórias, ante 40 mil antes de Trump assumir o cargo, em janeiro de 2025. Mais de dois terços deles vivem há pelo menos uma década no país.

A maioria dos tribunais de apelação que analisaram a questão afirmam que o governo deveria ter realizado audiências para determinar se essas pessoas representavam perigo ou risco de fuga enquanto aguardavam a conclusão dos processos de remoção.

Em abril, o Tribunal de Apelações do 2º Circuito dos EUA decidiu a favor do cidadão brasileiro Ricardo Aparecido Barbosa da Cunha, que vive no país há cerca de 20 anos.

Em números

  • Cerca de 70 mil pessoas estão atualmente detidas por questões mig
  • Ratórias, ante 40 mil antes de Trump assumir o cargo, em janeiro de 202

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